Eu sei em quem tenho crido – Subsídio para a 7ª Lição da EBD – 16/07/2015

A lição do próximo domingo marca a metade do trimestre. Cremos que a aventura do aprendizado até agora foi edificante para todos os alunos. O assunto central deste subsídio é a fé.

O salvo duvida?

Ao contrário do que muitos pensam, há líderes e liderados em dúvida por toda parte. Não apenas as crises existenciais que fazem nossa estrutura tremer, quanto dúvidas pontuais quanto ao que Deus pode fazer em determinada área de sua Obra ou na própria vida da pessoa. Antes de continuar, quero evocar aqui a excelente canção do Danny Berrios, Señor de mi:

Qué fácil es hacerte – Que fácil é fazer-te
Señor de los cielos, – Senhor dos céus
las montañas y el profundo mar, – das montanhas e do profundo mar
de las criaturas – das criaturas
y de toda esta Tierra, – e de toda esta Terra
pero qué difícil es hacerte – Porém, que difícil é fazer-te
Señor de mí. – Senhor de mim

Señor de todos – Senhor de todos
mis días pasados, – Meus dias passados
Señor de los porvenir. – Senhor do porvir (futuro)
Señor, tú conoces – Senhor tu conheces
los deseos de mi corazón, – Os desejos de meu coração
y es que tú seas – E eis que tu és
Señor de mí. – Senhor de mim

Tú conoces mi vida, – Tu conheces minha vida
pues por ti fui creado, – Pois por ti fui criado
tú conoces mi debilidad, – Tu conheces minhas fraquezas (debilidades)
tú miras mi corazón – Tu olhas meu coração
y tú sabes mi anhelo, – E tu sabes meu anelo
y es que tú seas – E eis que tu és
Señor de mí. – Senhor de mim

Por que e no que devemos crer?

Crer, de forma empírica, que existe um Criador é até fácil, mas o crer em momentos de tensão e decisão implica um conhecimento aprofundado de Deus. Há um livro interessante do John Stott, cujo título é Crer também é pensarque traz uma profunda reflexão sobre a racionalidade da fé, num mundo cético e tangível.

Crer também é pensar

Crer também é pensar

O Paulo desta segunda carta a Timóteo é um homem experimentado, que perdeu tudo e a todos, para anunciar a Cristo. Tais perdas se traduziram em marcas profundas em sua alma, que alicerçaram sua fé e a tornaram imbatível. Não raro Paulo foi ameaçado pelos seus inimigos, que não eram meros discordantes da doutrina, mas opositores ferozes.

A certa altura de suas cartas Paulo fala oito vezes em perigo num só versículo (II Coríntios 11:26)! Em outra ocasião o apedrejaram e o deram como morto (Atos 14:19; II Coríntios 11:25-27). Em diversas ocasiões as ameaças foram reais, mas Paulo sobreviveu agarrado à sua fé. O mais incrível, porém, é que ao ler as cartas paulinas não o encontramos melancólico ou desiludido. O Paulo que sobressai de seus escritos é como se nos dissesse: Por Cristo, faria tudo outra vez! Diria mesmo que conta seus desafios como uma grande aventura!

O paradigma atual da fé

O paradigma moderno de fé é diametralmente oposto ao da Bíblia. Uma liderança abençoada hoje em dia passa bem, anda nos melhores carros, mora em excelentes casas, tem excelente salários. Mas, na Bíblia, o padrão da fé é o sofrimento. Todos os discípulos diretos de Jesus, exceto João, morreu de causas naturais. Todos sofreram violência.

