Cinco princípios da parábola do semeador

Analise conosco cinco básicos princípios contidos na parábola do semeador, os quais podem fazer a diferença no nosso trabalho evangelístico!

Sempre me surpreendi com a leitura bíblica em geral. Algumas passagens se tornam memoráveis e impregnam nosso ideário. Uma delas é a parábola do semeador. Para os amantes da evangelização é prato cheio. Elaboramos alguns princípios contidos nesta parábola que passam desatentos para o leitor mais apressado. Convido-os a esta breve reflexão.

1) A semente é a mesma!

Uma só é a semente! A Palavra não é menos eficiente porque caiu de uma maneira ou outra. Muito pelo contrário. Aos olhos dos homens é incrível como brota nos lugares mais impensáveis. Na fresta de uma pedra, com pouca terra ou água, à beira das estradas, na areia quente, à beira do asfalto. Brota por toda parte. A mão do semeador, sua intenção e volição, não são potentes o suficiente para determinar o futuro de uma semente sequer!

O próprio Jesus observou que aquele a quem muito é perdoado, muito ama (Lucas 7:47). Esta é a razão pela qual o Evangelho costuma florescer nas regiões de criminalidade e problemas de nossas cidades. Por ali corações sedentos e sem esperança recebem alegremente a mensagem bíblica.

Entretanto, a mesma Palavra que atinge o pecador dos guetos é a que agiu nas mulheres de boas condições que se entregaram a Cristo (Lucas 8:1ss), por sinal esta narrativa ocorre no mesmo capítulo da parábola. Esta tentação para direcionar a semente para determinados corações não é bíblica. Paulo pregou a mulheres à beira de um rio, carcereiros, filósofos e reis. A mesma semente contextualizada a diferentes cenários. É isso que devemos fazer se quisermos convencer as pessoas a conhecerem a Cristo!

2) O semeador é o mesmo!

Da mesma forma é um só semeador nos quatro episódios relatados. A mesma pessoa lança a semente:

a) Junto ao caminho;

b) Numa região pedregosa do mesmo solo;

c) Entre os espinhos;

d) Em boa terra!

Não cabe ao semeador escolher onde jogar a semente, assim como não cabe ao evangelizador escolher a quem pregar. Não sabemos qual das sementes irá germinar, crescer e frutificar, que são processos gradativos e subsequentes um ao outro. Eclesiastes 11:6 adverte: “Semeie a sua semente de manhã e à tarde não fique de braços cruzados, porque você não sabe qual irá prosperar: se esta, se aquela ou se ambas serão igualmente boas.”

Por outro lado, não idade, condição social, nível educacional ou qualquer outra característica humana que faça de uma pessoa melhor ou pior semeador. Todos podem, a seu modo, dentro de suas condições, fazer este excelente trabalho para Deus!

3) A semente tem poder em si mesma!

Vivemos a era do embelezamento da mensagem. Floreios e badulaques tem tomado o espaço da pregação genuína, de tal maneira que fica difícil discernir entre tantas vozes. Tanto temos o rareamento de pregações cristocêntricas, quanto o enxerto de firulas. Noutros casos é um verniz de sabedoria, que acaba obscurecendo a pregação. O que dizer do exagero eventual na inclusão de termos gregos e hebraicos, com o único intuito de demonstrar conhecimento? Ora o uso de tais artifícios não busca a glória de Deus, mas do semeador.

Precisamos retornar ao estudo bíblico simples, direto, objetivo no intuito de nos fazer compreender ao ouvinte. Isto não significa pregações maçantes ou prolixas, mas com um sentido claro que fale ao coração do pecador, a boa terra, e nela frutifique. Já dissemos aqui e vamos repetir: “Nunca houve tantas Bíblias e ao mesmo tempo tanta fome da Palavra de Deus!”.

O homem de não mais 200 anos atrás não tinha 5% dos recursos que temos como dicionários, enciclopédias, comentários, estudos e coisas do gênero, ao mesmo tempo que não tinha quase nenhum dos meios de transmissão da Palavra dos quais dispomos, mas havia eficiência e eficácia na proclamação do Evangelho. Como conceber, por exemplo, Pedro pregando para milhares de pessoas sem um microfone?

Não é necessário ir muito longe para concluir que temos desprezado o valor da Palavra por si só. E Deus tem saído de cena e nos deixado a mercê de nossas escolhas. O resultado é mais conversa e menos conversão. Precisamos entender o poder latente da Palavra para germinar em qualquer coração. E deixar que a Palavra aja por si mesma, ao invés de tentar fazer aquilo que ela já faz, induzindo Deus a agir conforme o que vemos! Esta tendência, muitas vezes, não é apenas humana, mas maligna, pois tenta atrapalhar os planos de Deus.

