EBD Estudos Reflexões Daladier Lima

A Ressurreição de Cristo!

Prezados leitores, voltamos ao assunto da ressurreição. O trunfo magistral da história cristã é que não cremos num Jesus que ficou sepultado, muito menos que a narrativa termina no Calvário. Ele vive. E isso mudou a História humana para sempre. O eco da ressurreição é a certeza que o cumprimento das profecias se aproxima. Mas, vamos à sequência daquela manhã maravilhosa.

Os fatos sobre a ressurreição de Jesus
1. Os três primeiros evangelhos dedicam um capítulo à ressurreição de Jesus, João dedica dois;

2. Os quatro evangelistas concordam que Jesus ressuscitou num domingo (Mateus 28:1; Marcos 16:1; Lucas 24:1; João 20:1)

3. Mateus diz que foram Maria Madalena e a outra Maria (28:1)

4. Marcos diz que eram três: Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e Salomé (16:1)

5. Lucas não especifica a quantidade a princípio, afirma somente que eram algumas mulheres (23:55), mas à frente informa: eram Maria Madalena, e Joana, e Maria, mãe de Tiago, e as outras que com elas estavam, as que diziam estas coisas aos apóstolos (Lucas 24:10)

6. João registra somente Maria Madalena (20:1). As narrativas destacam apenas os personagens mais importantes para cada observador;

7. Somente Mateus registra um terremoto que antecedeu à remoção da pedra por um anjo (28:2)

8. Marcos afirma que um jovem vestido de branco estava dentro do sepulcro, o que espantou as mulheres (16:5)

9. Lucas afirma que eram dois anjos, com vestes resplandecentes (24:4)

10. João não fala inicialmente em anjos, mas na pedra removida (20:1), porém, no versículo 12, diz que também eram dois

11. Mateus diz que o anjo falou: Não tenhais medo; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde, vede o lugar onde o Senhor jazia. Ide pois, imediatamente, e dizei aos seus discípulos que já ressuscitou dentre os mortos. E eis que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. Eis que eu vo-lo tenho dito (Mateus 28:5-7)

12. Já Marcos afirma que o anjo lhes disse: Não vos assusteis; buscais a Jesus Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram. Mas ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis, como ele vos disse (Marcos 16:6-7)

13. Lucas registra: Por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galiléia, Dizendo: Convém que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressuscite (Lucas 24:5-7)

14. Mateus registra que ao sair do sepulcro Jesus saiu ao encontro delas e lhes disse: Eu vos saúdo! Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão à Galiléia, e lá me verão (Mateus 28:9,10). Marcos parece corroborar esta informação (Marcos 16:9). Já João diz que inicialmente dois anjos falaram com a mulher (20:13), depois o próprio Jesus (20:14-17)

15. Lucas registra que Pedro ao ouvir a notícia correu ao sepulcro (24:12)

16. Já João registra que foram ele e Pedro, e que João chegou primeiro, mas não entrou (20:4) e Pedro entrou a seguir (20:5). Só depois João entra (20:8)

17. Todos registram a incredulidade diante do acontecimento. Mateus diz que duvidaram (28:17), Marcos que não acreditavam em Madalena (16:11), nem em outros dois discípulos, provavelmente, os do caminho de Emaús de Lucas 24:13, (Marcos 16:13). O próprio Lucas em 24:37 registra que eles pensavam que Jesus era um fantasma. Em 20:25 registra a incredulidade de Tomé

18. Somente Lucas registra a história do caminho de Emaús (24:13-35)

19. Mateus diz que os discípulos foram para o monte na Galiléia (28:16) aonde Jesus lhes apareceu, mas não especifica dia

20. Marcos que estavam assentados, provavelmente, no mesmo lugar quando isto aconteceu (16:14ss)

21. Lucas diz que esta primeira aparição se deu em Jerusalém (24:33-36)

22. João afirma que os discípulos estavam num recinto fechado nesta primeira aparição (João 20:19) e que Tomé não estava presente (20:24). Donde compreendemos que Jesus primeiro apareceu aos discípulos em Jerusalém, e somente oito dias depois os encontrou a todos na Galiléia (João 20:26). É a sequência de I Coríntios 15:5-7

