Batalha Espiritual – A realidade não pode ser subestimada!

O que é batalha espiritual? De que modo se configura? É bíblica? Qual deve ser o posicionamento diante desta realidade? O que devemos saber a respeito?

Prezados, como sabem, a lição deste trimestre versará sobre batalha espiritual. É um tema polêmico, mas seu debate é extremamente oportuno. Obviamente, é impossível esgotá-lo numa só lição. Será necessário empenho do professor de EBD para abarcar a intenção do comentarista: Pr. Ezequias Soares.

Oriundo de Pernambuco, mais precisamente do bairro de Paratibe, em Paulista, cidade da Região Metropolitana do Recife, se radicou em Jundiaí/SP. Conheci-o virtualmente em 1992 e, por seu intermédio, obtive o primeiro livro de hebraico que adquiri, um manual da USP, de Rifka Berezin. Por aquele tempo dirigia a ETEQS – Escola Teológica Eliseu Queiroz de Souza, naquela cidade. Também é presidente da AD ali.

Texto Áureo

“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.”

(Mateus 26.41)

Esta é a divisa da batalha espiritual que se desenrola diante de nós. Não podemos ignorar os ardis malignos (I Coríntios 2:11). Os ataques são tão sérios que nem o próprio Jesus pode evitá-los. Os leitores estão bem lembrados das grandes tentações no deserto (Mateus 4:1). Aliás, é bom ficar alerta quando não houver a clara percepção de um ataque ou quando eventos sociais, políticos e financeiros forem favoráveis à Igreja. Eles tendem a obscurecer o trabalho maligno contrário a nós.

Verdade Prática

Batalha Espiritual é uma realidade bíblica que consiste na luta contínua da Igreja contra o reino das trevas.

Leitura Diária

Seg. Lc 10.17-19: Jesus deu poder à sua Igreja para subjugar os demônios

Ter. At 13.9-11: A pregação do Evangelho é a declaração de guerra contra o reino das trevas

Qua. At 16.16-18: Devemos nos precaver contra as manifestações malignas

Qui. 2 Co 10.4: As armas da nossa milícia são espirituais e poderosas em Deus

Sex. Ef 6.13: Podemos, com ajuda do Senhor, resistir ao mal e continuar firme

Sáb. Tg 4.7: Duas coisas importantes: submissão a Deus e resistência ao Diabo

Leitura Bíblica em Classe

1 Pedro 5.5-9

5- Semelhantemente vós, jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.

6- Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a seu tempo, vos exalte,

7- lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.

8- Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;

9- ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo.

Objetivo geral

Expor a realidade bíblica da Batalha Espiritual, identificando as crenças errôneas de uma pseudobatalha espiritual.

Objetivos específicos

I- Apresentar o conceito de Batalha Espiritual, ressaltando sua realidade bíblica e distorções;

II- Pontuar as principais “crenças” da pseudobatalha espiritual;

III- Desconstruir por meio da análise bíblica as “crenças” da pseudobatalha espiritual.

Introdução

A Batalha Espiritual é o tema do trimestre que estamos iniciando. Basta uma olhada na leitura diária para confirmar a menção do assunto nas Escrituras. Mas existe uma onda extravagante que surgiu na década de 1960 e que tenta se passar por batalha espiritual. A presente lição apresenta o equilíbrio doutrinário que servirá como ajuda para ninguém subestimar o assunto.

A batalha espiritual

Conceito

A primeira pergunta que se impõe é: O que é batalha espiritual? O comentarista foi sintético e direto: “Batalha Espiritual é uma realidade bíblica que consiste na luta contínua da Igreja contra o reino das trevas”. É a dura realidade da Igreja na Terra, por isso a importância de estudar o assunto. Não temos sossego. Por todos os lados somos alvos de ataques, sendo que os mais perigosos são os mais sutis. Colocando em outras palavras, quanto mais sutileza o Inimigo de nossas almas e seus súditos imprimem, mas perigosos são seus ataques. Quem não lembra a sutileza dos ataques a Paulo em Atos 16:16-18?

