Dissecando um e-mail sobre o post anterior


Recebi um e-mail de um pastor assembleiano amigo. É um homem de larga experiência pastoral, tendo atuado em missões no Exterior. Ele sempre lê o blog, está entre os dez leitores. É, tenho poucos… não temo a insignificância… Como não me autoriza a publicação do nome e do conteúdo, vou pontuar e omitir certas referências pessoais que não prejudicarão o debate da questão.

Antes, algumas premissas:
1) Este blog nunca defendeu a ordenação de mulheres. Revirem a busca, no canto esquerdo. O que fizemos desde sempre foi alertar para a dissimulação, evidenciando que ou cumprimos o que está na Bíblia, o que seria impossível dada a quantidade de missões que nós, os homens, entregamos às mulheres em nossa igrejas, ou paramos com tanta bobagem sobre o assunto. Vou evidenciar algumas delas quando fizer a análise do e-mail;

2) Não defenderia a ordenação feminina perante minha Convenção. Jamais incluiria tal assunto numa pauta. Primeiro, porque não tenho envergadura para guiar pautas, segundo, porque há tantos outros problemas mais urgentes. Não é?

3) O desafio lançado desde 2006, lá se vão tantos anos…, é: a argumentação utilizada NÃO é bíblica, mas pura conveniência. Já demonstrei isso tantas e tantas vezes. Claro, claro, os opositores não desejam argumentar. Especialmente, quando o contraditório não se apóia em cosmovisão, mas em fatos. É o caso do famoso vídeo de Augustus Nicodemus sobre o assunto, postado e repostado tantas vezes. Perguntei ao Augustus, num post: Sua igreja envia missionárias? Ele respondeu, rispidamente: Envia, mas elas sabem ler a Bíblia e não querem ser pastoras. Quem entende um negócio desses? Vão, plantam igrejas, administram bens, ungem, oram, batizam, pregam, ensinam. O que mais é pastorear? O crachá? Ah!…

4) A rigor não tenho gurus. Leio muito, pesquiso razoavelmente, tenho luz própria, aliada a uma visão bem ampla da Igreja. As pessoas com as quais converso, interajo, partilho pensamentos e conhecimentos podem me influenciar. O que mais é cosmovisão? É incrível, mas minha querida mãe, assembleiana da gema, das antigas, do tipo que não veste nem maiô em praia, tem me oferecido, mesmo involuntariamente, muito mais reflexão neste quesito do que os expoentes da teologia brasileira;

5) A Igreja da qual faço parte esposa e endossa toda postura sobre o assunto que está disseminada na denominação no Brasil. Ou seja, é contrária ao pastorado feminino. Não só isso, mas NÃO consagra diaconisa, prebístera ou pastora. Está fora de questão, que em algum momento, nossa amada COMADALPE tenha adotado tal ideia. Porém, sinto-me livre para pensar o contrário e até justificar tal posição nos termos respeitosos que sempre nortearam minha pontuações. Ocasionalmente, tenho sido mais incisivo quando vejo tal debate aqui e acolá. Me arrogo o direito de discordar. Não abro mão dele, nem com um trem carregado de chumbo. Agora mesmo o assunto recrudesceu quando o Facebook de alguns pastores passou a alardear o pastorado feminino como o mal do século. Paciência! Haja miopia! Tantos e tantos problemas nas igrejas e justo isso é a causa? Não vou nesse vagão…

Mas vamos lá? Vou com ele em azul e eu em vermelho.

Sim, comemos nas mãos suecas, americanas, filandesas, inglesas. E daí? O material que tínhamos disponíveis era este, hoje podemos contar com materiais hispânicos, koreanos, europeus de forma abrangente. E daí? Simplesmente a preferência americana foi porque a CPAD, formada no Rio, teve forte influência americana. Seus missionários se concentraram mais lá. E daí?

Estava evidenciando um paradoxo. Recebemos avidamente o ensino americano, mas quando este feriu nossa cosmovisão, nosso brio, recusamos tais ensinamentos? Stanley Horton, por exemplo, subscreve o documento oficial da Assembly of God, dando pleno aval ao pastorado feminino. Vamos deixar de editá-lo?Nem questionei a qualidade das fontes americanas. Não é sobre isso que falamos, mas sobre a seletividade oportunista dos nossos líderes.

