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A igreja que Deus usa

O 4º capítulo de Atos é a continuação da narrativa do 3º. A igreja está dando seus primeiros passos. A história central deste trecho do Novo Testamento gira em torno do ocorrido a um homem de mais de 40 anos (Atos 4:22). Era mendigo e pedia esmolas na porta mais movimentada do templo: a Porta Formosa. Esta porta, segundo os historiadores, era a que se deparava frente ao porto de Jafa, local de recepção de grande quantidade de peregrinos.

Os discípulos eram alvos da religião judaica e na mente do povo ainda estava bem viva a morte de Jesus e sua ressurreição. Como a intenção dos discípulos não era a fundação de novas religiões ou denominações iam ao templo, orar e participar dos rituais. Pedro, de fato, ainda estava apegado aos dogmas judaicos, como podemos ver nos futuros embates com Paulo.

Aquele dia seria como qualquer outro. Os judeus oravam a cada três horas no dia, pela manhã, tarde e ao anoitecer. No sábado, Ano Novo e dias festivos oravam quatro vezes e no Yom Kippur, ou dia do perdão, oravam cinco.

Conheça mais sobre as festas judaicas clicando aqui.

A hora nona era uma das mais concorridas. O homem lhes pede esmolas. Eles fitam seus olhos e lhe dizem: “Não temos prata, nem ouro, mas o que temos isso te damos: Em nome de Jesus, levanta-te!”. Imediatamente, conforme Atos 3:7, seus pés e artelhos se firmaram e ele começou a andar. Os discípulos aproveitaram a ocasião para falar de Cristo e nada menos que cinco mil almas aceitaram a Jesus (Atos 4:4). Tais acontecimentos desagradaram aos anciãos e sacerdotes, mas ninguém podia negar o milagre, nem impedir a pregação do Evangelho.

Pensando nesta passagem, propomos três características indispensáveis à igreja que quer ser usada por Deus em nossos dias:

Uma igreja disposta a assumir desafios

A igreja que irá impactar o mundo não é a que constrói mais templos, que mais aparece na mídia, que tem o maior número de membros ou simpatizantes. Mas aquela que está disposta a correr mais riscos. Os discípulos sabiam exatamente o que aconteceria se algo grande como a cura de um homem que mendigava há 40 anos fosse tentado, mas correram o risco. Não sabemos o que os impeliu a realizar aquele milagre em nome de Jesus, mas cremos no impulso do Espírito Santo, lembrando que o mestre havia prometido que tais sinais seguiriam os que cressem (Marcos 16:18). A verdade é que sob orientação divina e pela disposição dos discípulos um grande milagre aconteceu!

Porém, ocorrido o milagre, veio a reprimenda. Eles não se intimidaram quando interpelados pelos saduceus e pelos sacerdotes. Os primeiros detinham o poder político e econômico, os segundos, o domínio espiritual. E falaram de Cristo uma vez mais!

Precisamos pensar em como ganhar nosso bairro, nossa cidade, nosso Estado, nosso País. Sem esquecer que a única condição para isso é não duvidar do que Deus é capaz de fazer em nós e através de nós! Não é o dinheiro que temos, nossa boa estratégia, quantos componentes fazem parte de um órgão, quão boa é nossa literatura. É quanto dependemos de Deus que fará a diferença!

Aliás, ter dinheiro às vezes embota o sentido espiritual da Igreja. Por misericórdia de Deus, construímos um grande templo: 12 x 32. Com primeiro andar, departamentos, etc. Durante a fase de construção eu orava ensinando Deus a trabalhar: “Senhor, toque no coração de fulano. Ele pode ajudar. Fale com sicrano, ela tem condições.” Passava por carradas de material de construção, pensando: “Ah! Senhor, tu poderias tocar no coração de alguém para alcançarmos este objetivo.”

Uma das pessoas pelas quais orava tinha realmente boa condição, me conhecia desde muito jovem e morava no Exterior. Orava eu: “Ah! Senhor! Toca no coração e faz com que envie dez mil dólares pra cá!”. Será um grande impulso, pensava eu. Dias depois o telefone tocou: “Pastor? Cheguei ao Brasil, estou sabendo que estás construindo. Vou aí fazer uma visita e quero ver de perto.”. “Uau! Deus atendei a minha oração.” Pensei com o coração aos pulos. Esta pessoa veio, visitou, fez os maiores elogios e, ao que tudo indica, não deu oferta nenhuma!

O problema não era com aquela pessoa. Era comigo e Deus! Ela amava a obra do Senhor e continua investindo na Igreja, mas eu estava tentando ensinar Deus a trabalhar. Ele me mostrou de modo duro e exaustivo que uma moeda faz toda a diferença quando aprendemos a depender dEle! Corremos o risco e dois anos e nove meses depois o templo estava concluído! Se 15% de todo o dinheiro que investimos veio de fora da congregação foi muito.

