EBD Grego/Hebraico Reflexões Daladier Lima

Jesus é Superior a Josué – O meio de entrar no Repouso de Deus

Jesus nos prometeu descanso? Como suas promessas não falharão? Por que a mensagem do filho de Deus se estabelece sobre as palavras de Josué? Vem comigo!

O assunto central da lição desse domingo é o descanso prometido ao povo de Deus. É hora de falarmos aos alunos sobre um conceito teológico interessantíssimo: o tipo. O que é um tipo? Um tipo é uma figura, um personagem, um evento ou uma ocasião que aludem a algo que se concretizará mais adiante. Geralmente, o tipo está no Velho Testamento e seu cumprimento, chamado de antítipo, está no Novo. O autor aos Hebreus, aliás, se preocupa em demonstrar diversos desses tipos. O tabernáculo é um tipo, o cordeiro é um tipo, as festas são tipos e por aí vai. Sugiro que o professor pesquise um pouco mais sobre o assunto e traga essas informações para seus alunos.

A palavra grega para promessa é epangelía. A junção de duas outras palavras: epi + aggelía, sobre + mensagem. Uma mensagem sobre algo. No mundo antigo epangelía se referia à lavratura de um termo legal de compromisso entre duas partes.

Lê-se, epangelía

Apesar da importância do tema da lição o descanso provido por Josué nunca foi completo, porque o povo não se preocupou em ocupar toda a Terra Prometida. Os filisteus no litoral, os edomitas e diversos outros povos fustigaram o povo de Deus, de maneira que somente no reinado de Salomão houve uma paz razoável. Estamos falando de 450 anos depois da entrada em Canaã, quando pelo menos a 1ª, 2ª e 3ª geração já haviam falecido. Para piorar as coisas a infidelidade, a incredulidade e a idolatria de Israel, atraíram o castigo de Deus sobre a nação escolhida, trazendo mais dor e sofrimento e comprometendo o descanso.

Os objetivos da lição

A lição tem três objetivos:
1) Mostrar que a mensagem de Jesus é superior a de Josué

Entenda-se mensagem como promessa. Ainda que a intenção de Josué tenha sido das melhores, ele foi incapaz de persuadir o povo de Israel a conquistar a Terra Prometida.

2) Mencionar a provisão de um descanso superior ao de Josué;

Ainda que Israel tivesse conquistado toda a Terra da promessa, ainda haveria morte, dor e pecado. O descanso prometido por Cristo traz salvação, aliança superior e, por fim, a vida eterna.

3) Apontar a superioridade da orientação de Jesus em relação à de Josué.

É um objetivo que de alguma maneira repete os conceitos do primeiro.

Breve biografia de Josué

É muito importante iniciar a explanação desta lição, destacando os fatos que se seguem à morte de Moisés. O professor atento deve perguntar aos alunos quantos não vieram no domingo anterior e não tiveram contato com as circunstâncias discutidas anteriormente.

Relembremos que Moisés falece no monte Nebo e é sepultado pelo Senhor. Josué era um líder servidor que estivera à porta de sua tenda (Êxodo 33:11). Tinha excelente experiência de guerra, desde Êxodo 17 o vemos lutando para conquistar Canaã e surgiu como liderança natural do processo de sucessão. O povo precisava entrar em Canaã e deveria ter um líder valente e conquistador. Josué tinha exatamente este perfil.

Josué fora enviado com Calebe e outras dez pessoas a espiar a Terra Prometida (Números 13:16,17). E ambos foram os únicos que deram um relatório otimista da viagem. Apesar de enfatizar as dificuldades, com gigantes e soldados valorosos dos reinos outro lado do Jordão, destacaram que o povo podia conquistar a terra que mana leite e mel. Em Números 14:30 o Senhor fez jurar que nenhum dos demais entraria naquela terra, porquanto foram infiéis e incrédulos.

Como já dito na introdução, não obstante Josué fosse um excelente líder, seu ministério junto aos israelitas tinha caráter transitório. Claro que há profundas implicações nos fatos para nós e são figuras da caminhada da Igreja até a Canaã celestial, provimento perene de Cristo para os seus.

A mensagem da fé

Lê-se, pístis

A mais elevada mensagem do capítulo 4 para nós é que devemos receber a mensagem por fé. Embora Israel houvesse testemunhado inúmeros milagres era um povo obstinado e incrédulo. Essa incredulidade impediu a ação de Deus no meio deles. Com grande frequência relembravam as panelas de carne do Egito, onde segundo os murmuradores, viviam melhor que no deserto. Há um ditado que diz: Israel saiu do Egito, mas o Egito não saiu de Israel. Ou seja, apesar do livramento físico, permaneciam espiritualmente cativos. Não são poucos hoje em dia que vagam em nossas igrejas com saudades do mundo. E muitos com vergonha de voltarem para lá, importam as coisas do mundo para dentro da Igreja.

O segundo subponto aborda a questão da obediência, subproduto da fé. Quando cremos nos entregamos nas mãos de Deus e obedecemos à sua vontade. Não é uma equação difícil de compreender. Já a prática é outra coisa bem diferente. O comentarista resgata novamente a urgência da perseverança. Israel saiu do Egito coberto de promessas, mas somente três pessoas chegaram ao destino. Os demais sucumbiram no deserto. Contando que os que ficaram pelo caminho tinham vinte anos para cima ao sair de Gósen, e que ainda viveriam muitos anos na velhice, percebemos que uma multidão não pode entrar na terra que mana leite e mel.