E daí? Daí que só nos interessou nos americanos o que nos foi conveniente. Exemplo, somente para divagar e ampliar a discussão: a eleição de pastores nas igrejas Assembleias de Deus de matriz americana. Na América Latina, via de regra, aonde a AD americana implantou igrejas existe eleição pastoral! Por que, na Bíblia, não poderíamos ter tal opção? Ah! Porque A ou B desejam se eternizar no poder!? Também não dá.

O fato delas serem palestrantes, não lhes dá as credenciais bíblicas para a consagração pastoral, ainda que o façam. Maria, mãe de Jesus, tinha credenciais melhores e maiores, foi digna de elogios angelicais, reverenciada e respeitada pelo próprio Mestre. Não entendo o porque de Jesus não consagrá-la pastora, apóstola, presbítera!? Deveria pelo menos deixar uma deixa para os discípulos e a separar para diaconisa, assim como Marta, Maria, Cloé. Sinceramente não entendo, porque Jesus não deixou uma lista de indicação.

Vamos por partes. Há duas questões levantadas no post: 1) Por que pastores abertamente contrários à ordenação feminina participam de eventos nos quais há preletoras? Pelo bem da coerência deveriam abrir mão de tal participação, uma vez que o argumento paulino do silêncio é o principal utilizado. Se Paulo diz que a mulher esteja calada na Igreja, por que deixá-la com a preleção? Pior, por que endossar a concessão pregando ao lado delas ou ouvindo-as? 2) Por que denominá-las, outrora ao menos, conferencistas ou palestrantes, enquanto homens são preletores? Se ambos farão a mesma coisa: pregar e ensinar, por que dividir as qualificações?

Vou devolver suas perguntas com outras: Quantos homens Jesus consagrou a diácono, presbítero ou pastor? Onde está a lista de indicação de homens que o Mestre deixou para tais cargos? Por outro lado, mesmo sendo Paulo tão rigoroso com os costumes judaicos e influenciado por tal cosmovisão por que se dobrou ao vento do Espírito (palavras da Assembly of God, para apoiar o pastorado feminino: quem somos nós para impedir o Espírito Santo?) e pôs Febe como diaconisa, além das demais mulheres do capítulo 16 de Romanos? Temos, então, que tais cargos surgiram da necessidade da Igreja.

O que dizer do ósculo? Gosto sempre de utilizar tal argumento, não que queira beijar os irmãos por aí, muito menos as irmãs. A questão é que tal procedimento é típico da cultura judaica!? Assim como é típico de tal cultura o desprezo pela mulher. Um rabino dizia em prece, pela manhã: Te agradeço, ó Deus, porque não me fizeste gentio, escravo ou mulher. Um rabino jamais ensinaria uma mulher a Lei, era tido como algo desprezível e humilhante. E aí? Vamos cumprir a doutrina do ósculo ou não? Dizemos, americanamente, que uma doutrina é ensinamento contido em mais de uma passagem bíblica, o ósculo tem cinco! Paulo encoraja vivamente a prática!

Uma pena que não estarei lá, pediria para tirar um bocado de foto, eu anotando os estudos, me alegrando se a mensagem tiver unção, e repassando para meus liderados o que aprendesse com elas, e ainda assim elas não seriam consagradas a pastoras. Sei que muita gente de outras tribos de Israel queriam ser levitas e vemos casos na Bíblia, por não haverem levitas ou não darem o devido valor bíblico a tais, em muitas cidades fizeram sacerdotes para si, mas Deus nunca aceitou. Por que só os levitas não seria Deus discriminador??? Nem o rei podia entrar no lugar Santo e no lugar Santíssimo, não seria Deus discriminador? Deus coloca o homem como o cabeça da casa e não a mulher, não seria Deus discriminador??? 