No início da História da Igreja os ataques consistiam em utilizar o poder temporal para massacrar os salvos. Muitos foram apedrejados, degolados, enforcados e morreram dos modos mais cruéis como testemunham os livros sobre o assunto. Percebendo que a Igreja não sucumbiria (Mateus 16:18) a tática mudou. Por volta do ano 312 d.C. o imperador romano Constantino se converteu ao Cristianismo, trazendo consigo todas as práticas pagãs para o seio eclesiástico. Assim a Igreja Católica se tornou gradualmente uma das mais depravadas instituições ao longo da História, abandonando o primeiro amor prescrito em Apocalipse 2:4.

Hoje em dia, por exemplo, vemos ações muito mais estruturadas em torno da filosofia e da ideologia. Ou seja, mais sofisticadas, sutis e dissimuladas.

Embora o assunto tenha sido mais enfatizado anos atrás é de suma importância em nossos dias. A maioria das pessoas de hoje em dia não conviveu diretamente com Neuza Itioka e outros expoentes, nunca leu o bestseller Este mundo tenebroso de Frank Peretti (são dois volumes) ou teve contato com termos que serão abordados mais adiante como maldição hereditária.

Resultado de imagem para este mundo tenebroso

Há muitos conceitos errados sobre o tema e inúmeros aproveitadores, muitos dos quais são meros instrumentos do Diabo para atrapalhar a marcha da Igreja. A lição se incumbirá de abordar alguns desvios doutrinários oriundos de interpretações equivocadas da ação do Inimigo no mundo. Imagine que há até quem pregue que foi ao Inferno e matou o Diabo. É o caso do pastor sul-africano Paseka Motsoeneng, conhecido como Pastor Mboro. Obviamente é uma tremenda mentira, mas há quem acredite.

Antes de seguir é bom lembrar:

  1. Que esta batalha espiritual não nasceu com a Igreja ou a partir dela. Temos hoje apenas sua face mais visível. Há inúmeros relatos de influência maligna contra o trabalho de Deus. Sempre houve clara oposição entre a luz e as trevas desde o Éden. O apóstolo João afirmou que este mundo jaz no Maligno (I João 5:19);
  2. Que há uma rede instrumentalizada de ações demoníacas dando suporte à atuação do Diabo. Ele é o mentor, o chefe que se utiliza desta rede para parecer até onipresente. Não devemos nos enganar, por exemplo, achando que é o Diabo, em pessoa, que está por traz de uma pequena briga entre vizinhos, ele encarrega seus demônios dessas pequenas encrencas;
  3. Muitas ações malignas só podem ser discernidas em oração e jejum e vencidas em submissão à vontade de Deus. Jamais poderemos vencer sozinhos (Mateus 17:21)!

Quão bíblica é a batalha espiritual?

O segundo tópico do primeiro ponto irá enfatizar que o conceito de batalha espiritual é encontrado nas Escrituras. Portanto, é bíblico. O que é antibíblico são determinadas invenções em torno dele. Nem Jesus, nem seus discípulos nunca ignoraram a ação diabólica contra a Igreja. Com frequência vemos o Mestre em luta espiritual contra as hostes da maldade: as tentações de Mateus 4:1ss, o jovem lunático de Mateus 17:15ss, o gadareno de Marcos 5:1ss. Até seu próprio discípulo tornou-se um instrumento maligno (João 13:27). Numa das passagens mais enigmáticas dos Evangelhos Jesus afirma a Pedro que Satanás pediu para peneirar seus discípulos (Lucas 22:31).

Paulo foi impedido pelo Diabo de ir à Tessalônica (I Tessalonicenses 2:18), expulsou um espírito maligno de um mago (Atos 13:10) e outro de adivinhação de uma moça (Atos 16:16-18). Escreveu um libelo sobre as armas espirituais (Efésios 6:11), dadas à Igreja segundo ele para que possamos nos defender das astutas ciladas do Diabo. E Pedro advertiu seus leitores: “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar (I Pedro 5:8)”.

Mas o próprio Velho Testamento mostra inúmeras ocasiões em que ações malignas foram intentadas contra o povo de Deus. É o caso do Éden, das tentações do deserto (Números 25), da idolatria reinante durante a trajetória até Canaã e depois de se instalarem na Terra Prometida. De modo que não há como negar tal realidade ou quão bíblica é. Até mesmo o Novo Testamento esclarece eventos do Velho no contexto de batalhas espirituais. É o caso de Judas 1:9.