Tiago, filho de Zebedeu, foi o primeiro a morrer. Foi decapitado à espada por ordem do rei Herodes Agripa I, em 44 da nossa era. André, irmão de Pedro, foi crucificado em Ática na Ásia Menor. Continuou admoestando seus algozes até exalar o seu último suspiro. Tiago, filho de Alfeu, foi lançado do pináculo do templo de Jerusalém e, a seguir, apedrejado até morrer. Mateus, ex-coletor de impostos, pregou por quinze anos na Palestina indo depois para Etiópia, onde foi morto à espada.Bartolomeu pregou na Arábia, estendendo sua pregação até a Índia. Alguns afirmam que ele foi amarrado a um saco e lançado ao mar, enquanto outros asseguram que ele foi esfolado. Simão, o cananeu, foi executado na Pérsia por ordem do imperador Trajano. Foi martirizado até expirar. Tomé, o que duvidou da aparição do Cristo ressurreto, veio a ser um dos maiores pregadores. Viajou muitíssimo, pregando nas regiões da Parta, Média, Pérsia chegando até a Índia. Foi morto atravessado por uma lança na cidade de Coromandel. Judas Tadeu, irmão de Tiago, morreu cravado de flechas. Filipe morreu na Ásia menor enforcado num pilar do templo em Hierápolis. Pedro morreu crucificado no ano 67 dC com idade de 75 anos. A tradição diz que ele pediu para ser crucificado de cabeça para abaixo porque se achou indigno de morrer como seu Mestre e Senhor. João, irmão de Tiago, foi exilado na ilha de Patmos por ordem do imperador Domiciano. Morreu aos cem anos de idade, sendo o único dos apóstolos que teve morte natural, como dissemos a pouco. Segundo a tradição foi lançado num tacho de azeite fervendo de onde saiu ileso[1].

Por outro lado, não há um só milagre de riqueza no ministério terreno de Jesus. Pelo contrário, o padrão é que quem tinha alguma coisa perdeu tudo. Muitos dos primeiros discípulos foram obrigados a deixar para trás todos seus bens e fugir por sua própria vida. Enquanto iam anunciando a poderosa mensagem do Evangelho.

O poder da oração pela liderança

Conta-nos o missionário Ronaldo Lidório que sua missão entre os komkombas, em Gana, na África, teve muitos desafios. Com a comunicação precária poucas vezes podia saber de notícias. Mas muito lhe alegrou que o registro das dificuldades e vitórias, coincida com sua Igreja orando. Ou seja, cada vez que vencia uma prova, sem que ele soubesse, a Igreja na qual congregava estava em oração.

Não é diferente com os demais. Devemos orar, entre outras coisas, para que:

  1. Deus dê sabedoria à liderança. Intricadas decisões e estratégias exigem liderança sábia;
  2. Deus guarde os líderes de todo mal. Satanás e seus ardis intentam contra a Igreja dia e noite (II Coríntios 2:10,11);
  3. Deus guarde os líderes do pecado. Um escândalo é a arma perfeita do Inimigo para deter a Igreja e prostrar os mais fracos;
  4. Deus lhes acrescente a fé. Ela será necessário ao propor desafios diante do povo. Quantas vezes um líder diz: “Marchem!” Mas seu coração está tremendo?
  5. Deus lhes dê discernimento. Vivemos num mundo de interesses os mais diversos, cuja dinâmica se reflete na Igreja. Ou o líder discerne as pessoas e situações (II Coríntios 2:15), ou fica perdido e desorientado.

Conclusão

Devemos estar alertas. Os grandes problemas humanos não estão na rua ou do lado de fora, mas dentro de cada um de nós. A batalha espiritual travada hoje é no coração e na mente. Se a dúvida se instalar e crescer em terreno fértil será muito difícil arrancar suas raízes. Não devemos descrer de Deus, da Igreja, enquanto entidade espiritual que caminha para o Céu, e da providência divina. Sua misericórdia é infinita. Ainda que não compreendamos o que Ele está fazendo.

Que a nossa oração seja a assertiva de Jó: Ainda que Ele me mate, nele confiarei (Jó 13:15)!

[1] http://www.sibpp.org.br/index.php/pastorais/194-como-morreram-os-discipulos-de-jesus-cristo.html

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