Eu gosto de ver esse pessoal argumentando, no meio vemos as verdadeiras razões ocultas sob o manto de eisegese e conveniência bíblica. Aliás, a Bíblia pode ser usada como uma carapuça, não é? Vamos ao que interessa. Primeiro, sua colocação sobre ouvir e aprender com as mulheres do evento, mesmo sob os holofotes não me surpreende. É exatamente esta contradição evidenciada tantas vezes aqui. Colocamos as mulheres nos seminários, damos espaço de liderança para grupos de 200, 300 pessoas, a depender do tamanho da igreja mulher lidera até 1.000 vozes em um coral, por exemplo. Enviamos como missionária. Mulheres de pastores mandam e desmandam no ministério, a ponto de influenciar indicações ministeriais. Depois, dizemos: Somos contra o ministério feminino.

Esse blog é contra a DISSIMULAÇÃO! Pela enésima vez: Ou as calamos e cumprimos EXATAMENTE o que está nos textos que utilizamos para justificar este posicionamento ou, então, é só conversa fiada!

Quanto aos levitas, lembra que Davi comeu o pão do sacrifício? Não era permitido… Se formos usar esse tipo de argumento… Uma coisa é uma questão de ordem: Deus usar uma só tribo, fazer um dos cônjuges cabeça do lar, etc, outra coisa é dar com uma mão e tirar com a outra. Do mesmo jeito que não concordamos com uma mulher que manda no marido usando o argumento bíblico, abrimos mão de certos trabalhos mais complicados, como as classes infantis da EBD e o Círculo de Oração, de forma conveniente e sorrateira. Depois que as mulheres almejam aqui e ali algum espaço, negamos o crachá.

Por oportuno: Um lar no qual o marido morreu é um lar sem cabeça?

Eu vi algumas pastoras na Argentina com seus esposos que eram marionetes nas suas mãos e os problemas familiares não demoraram a vir. Hoje o ministério Pastoral feminino na Argentina é motivo de piada.

Qual o nexo? Tais maridos já eram marionetes no lar! Por outro lado, não há problemas nos lares de pastores (do sexo masculino)? Há as pencas! O ministério pastoral feminino é motivo de piada em qualquer lugar do mundo. Porque da mulher se cobra muito mais. Ela tem que provar que vai dar tudo certo, tanto como pastor, quanto como mulher. A qualquer deslize os críticos se aproveitam, como se não houvessem problemas nas igrejas dirigidas por homens. Um grande escritor assembleiano disse que é comum que nas igrejas dirigidas por pastoras hajam heresias, sendo que 99% dos desvios doutrinários foram criados por homens! Ou seja, se uma mulher criar uma heresia é tida como o buraco negro do ministério. E todos esquecem os problemas causados por homens.

Quando o pastor é o Pastor da Igreja o Ministério feminino é só uma ferramente para perpetuar o poder da família. 90% se o índice não for maior de pastoras, são esposas de pastores que lideram igrejas por que será???? 

Espere aí? Perpetuar-se no poder? O que mais homens fizeram e fazem ao longo da história da Igreja é isso! Normalmente, o pastor assembleiano brasileiro passa para filhos, netos e parentes seu pastorado. É uma constatação generalizada. As esposas de pastores que se tornam pastoras o fazem com a anuência dos mesmos. Está clara a vantagem familiar. Típica, aliás. Aqui nem há gregos, nem troianos, todos morrem no mesmo mar! Jurando de pés juntos que confiam na vontade de Deus… Confiam com seu espaço delimitado e ampliado o máximo possível!?

Minha esposa foi missionária, dirigiu culto, deu estudos bíblicos, me ajudou na missão. É um braço direito aqui, mas não busca o pastorado. E, meu amigo, se disser a ela o senhor não gostaria de ouvi-la!!!

Incluí a menção à sua esposa por uma necessidade colateral. Primeiro, incutiram a impossibilidade nas mulheres em geral. Deixar dirigir culto? Poode! Dar estudo bíblico? Poode! Ajudar na missão (não cozinhar, nem cuidar das crianças, mas absorver parte do pastorado, que é a realidade)? Poode! Segundo, muitas mulheres ajudam bastante mas não querem o pastorado com medo da oposição que se fará à sua aspiração, então anulam tal anseio, dissimulando-o e negando veementemente. É aquela história do adolescente apaixonado que coloca defeito na moça, somente para desviar a atenção. Terceiro, há inúmeras mulheres de pastores que não querem ser pastoras, até por questões denominacionais, MAS mandam como se fossem. Mais dissimulação ainda. Não conheço sua esposa, nem sei se é do tipo e não me interessa, mas deixo um abraço dizendo que 50% do sucesso de seu ministério se deve a ela.