O que não é batalha espiritual?

O terceiro tópico do primeiro ponto vai abordar em resumo três doutrinas falsas que são disseminadas no meio evangélico como batalha espiritual:

  1. Doutrina dos espíritos territoriais ou mapeamento espiritual
  2. Maldição hereditária ou de família
  3. Rituais de libertação de crentes endemoninhados

No ponto seguinte serão abordados mais detidamente. É importante frisar que há inúmeras outras configurações e derivações que poderíamos identificar como doutrinas falsas neste particular. Falta a muitos de nós o discernimento espiritual e intelectual para não cair nesses engôdos.

Principais crenças da pseudobatalha espiritual

Mapeamento espiritual

Esta falsa doutrina se baseia numa interpretação equivocada de Daniel 10:13,20,21. Naquela passagem é relatado um episódio no qual uma resposta à oração de Daniel é impedida por demônio. Um anjo (provavelmente, Gabriel) foi enviado para falar ao profeta, mas por 21 dias um oponente demoníaco, supostamente, príncipe de um país influente no tempo de Daniel, a Pérsia, impediu que fosse adiante. Até que o arcanjo Miguel pelejou e liberou sua passagem.

Daí se acredita que cada país, região ou cidade do mundo possui seu próprio demônio guardião. Essa é a ideia de mapeamento. Pior, “o evangelho só pode prosperar nesses lugares quando alguém, cheio do Espírito Santo, expulsar esse espírito maligno”. Alguns adeptos mais radicais adotam a prática de urinar nos quatro cantos de uma localidade, para demarcar território. Assim como o leão (de Judá, lembram?) e outros animais fazem. Há uma década fieis de determinada igreja alugaram um helicóptero para derramar litros de óleo da unção, para ungir sua cidade. Em outra cidade irmãos ingeriram grande quantidade de água e se dirigiram a pontos estratégicos para urinar e tomar o território do Inimigo.

Outra referência bíblica diz respeito ao Gadareno de Marcos 5. Os demônios rogavam a Jesus para não sair daquela província (Marcos 5:10).

Refutação

Embora os versículos de Daniel favoreçam, num primeiro momento, a interpretação de que há domínios territoriais divididos entre seres espirituais, esta guerra é angelical. Daniel não teve qualquer participação na derrota daquela potestade. Não há qualquer menção à Igreja Primitiva e ao próprio Jesus demarcando território com palavras ou outras atitudes. Pelo contrário, houve ao menos um caso em que Jesus não pode permanecer num determinado local e fez ali poucos milagres pela incredulidade das pessoas (Mateus 13:58).

Efésios 2:2 fala do príncipe das potestades do ar, provavelmente, se referindo ao próprio Diabo. E Efésios 6:12 fala das hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais e dominadores deste mundo tenebroso (expressão que dá título ao livro de Peretti), a tradução de kosmokratoras, termo grego que se refere aos estrategistas gregos que se reuniam durante guerras, com o objetivo de estudar as informações e traçar planos de sabotagem contra o exército inimigo. Donde subentendemos que o Céu cósmico encontra-se hoje sob o domínio do Inimigo. Esse domínio, entretanto, é relativo e subordinado a Deus. É o que aconteceu no episódio do gadareno, já mencionado acima. Em Lucas 8:31 está escrito que rogavam que não os enviasse para o abismo. Eles sabiam que Jesus tinha esse poder.

Jesus, ainda ensinou que os demônios não são vencidos por atos proféticos, frases de efeito, regressão espiritual, mas com jejum e oração (Mateus 17:21). Em Judas 1:9 aprendemos que devemos nos limitar a repreendê-los em nome de Jesus. E em João 14:13, Jesus afirmou que tudo quanto pedirmos em nome de Jesus ele o fará, se isso glorificar o Pai. Crentes que urinam em público correm é o risco de serem indiciados por ato obsceno, previsto no artigo 233 do Código Penal.

Maldição hereditária

Consiste em atribuir poder a atos do passado para influir no presente. Maldições lançadas por familiares, alianças feitas em determinados locais, comportamentos adotados por ancestrais poderiam influenciar a vida e o destino dos descendentes. É uma falsa interpretação, entre outros, do versículo: “A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto (Provérbios 18:21)”.

