Estamos caminhando para a irrelevância pastoral?

No self service da fé o pastor é irrelevante? Como a realidade tende a tornar irrelevante o papel do pastor frente à Igreja? Vem comigo!

Torna-se cada vez mais comum o seguinte fenômeno. Um determinada pessoa quer ouvir uma boa pregação. Que faz? Acessa o Youtube e procura por um nome conhecido, que não é seu pastor e, muitas vezes, um completo desconhecido. Foi repassado por amigos ou apareceu na relevância da linha do tempo[1] de sua rede social. Escolhe seu tema predileto e consome aquele conteúdo[2]. Se tiver tempo e achar interessante escuta a próxima, e a próxima, e a próxima. Até que se torna fã ou não. Não há relacionamento direto, nem contato. Pouquíssimas vezes se deixa um comentário elogiando ou reprovando determinado ponto e partiu.

Esse comportamento está se repetindo cada vez mais para conselhos matrimoniais, orientações para decisões práticas do dia a dia, esclarecimentos sobre interpretações bíblicas e um sem número de situações. Multiplicam-se os teólogos de internet, os professores sem vínculos eclesiásticos e os especialistas conforme suas próprias convicções. Muitas vezes um diploma fajuto de teologia alcançado em seis meses. Um currículo que omite a vida pregressa e os deslizes morais e espirituais.

Pululam as lives, algumas sofríveis, outras de excelente qualidade e conteúdo. Multiplicam-se os grupos em redes sociais para compartilhamento de conteúdos bíblicos fora da supervisão pastoral. Muitos até tentam estar incluídos em ou outro grupo de WhatsApp, por exemplo, mas a maioria fica fora do radar.

Novos costumes se impuseram. Muitos de nós está nos aplicativos de namoro eletrônico. Irmãos procuram sua cara metade no Tinder. Jovens enviam DM no Instagram e Twitter. Revelamos gostos e preferências, criticamos posturas, pregações, hinos, movimentos. Tudo isso online e em tempo real.

Como fica o pastor dessas ovelhas, desafiado pela irrelevância? Há muitas teorias a respeito, mas nenhuma conclusão segura. São, de fato, tempos líquidos, como diria Zygmunt Bauman, em que as pessoas e as coisas mudam de humor rapidamente. A única certeza é que precisamos nos adaptar, ainda não sabemos muito bem a que! O que dizer, por exemplo, da ovelha que reclama da mensagem enviada à 23:50h no WhatsApp do grupo da Igreja e que o pastor não visualizou ainda?

Se já era complicado, a pandemia adensou a tendência e trouxe outros complicadores. Os confinamentos deixaram os fiéis em casa, à mercê da qualidade dos programas das igrejas, a maioria de boa vontade e fraco conteúdo. Já falamos disso aqui[3]. E ainda nem falamos da NÃO inclusão digital de muitos irmãos, especialmente os mais idosos e sem condições de contratar uma internet de boa qualidade. Ora se há muitas congregações sem uma boa internet, quanto mais irmãos!? A anemia bíblica que virá daí é incalculável!

Pra piorar tudo pensávamos que esse conjunto de coisas duraria 1 ou 2 meses, mas o problema já se arrasta há mais de um ano, sem previsão para seu fim. A cada dia os especialistas e os Governos, nos seus mais variados níveis, nos ameaçam com uma nova imposição.

Igrejas viram seu caixa minguar. Muitos pastores morreram deixando lacunas terríveis. Como as igrejas não tinham registros de boa qualidade de seus dados, membros sumiram e os pastores não se deram conta de onde estão. Conheço pessoas que não vão à uma Ceia desde março de 2020 e jamais foram procuradas!

Até a disciplina anda sendo exercida pelos próprios membros. Eles adulteram online, enviando um nude para uma irmã casada, por exemplo, e pedem perdão por si sós. Dizem que é entre eles e Deus, porque aquele pastor XYZ, do canal ABC, disse que as coisas são assim. É o self service da fé. Cada um se serve da parte que mais lhe interessa!

Não cremos que o pastor seja descartável, muito menos que tenha perdido importância porque a realidade mudou. Esse post não é um vaticínio, mas uma constatação. Que possa surgir uma boa reflexão a partir dele. Rogamos a Deus que tenha misericórdia de sua Igreja e de sua liderança!

Tempos de muita complexidade!

[1] As redes sociais disponibilizam conteúdos cujos termos chave estejam alinhados com nossas buscas.

[2] Chama-se consumir conteúdo a audiência em qualquer formato nas mídias eletrônicas

[3] http://www.daladierlima.com/mesmo-com-lives-ad-brasileira-fica-pra-tras-em-tecnologia/

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