Em tempo: minha mulher não gosta nem de dirigir, nem de falar ao microfone. Até canta, daí em diante, não quer. Treme e dá um nó só de saber que vai ter oportunidade…

É… eu  tenho visto os milagres que tem feito os americanos, que hoje não são exemplo para ninguém. Até diria aos meus alunos fuja da teologia americana e de sua forma de ver e viver o evangelho. Besteira pode chamar de pregadora, preletora, conferencista, isso não vai mudar a condição de consagração pastoral. Meu Jesus não consagrou, não deixou nenhuma direção acerca disso. O Velho Testamento, que é sombra, não consagrou sacerdotisa. Jesus não separou Apóstola, nem Paulo, Pedro, Tiago e João o fizeram, prefiro olhar para eles, do que me alimentar com conversa, que não produz fruto nenhum.

Gracas a Deus continuamos a não consagrar, o que Jesus não consagrou nem tampouco os apóstolos, prefiro ficar com o que Jesus deixou e  na doutrina dos apóstolos. Salve 2014.

Começo pelo fim. Esse post não é exatamente alimento, é debate. Tem gente que não gosta, foge, prefere falar de anjos e auréolas. Eu não fujo. Quando é um assunto que não conheço, me informo. Agora mesmo estou comprando um livro sobre Frida, lançado pela CPAD, resenharei aqui, tem tudo a ver. Se o autor não escondeu nada… 

Quando ao título no panfleto é mais uma faceta da dissimulação. Como já afirmei, se fosse mulher era palestrante nos antigos cartazes de CAPED e assemelhados, se homem, preletor. Hoje, já nivelaram. E elas falando na condição de ensinadoras o que é uma aberração diante dos argumentos que usamos para não as consagrar.

Jesus não separou apóstola. De fato, o próprio título é tardio. Não se encontra nos evangelhos. Caiu a ficha? As funções que endeusamos (não retirar o peso espiritual delas, apenas evidenciando a supremacia na qual as envolvemos) não foram criadas por Jesus. Aonde tem pastor presidente no NT? Conferencista? Diretor de missões? Coordenador de evangelismo? Vice-presidente? Tesoureiro? Gestor? Superintendente? Dirigente de Círculo de Oração? Maestro? Dirigente de Mocidade? Donde concluímos que há tantas e tantas coisas que Jesus não fez, ordenou ou determinou para sua Igreja e nós damos tanto valor. Não é?

Ahhh antes que me crucifique, dizendo que mando as irmãs fazer crochê (o argumentinho mais besta), que as mulheres fiquem caladas, saiba que eu quero que elas falem muito, ensinem muito, preguem muito, palestrem muito, só não vão ser consagradas viu, assim como os de Judá (de onde veio Jesus), Efraim, José, Rubem… nunca serão sacerdotes, pois isso é exclusivo para Levi.

Esta questão do crochê surgiu no seguinte contexto: Não queremos consagrar pastoras, mas permitimos e até incentivamos que nossas irmãs façam seminários teológicos. Podem até ensinar neles, fazerem pós, mestrado e tudo o mais permitido aos homens. Participam ativamente das famosas aulas de administração eclesiástica, etc. Pra quê? Sei como é difícil falar de paradoxos para um pastor assembleiano, mas não é para quebrar com mais qualidade a regra que estabelece que deveriam estar caladas?

Continue querendo que elas falem e preguem muito. Foi sempre assim. Nós é que nunca queremos ver do que são capazes nossas irmãs. Pra não ficar no será, procure no YouTube as pregações de Helena Raquel, assista com espírito desarmado e o senhor chegará a conclusão que há bem poucos pregadores em nossas igrejas à altura dela. Essa é a verdadeira questão, mulheres muito mais capazes do que nós, para as quais não queremos dar um simples crachá!

Pedro, também, já pensou um dia que o Espírito Santo não seria dado aos gentios…

Abraços!

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