O que fazer? Através de um método semi hipnótico o cristão deve descobrir em que geração houve esse compromisso maligno e quebrar a maldição. Noutros casos é necessário pedir perdão a esta geração quebrando igualmente o ciclo negativo. Não é raro que tal maldição se aplique por seus teóricos ao campo financeiro e profissional, estabelecendo uma espécie de casta. Para ascender financeira e profissionalmente o salvo deveria desfazer a maldição.

Outros versículos cuja interpretação é distorcida é Êxodo 20:5: “Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração aqueles que me odeiam” e Jeremias 32:18: “Tu usas de misericórdia para com milhares e retribuis a iniquidade dos pais nos filhos; tu és o grande, o poderoso Deus, cujo nome é o SENHOR dos Exércitos”.

Refutação

A maldição hereditária em relação ao salvo é um engodo total. A Bíblia afirma que “se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo (2 Coríntios 5:17)”. Todos os grilhões que o prendiam ao mundo, ao pecado e ao Diabo se romperam e nossa alma escapou (Salmos 124:7).

Não podemos ignorar que determinadas maldições encetadas por alianças malignas possam prejudicar vidas. A intenção do Inimigo é essa: escravizar as mentes por toda a vida, para poder receber uma pessoa no inferno. Porém, uma vez tendo entregue a vida a Cristo, tudo está rompido pelo poder do sangue de Jesus. O que pode restar é um domínio psicológico que será anulado a regeneração progressiva na mente da nova criatura.

Outro aspecto importante em relação à vida pregressa é que o novo nascimento não anula uma herança de crimes, falta de estudo e preparo intelectual, profissional e psicológico. Todos esses fatores irão influenciar nas oportunidades de trabalho e relacionamento. Com alguma frequência vemos jovens mal formados, pela educação familiar, com crises em seus relacionamento e as atribuindo a supostas maldições hereditárias, quando, na verdade, o que falta é preparo para enfrentar a vida a dois.

Eventualmente, os filhos e netos podem viver numa situação de pobreza por decisões ou ações tomadas por seus pais e avós. É o que ocorre em larga escala com o continente africano, cujos governantes são em sua maioria déspotas que dilapidam seus povos. Este quadro, porém, não é irreversível. Conhecemos casos de pessoas cujos antepassados foram pobres e iletrados, mas seus descendentes venceram na vida. Temos aí a benção de Deus, a educação e o trabalho, aliados a um senso de oportunidade.

Crentes endemoninhados

Doutrinadores como Kenneth Hagin dividem o homem em duas dimensões distintas, sendo uma composta de alma + corpo físico e outra somente do espírito. É neste último que habitaria o Espírito Santo. O outro ficaria sujeito à possessão maligna. Daí é necessário que o crente esteja em constante vigilância para sempre que possível expulsar os demônios de sua alma e corpo.

Refutação

Não podemos servir a dois senhores ao mesmo tempo (Mateus 6:24). Ou estamos em Cristo e o Maligno não nos toca (I João 5:18) ou abrimos a oportunidade para que o Diabo aja em nossa vida, como aconteceu com Judas, Ananias e Safira. Em todos esses casos, como mostra o comentarista, eram pessoas que haviam se desviado da verdade.

A outra alternativa é que, por permissão divina, haja alguma atuação maligna na Igreja ou em uma pessoa em particular. Mas isto só ocorrerá para testar a fé dos salvos e não poderá fazê-los serem possessos ou perderem a salvação. São casos extremamente pontuais.

Conclusão

Concluímos dizendo que é preciso equilíbrio ao tratar desta questão. Nem podemos ser céticos, porque a realidade espiritual é latente e bíblica, nem podemos ser desarrazoados, crendo em todo espírito de mentira, sendo levados de uma lado a outro pelo engano.

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1 Comentário

  1. jose roberto da rocha junior disse:

    Só não concordo com a afirmação que crente não podem ser possessos! Se der lugar ao bicho,ele pega sim e faz bagaceira na vida do crente,e isto não é nada pontual! Não é toa que Paulo recomenda a não lhes dar lugar! Ef. 4:27. Eu mesmo já fui expulsar demônios de crentes,que era membro da igreja, e que ficou possesso por não vigiar!