Assembleia de Deus - Desterro - Abreu e Lima/PE

Assembleia de Deus – Desterro – Abreu e Lima/PE

Enfim, Deus não faz milagres na vida de quem não está disposto a correr riscos!

Uma igreja disposta a glorificar a Cristo

A coisa com que mais mal lidamos em nossos dias é com a glória. Como seres humanos somos ora tentados a querem privatizar a glória de Deus, ora lhe negarmos sua glória ou a ignorarmos completamente. Pedro e João poderiam buscar a projeção pessoal, dada a repercussão do ocorrido, mas canalizaram para Cristo todo o ocorrido.

Deus lida muito mal com quem não lhe dá a glória. Num caso tirou um reino da mão de Nabucodonozor (Daniel 4:30-31). Noutro permitiu que vermes comessem um rei vivo (Atos 12:23). Glorificar a Cristo significa não ter glória alguma, assim como o barro não tem glória diante do oleiro. Glorificar a Cristo significa anular desejos, mortificar a carne e crucificar paixões.

O missionário Ronaldo Lidório registra o seguinte: George Strauss, no fim do século XIX, zombava dizendo: “Ele não tinha poder. Seus amigos morreram sós, abandonados, traídos e em sofrimento. Morreram sem glória”. Straus, apesar de irônico e liberal, acertou em sua última afirmação: “Morreram sem glória”.

Esta é a realidade. Enquanto quisermos a glória de Deus, Ele nos deixará à mercê de nossas vontades. Quando o quisermos glorificar, Ele fará maravilhas!

Uma igreja em permanente missão

Os discípulos não se aquietavam diante dos resultados. Cinco mil almas talvez ensejassem em alguns de nós a sensação de missão cumprida. Não, os apóstolos continuavam pregando a Palavra e fazendo a obra do Senhor Jesus. A meta era Judeia, Samaria e os confins da Terra.

Por outro lado, tudo que uma Igreja verdadeira faz é missão. Esta era a consciência dos primeiros discípulos. Tanto que relegaram uma missão irrelevante a sete homens, cheios do Espírito, de sabedoria e de bom testemunho (Atos 6). Se a Igreja ensina, faz missão. Se ela canta, canta em missão. Se ela ora, ora em missão. De maneira que Missões significa cumprir o chamado e marchar para Canaã celestial. Assim como Israel marchou para a Canaã terrestre em obediência ao chamado de Deus!

A igreja que será usada por Deus olha para os que têm fome e sede de justiça, olha para os caídos na fé, para os religiosos, para os drogados, para aqueles que estão na prostituição, para os que precisam de Jesus. Em toda parte, em todo lugar, a qualquer momento.

A igreja está sempre em prontidão. Jamais será surpreendida pelo Noivo.

Assista este vídeo sobre administração eclesiástica.

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2 Comentários

  1. Roberto Rocha disse:

    Estou orando para ser esta igreja! Quero contemplar muitos milagres de Deus, no decorrer deste ano!

  2. Alexsandro Cabral disse:

    A paz do Senhor, muito boa sua colocação, as igrejas evangélicas precisam fazer mais ” nós precisamos”. Muitas igrejas, estão se acomodando entre suas paredes, e se isolando dos pecadores. Onde está a referência para os pecadores?
    Enclausuradas entre suas paredes, como uma igreja engessada e inerte. Pensamos e gastamos muito tempo em aniversários e festas, olhando muito para dentro, querendo as vezes ” ensinar a Deus”, assim como o nobre Pastor citou. E nos dedicamos mais em nós gloriarmos e não damos a devida glória a quem merece.
    E quando olhamos muito “pra dentro”, esquecemos do lado de fora. Os vizinhos dá igreja, se sentem bem com uma igreja ao lado de suas casas?
    A igreja se preocupa em visitar a casa dos pecadores da redondeza?
    A igreja sabe quais são os tipos de pessoas que tem ao seu redor?
    Vejo que estamos muito distante disso!
    Uma vez, em uma determinada congregação que fiz parte, foi feita uma reunião para arrecadar recursos para fazer festa para um determinado líder de área. Nada contra ao líder, mas também propus, em nos reunirmos e fazermos um grande sopão em frente a igreja e aproveitar para pregar a palavra de uma maneira diferente, mas como era esperado, nada aconteceu, não tivemos apoio. Mas a festa aconteceu e várias outras. Mas deixa pra lá.
    Parece que perdemos o foco, o alvo, parece que a igreja se acomodou e a responsabilidade agora é do pecador em buscar a igreja aos domingos. Sei que existe trabalhos específicos para evangelização mas ainda é pouco, precisa de mais.
    Que Deus nos ajude a limpar os nosso olhos que estão cobertos de remela, depois de um profundo sono!