O descanso total

O segundo ponto da lição vai abordar diretamente o conceito de descanso. É impossível falar de descanso sem que relembremos a importância do shabbat, o sábado judaico. O sétimo dia havia sido reivindicado por Deus como uma dia adoração ao seu nome (Êxodo 20). Era o quarto mandamento. Neste dia ninguém deveria trabalhar, sob pena de morte. Aprendemos que não devemos mais ter dias fixos de descanso como aquele, porque nosso descanso está em Cristo, o cumpridor da Lei. Devemos, portanto, adorá-lo em todo momento afinal agora temos um tabernáculo em nós mesmos (João 14:23).

Mas permanece o enigma do descanso. De fato, Deus o proveu para nós. Compreendemos que isto aconteceu de várias formas:

  1. No ato da salvação. Mateus 11:28 retrata o cansaço da humanidade: “Vinde a mim todos que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei…”. Quando nos chegamos a Cristo encontramos descanso porque o fardo que carregávamos o deixamos na cruz;
  2. Temos descanso por não vivermos atormentados com a possibilidade de nos perdermos eternamente. Enquanto estivermos NEle, ele estará conosco e em nós
  3. Não temos mais medo da morte. Morrer é uma possibilidade, mas sabemos que se partirmos estaremos nos braços de Deus, de onde ninguém jamais é capaz de nos tirar;
  4. Temos descanso pela habitação de Cristo em nós. A comunhão nos desliga dos problemas, das aflições e nos dá ânimo para a jornada;
  5. Temos o descanso do seu Espírito Santo, que até mesmo ora conosco (Romanos 8:26) e nos transmite seus dons, a antesala do Céu;
  6. Por fim, temos a certeza do repouso destinado àqueles que o servirem nesta vida.

Josué tanto era incapaz de garantir a posse de Canaã ao povo de Israel, quanto fazê-los descansar da jornada, e muito menos levá-los ao descanso eterno. Assim Cristo sobrepuja o corajoso patriarca ao despojar o valente (Lucas 11:22), estabelecer sua paz em nosso coração (Efésios 2:17) e garantir a salvação eterna (João 10:28).

Jesus: a palavra viva e eficaz

O último ponto enfatiza o valor de Cristo como garantidor da promessa, através de sua Palavra. Nunca conseguiremos compreender o valor da Palavra sem nos voltarmos para seu peso no mundo oriental. Era um ambiente sem contratos, sem cartórios, estabelecido através de acordos feitos às portas das cidades, na presença dos anciãos em que se prezava por aquilo que se dizia. Com o passar do tempo surgem os documentos oficiais e no tempo de Jesus já existiam vários deles, como a carta de divórcio (Mateus 5:31, Marcos 10:4).

William Barclay conta-nos uma história para ilustra a importância da palavra para um oriental. Certa caravana passou por um grupo não muçulmano e os saudou tipicamente: Salam Aleikhu. Iam já longe quando caíram em si que tinham saudado um grupo de infiéis por engano. Voltaram e pediram a paz de volta! Era nesses termos que as coisas funcionavam e funcionam ainda hoje em muitos lugares.

Lógos

O outro lado da questão é que Jesus se apresentou como o logos de Deus. Era um conceito conhecido dos judeus, que atribuíam poder às palavras. Um ramo sincrético do Judaísmo, a cabala, acredita que mudando o nome de uma pessoa que esteja doente, colocando nele letras mais fortes, poderá recuperar sua saúde.

Lógos, por sua vez, é a palavra como a expressão de um pensamento. É a unidade primária da comunicação entre Deus e os homens, tornando possível tal interação. Mas também é o modo como Deus se obriga, através de suas promessas (Hebreus 6:18) e a maneira pela qual toda criatura veio à existência e subsiste (II Pedro 3:5). Em outras palavras, Jesus é o lógos (João 1:1) e todas as coisas subsistem por ele (Colossenses 1:17).

Portanto, todos esses conceitos convergem para Cristo. Sua mensagem está posta em suas Palavras. Ele revela a Deus quando fala. Esteve oculto até ser manifestado (expressado aos homens). E é a garantia de que as eternas promessas de Deus não falharão.

Conclusão

Assim como Josué assegurou ao povo de Israel a entrada na Terra Prometida por fé, mas não tinha condição alguma de tornar efetiva esta conquista, devemos crer que Deus e somente Ele é capaz de através de sua palavra, nos fazer descansar hoje e para todo o sempre. Suas promessas não falharão e ele nos guiará para perto de Si e de seu Filho.

Assista ao comentário da lição!

Sugestão
Pedir aos alunos para identificar os vários tipos contidos na história da jornada até Canaã e seus respectivos antítipos. Faça uma aula colaborativa.

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2 Comentários

  1. Marcos Santos disse:

    Parabéns Pastor, muito esclarecedor seus comentários!!!
    só senti falta de um pouco mais de referências bíblicas… mas gostei muito!!!

    fique na Paz do Senhor Jesus!!!

  2. Daladier Lima disse:

    Anotado!