Não se trata de desprezar as técnicas e estratégias de Evangelismo, mas de colocar a Palavra em primeiro lugar. Estudá-la rigorosamente, explorar seus contextos e confiar no dono das sementes. Por vezes, as pegamos de suas mãos e queremos dar-lhes algum poder humano, esquecendo que aquele que as dá é o mesmo que as faz germinar!

4) Toda germinação é um milagre!

Nossos recursos consistem em criar as condições propícias à semeadura. A germinação é um processo divino no coração do ouvinte. Já preguei para pessoas que choraram ao ouvir a Palavra, mas não quiseram se decidir por Cristo. Por outro lado, preguei para pessoas que pareciam não entender muito bem o que ouviam, mas diante do convite tomaram a decisão. E até hoje seguem a Cristo! Quem faz isso? Nossa habilidade? Nós mesmos de alguma maneira? NÃO!

Quem pode compreender o mistério de que a semente morra pra nascer outra planta? Quanto mais a planta por excelência, o Evangelho!? E é um milagre que está ocorrendo neste exato momento, em algum lugar deste planeta imenso, assim como as sementes naturais estão agora em seu processo de germinação, seguindo o curso da natureza.

Sendo um milagre, nada podemos creditar ao homem. Toda a glória do processo pertence a Deus!

5) Quem muda o destino somos nós!

Primeiro, foi na terra rasa, pisada e repisada. Solo batido, compactado, difícil de ser penetrado. Depois no solo pedregoso, sem nutrientes, não retinha água. Depois entre espinhos pontiagudos e dilacerantes. Por fim, numa terra boa e cheia de nutrientes, propícia ao crescimento da planta. Os contextos nos quais a Palavra é pregada mudam, os meios empregados, as técnicas. O que não muda é o local onde o semeador semeia as suas sementes.

E não é o caminho físico por vezes, os passos mentalizados que nunca pisam o mesmo lugar. É a intenção. O semeador sempre encampava a esperança em seu curso de ação. E o caminho era o mesmo para o semeador e a semente, unindo dois propósitos.

Há algumas aplicações práticas aqui. A primeira é que precisamos conhecer o caminho, para maximizar o plantio. Um passo em falso resultava em perda. Quanto mais o semeador conhecia o campo no qual atuava, mais fazia render sua plantação, evitando os lugares ruins. Ainda que em Israel não era desleixo a semente cair à beira do caminho, que seria revolvido junto com o restante do campo, o tempo decorrido entre o lançamento da semente e a revolução do arado era essencial para determinar o futuro.

Devemos conhecer a Deus cada vez mais e à sua Palavra! Ouvi Norman Geisler recomendar na Consciência Cristã/2013, em Campina Grande/PB, que as pessoas lessem e meditassem na Palavra como recurso contra a apostasia. Ele dizia: “Perguntei aos técnicos do FED (Banco Central americano) o que faziam para descobrir as fraudes. Eles responderam: Nos aperfeiçoamos na cédula verdadeira!”. Sem conhecer o caminho do plantio, como teremos grandes colheitas?

A segunda aplicação é que tendo um caminho que, por vezes, resultava em perda de sementes para os espinhos, as pedras e o sol, o semeador era incansável. Ora, a persistência é um dos mais caros valores cristãos. Em I Tessalonicenses 5:17 Paulo nos instiga a orar sem cessar! O mesmo raciocínio se aplica à pregação do Evangelho. Aliás, temos orado por aqueles aos quais pregamos e não quiseram se decidir por Cristo? Temos pregado às mesmas pessoas ou estamos cansados de semear nos mesmos lugares?

A terceira aplicação é que quem muda o caminho somos nós. Caminho e semente só se tornam efetivos se nos dispusermos a utilizá-los. Se as sementes forem guardadas num recipiente à espera de uma mão disposta a lançá-la aos campos nada irá ocorrer, não teremos plantações, não teremos colheitas, nem novas sementes para novos plantios! Da mesma forma o campo ficará por ser arado e semeado se não houver quem o faça e as ervas daninhas tomarão o lugar do trigo. É o esforço humano aliado ao trabalho de Deus que faz o campo florir!

Reflitamos e façamos algo para evangelizar a outros!

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2 Comentários

  1. Eliezer Souza disse:

    Sem muito comentário, quero apenas dizer que o texto é mais um de excelência.

    Parabéns pelo conteúdo prático e direto!
    Shalom Adonai, amado pastor.

  2. Daladier Lima disse:

    Abração, nobre amigo!