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A força e a beleza das palavras


Há algum tempo fui a uma concessionária comprar um carro novo. Estava acompanhado da mulher que amo e com quem estou casado há mais de dezessete anos. Após a compra, um animado funcionário apareceu para me levar ao veículo. Foi, então, que ouvi algo que me soou estranho. Apontando para o tal carro, ele disse-me: “Veja, e se apaixone!”. Bem, eu estava muito satisfeito com minha mulher e não estava disposto a me apaixonar por nenhum automóvel… 

É claro que entendi o que o rapaz quis dizer com “apaixonar-se” pelo carro, mas este fato me levou a pensar que as palavras estão perdendo muito do seu significado comum, inclusive bíblico, nos levando a confundir sentimentos e expressões. Desta forma, amamos ao próximo e também amamos chocolate; adoramos a Deus e adoramos pizza; seguimos a Cristo e também somos seguidores de alguém no twitter; somos amigos de alguém que compartilha de muito do que somos e pensamos e temos também centenas de amigos no facebook. 

Em um instigante texto, A. W. Tozer manifestou preocupação com uma expressão muito comum entre os evangélicos: “aceitar a Cristo”. Para ele, se esta frase foi dita sem qualquer explicação pode levar os homens a diversos pensamentos equivocados sobre o que significa o discipulado cristão: “O problema é que toda a atitude do ‘Aceita a Cristo’ é provavelmente errada. Mostra Cristo voltado para nós, e não nós para Ele. Representa-O de pé, chapéu na mão, a esperar o nosso veredicto (sic) sobre Ele, em vez de estarmos nós de joelhos, com corações angustiados, esperando o Seu veredicto (sic) sobre nós” (“O que significa aceitar a Cristo”, em Esse cristão incrível, p. 14, Ed. Mundo Cristão).

Devemos ter o cuidado para não deixarmos que o valor das palavras bíblicas se percam. Se, por exemplo, vamos ter amigos virtuais, consideremos que a amizade da qual falou Cristo é de outra natureza, a ponto d’Ele falar aos seus discípulos: “tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer” (João 15:15). Quem sabe podemos também alterar nosso vocabulário, a fim de não vulgarizarmos palavras de significados tão belos. Assim, já que dizemos que temos amor por Deus ou por nossos filhos, não deveríamos dizer que amamos também objetos e máquinas. 

Não somente falamos do que nosso coração está cheio, mas as palavras que ouvimos e falamos também altera nossos pensamentos e comportamentos. 

Pescado no Graça e Saber.

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1 Comentário

  1. Daladier, Amado irmão.

    Sua observação acerca do uso das palavras são pertinentes ao nosso tempo.

    A Palavra de Deus, inclusive, tem sido interpretadas das mais diversas formas pelo desconhecimento do sentido original das palavras que nela estão.
    Ao ponto de ficarmos preocupados ao ler Tiago 4.5, que nos informa que o Espírito Santo tem “forte ciúme” de nós…

    “O tempora, o mores”, tempos difíceis este.

    Que ELE tenha misericórdia de nós ensinadores do povo.