23. Lucas registra que Jesus comeu peixe naquele dia (Lucas 24:41-43)

24. Somente João menciona o reencontro de Tiberíades (21:1ss), no qual Jesus dialogou profundamente com seus discípulos e, principalmente, com Pedro

24. Paulo afirma que Jesus foi visto por mais de quinhentos irmãos (I Coríntios 15:6)

25. Lucas afirma que Jesus se apresentou a várias pessoas e de várias formas num espaço de quarenta dias (Atos 1:3)

26. Também menciona que Jesus foi elevado aos céus, não em oculto ou em lugar desconhecido, mas à vista de todos , a partir do Monte das Oliveiras (Atos 1:9ss)

Cristo, de fato, ressuscitou? I Coríntios 15:14-20

Vamos abrir este sermão com uma breve sequência, a partir do momento em que Jesus expirou:
1) José de Arimatéia, homem rico e de bem, senador renomado, discípulo oculto, seguidor nominal de Jesus, pede a Pilatos para retirar o corpo da cruz. Pilatos permite e ele sepulta o Senhor. Nisto concordam os quatro escritores da história de Jesus: Mateus 27:57; Marcos 15:43; Lucas 23:51; João 19:38. Somente João registra que Nicodemos, outro membro do sinédrio, também discípulo oculto, o acompanhava (João 19:39);

2) Pilatos só liberou o corpo de Jesus, para entrega-lo a Arimatéia, depois de certificar-se com um centurião que, de fato, o Mestre havia morrido (Marcos 15:44). Um centurião era um homem acostumado a ver a morte de perto, e João 19:34, registra que um soldado furara o lado de Jesus, rompendo o pericárdio, de onde saiu sangue e água;

3) Nicodemos, segundo João, levava cem arratéis de um composto de mirra e aloés para derramar sobre o corpo de Jesus. Era muito perfume. Apenas um arratel de nardo fora usado por Maria, irmã de Lázaro, em João 12:3, para ungir o corpo de Jesus;

4) Mateus, Lucas e João registram que puseram o Mestre num sepulcro novo. Mateus 27:60 registra que o sepulcro pertencia ao José de Arimatéia. Os crucificados não podiam ser enterrados em cemitérios judeus, pois eram malditos (Deuteronômio 21:23). Já os ricos faziam catacumbas em lugares comprados para este fim;

5) Mateus 27:60 e Marcos 15:46 registram que fora posta uma pedra na entrada do sepulcro. Mateus faz questão de registrar que era uma grande pedra. Certamente seria uma missão fácil coloca-la ali, dada a grande quantidade de soldados que seguiram o féretro, com medo de uma rebelião dos judeus;

6) Jesus fora sepultado no entardecer de uma Sexta-Feira, após seis horas de sofrimento (Marcos 15:25,34) . Os judeus tinham por costume contar qualquer parte de um dia, como um todo. O dia seguinte começava por volta das 18:00h do dia anterior;

7) No sábado, era descanso em Jerusalém. Isto não impediu que os príncipes dos sacerdotes e os fariseus se reunissem com Pilatos (Mateus 27:62) e expressassem seu medo de que os discípulos roubassem o corpo de Jesus e fizessem crer que havia ressuscitado. Pilatos, então, consentiu no envio de uma tropa de soldados para guardar o túmulo, selando-o com um anel. Suas palavras, em Mateus 27:65, soam como uma sátira: Tendes a guarda; ide, guardai-o como entenderdes. Ou seja, mantenham Jesus no sepulcro, se puderem!

Enunciadas estas premissas, voltamos à pergunta que abre este sermão: Jesus, realmente, ressuscitou? Há três argumentações básicas em relação à questão:

O corpo de Jesus foi roubado durante a noite. Os discípulos o esconderam e disseram que ressuscitou

1. Os discípulos não eram homens de guerra, nem mesmo de estratégia, em sua maioria oriundos da atividade de pesca. Como venceriam uma centúria romana, composta de soldados experientes e acostumados a lutar em grandes guerras?

2. Aliás, como um grupo pequeno e fragmentado venceria um exército de tamanho razoável? Era costume nas grandes festas uma legião romana estacionar em Jerusalém, para conter eventuais levantes. No período da morte de Jesus, comemorava-se a Páscoa, a maior de todas as festas judaicas. Se eles vencessem a centúria do túmulo, seriam massacrados pelo restante da legião!

3. Supondo que eles roubassem o corpo de Jesus e fossem bem-sucedidos, seriam depois presos ou mortos. Como Pilatos deixaria prosperar uma farsa? Seria rebelião na certa. O governador faria uma rigorosa investigação e encontraria o corpo colocando-o em exposição pública, para mostrar a mentira dos discípulos. Mas nada disso aconteceu;

4. Lembremos ainda que estes eram monitorados por todos os vizinhos, que os conheciam e sabiam onde moravam. Se tentassem cavar uma sepultura, seriam desmascarados. Somente anjos seriam capazes de conter um exército como o romano e deixa-los inertes de medo e pavor, como relata Mateus 28:4.

Jesus não morreu, esteve desmaiado e depois voltou à vida

1. A chamada Teoria do Desmaio é bastante utilizada pelos céticos para justificar a ressurreição de Jesus. Mas ela não se sustenta na mínima lógica, é somente uma tentativa frustrada de minimizar o fato. O problema de sustenta-la começa com Jesus ferido em seu coração, conforme João 19:34. Um soldado, experiente, havia perfurado o lado de Jesus, por baixo das costelas, com uma lança. Era um ferimento mortal, somente para cientificar-se de que Ele falecera, de fato;

2. O segundo problema é que havia uma pedra, grande conforme Mateus 27:60, a ser removida, guarnecida por um selo e por uma centúria de soldados do outro lado. Jesus teria de, ferido e alquebrado pelos açoites, como dissemos, empurrar a pedra e enganar ou vencer os soldados, armados e treinados!?

3. Em terceiro lugar, vivo estivesse, depois desta possibilidade, teria de lidar com a fúria de Pilatos, de sua legião, dos sacerdotes, pois teria burlado e ludibriado toda a segurança. Eles o caçariam como se procura uma agulha num palheiro;

4. Um quarto, mas não menor, problema é: Onde estaria hoje? Se tivesse ficado vivo, morreria pouco depois, limitado por seu corpo físico ou seria um velho de dois mil anos!? As pessoas o encontrariam e desmascarariam a fraude!

Jesus não ressuscitou, pois era um homem comum
1. Este argumento materialista esquece algumas considerações simplórias. Anos depois da morte de Jesus, os discípulos foram obrigados a pagar com a vida seu testemunho. Assim aconteceu a muitos outros que decidiram abraçar a fé cristã naqueles tempos. Muitos eram testemunhas oculares da assunção de Jesus aos Céus. Jamais estes homens morreriam por uma mentira. Mentimos para auferir alguma vantagem, mas para sustentar um mito? Nos parece pouco provável, especialmente, ao relembrar que todos os discípulos morreram de forma violenta, exceto João. Vejamos:

Tiago, filho de Zebedeu, foi o primeiro a morrer. Foi decapitado à espada por ordem do rei Herodes Agripa I, em 44 da nossa era. André, irmão de Pedro, foi crucificado em Ática na Ásia Menor. Continuou admoestando seus algozes até exalar o seu último suspiro. Tiago, filho de Alfeu, foi lançado do pináculo do templo de Jerusalém e, a seguir, apedrejado até morrer. Mateus, ex-coletor de impostos, pregou por quinze anos na Palestina indo depois para Etiópia, onde foi morto à espada. Bartolomeu pregou na Arábia, estendendo sua pregação até a Índia. Alguns afirmam que ele foi amarrado a um saco e lançado ao mar, enquanto outros asseguram que ele foi esfolado. Simão, o cananeu, foi executado na Pérsia por ordem do imperador Trajano. Foi martirizado até expirar. Tomé, o que duvidou da aparição do Cristo ressurreto, veio a ser um dos maiores pregadores. Viajou muitíssimo, pregando nas regiões da Parta, Média, Pérsia chegando até a Índia. Foi morto atravessado por uma lança na cidade de Coromandel. Judas Tadeu, irmão de Tiago, morreu cravado de flechas. Filipe morreu na Ásia menor enforcado num pilar do templo em Hierápolis. Pedro morreu crucificado no ano 67 dC com idade de 75 anos. A tradição diz que ele pediu para ser crucificado de cabeça para abaixo porque se achou indigno de morrer como seu Mestre e Senhor. João, irmão de Tiago, foi exilado na ilha de Patmos por ordem do imperador Domiciano. Morreu aos cem anos de idade, sendo o único dos apóstolos que teve morte natural. Segundo a tradição foi lançado num tacho de azeite fervendo de onde saiu ileso[2].

2. Dentre os primeiros convertidos, e para fins de nossa análise, o que mais se destaca é Paulo. Outrora, perseguidor dos cristãos, encontrou-se pessoalmente com o Senhor Jesus ressurreto, que deu sua vida pelo ministério a ele confiado pelo Senhor. Paulo, um homem culto e racional, jamais sofreria por uma fábula;

3. Em Atos 25:19, Festo em conversa com o Rei Agripa, relata que a grande batalha entre os sacerdotes e outros líderes religiosos de Jerusalém e Paulo se dava em torno da ressurreição. Agripa filho do Rei Herodes Agripa I, cuja morte é relatada em Atos 12:23 e irmão das princesas Berenice e Drusila, estava a felicitar Festo por ter sido nomeado procurador romano. Era judeu e conhecia os costumes judaicos, apesar de vassalo de Roma, que lhe tinha dado um pequeno reino no Líbano. Em Atos 26, Paulo foi ouvido pelo Rei Agripa, antes de ser enviado para Roma. Dentre suas afirmativas, destaca-se a seguinte em Atos 26:26: Porque o rei, diante de quem falo com ousadia, sabe estas coisas, pois não creio que nada disto lhe é oculto; porque isto não se fez em qualquer canto. Ou seja, o rei a quem Paulo falava, estava familiarizado com todos os acontecimentos e Paulo não poderia enganá-lo!

Outros detalhes reforçam a tese da ressurreição de Jesus:

1. O testemunho de uma mulher não era válido num tribunal penal no tempo de Jesus. Jamais mulheres, que disso sabiam tanto quanto seus ouvintes, dariam testemunho da ressurreição de Jesus, arriscando-se à ridicularização, se de fato isto não houvesse acontecido;

2. Um fato interessante está registrado em Lucas 24:11, ali diz que os próprios discípulos receberam os relatos da ressurreição de Jesus como loucura. Em João 20:25, Tomé afirma: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei. Como tais homens seriam levados a crer, se tudo fosse inventado? Num primeiro momento eles poderiam até espalhar o boato, mas com o tempo as defecções se fariam sentir. Não há entre os primeiros discípulos o menor sinal de arrependimento ou dúvida, a respeito do que anunciaram. A dúvida só aparece entre os coríntios, contra a qual argumenta Paulo, no capítulo 15, de I Coríntios. Interessante notar que Paulo indica, em 15:5, que Pedro foi o primeiro a ver Jesus. Ora, Pedro era conhecido dos coríntios. É como se Paulo dissesse: Perguntem a Pedro[1]!;

3. Se Jesus estivesse sepultado, os discípulos, com o passar do tempo, passariam a visitar o túmulo aonde estavam seus ossos, criando uma verdadeira romaria até ali. Não foi esta a precaução de Deus ao esconder aonde sepultara Moisés (Deuteronômio 34:6)? Não há, entretanto, nenhuma menção de que os primeiros cristãos tenham feito isto! Os próprios romanos e judeus poderiam levar algum cético a ver o corpo de Jesus, aonde estivesse sepultado!

4. A existência da Ceia do Senhor e sua ocorrência num domingo, já nos primeiros dias da Igreja, mostra-nos claramente que os discípulos criam de fato na ressurreição do Mestre. O assunto central da Ceia é comer até que Ele venha, se Cristo não ressuscitou toda uma comunidade nascente estaria em transe irracional.

Conclusão
As palavras do anjo às duas primeiras testemunhas da ressurreição, encerram três grandes verdades: crer, como Jesus falou, compartilhar a novidade e o poder da ressurreição e alegrai-vos, com a certeza de que Ele está vivo!

[1] Stern, David H., Comentário Judaico do Novo Testamento, Editora Atos

[2] http://www.sibpp.org.br/index.php/pastorais/194-como-morreram-os-discipulos-de-jesus-cristo.html

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