Mesmo com lives AD brasileira fica pra trás em tecnologia

Mesmo com lives AD brasileira fica pra trás em tecnologia. Esta é uma conclusão triste para a maior denominação evangélica que temos. Leiam este artigo e vejam que não foi falta de aviso. Da própria CPAD!

Prezados 300 leitores, o amigo manauara Márcio Cruz me envia uma preciosidade. Sete páginas da Revista Obreiro Aprovado, da CPAD, falando de tecnologia. Antes que você se anime, as matérias não são do ano passado, mas de 2008, mais precisamente do 4º semestre daquele ano!

Vamos colocar as coisas em perspectiva. Em 2008, o Facebook tinha meros 100 milhões de usuários no mundo todo. Já era muita gente, hoje[06/2020] a rede tem nada menos que 127 milhões de usuários somente no Brasil! No mundo todo são 2,2 bilhões! De lá pra cá, somente o Facebook cresceu 22 vezes! Naquele longínquo ano sequer havia Instagram, que só foi criado em 2010!

Como o leitor mais atencioso poderá notar, os dois artigos trazem os pressupostos básicos para a inserção das igrejas no mundo virtual, além de dicas e padrões a serem seguidos. Infelizmente, bem pouco do que foi escrito foi colocado em prática. Hoje a AD é mais ou menos com a maioria dos usuários evangélicos. Estão conectados, mas o aproveitamento é mínimo e a produção de conteúdos irrisória.

Alguns fatores fazem com que tenhamos esse gap (distância entre o real e o ideal) tão grande, de forma generalizada. E boa parte deles estão nos próprios artigos da revista:

  1. Falta gestão institucional – Não há, em muitos lugares, uma preocupação com que a Igreja seja vista como instituição única em todas as congregações, fale uma só linguagem atenta aos padrões de comunicação. O pastor presidente quer englobar as ações no dia-a-dia e não dá conta nem da gestão, nem da informação. Ou então deixa a comunicação a cargo de pessoas de confiança, mas sem competência;
  2. Falta profissionalismo – Normalmente a área é entregue a alguém interessado, um filho, um parente (um dos autores fala disso na página 73, terceira coluna), e a Igreja acha que investir em redes sociais e outros conteúdos é perda de tempo. Essa percepção tem mudado em tempos de pandemia, mas não se anime. Bem poucas igrejas, por exemplo, impulsiona conteúdo pago e há grandes ministérios sem um mapa online de suas congregações. Não se sabe quando tem culto e em que horário funcionam;
  3. Falta investimento – Muitas igrejas não possuem sequer um servidor dedicado. A maioria esmagadora não possui um datashow, uma filmadora, uma boa conexão de internet e outros itens que viabilizam a boa transmissão de conteúdo. Em contrapartida, o mais curioso é a alta soma que se investe em rádio e TV, duas mídias em franca decadência, Procure saber quais pessoas são remuneradas nas igrejas para a produção exclusiva de conteúdo visual ou escrito ou quanto foi o investimento em criação profissional de home pages;
  4. Falta atratividade – Os sites são de mau gosto ou utilizam tecnologia ultrapassada, não retendo os visitantes. A utilização das redes sociais é amadora, os conteúdos são desatualizados. Na maioria dos casos se prioriza a publicação das iniciativas pessoais do pastor em detrimento das iniciativas institucionais da Igreja;
  5. Falta diversificação das mídias – Em tempos de pandemia as lives via Youtube se alastraram. Mas, e quem não vê lives? Quem prefere a leitura aos vídeos ou sequer tem tempo pra eles? E quem prefere os áudios? É indispensável a produção de vídeos, assim como o é a de textos, estudos, gráficos, podcasts, apresentações multimídia, etc;
  6. Falta interação – Como não há investimento, mensagens não são respondidas, pedidos não são encaminhados. Não há equipe de atendimento. E quando há não são treinados. O próprio pastor se encarrega aos trancos de divulgar o conteúdo da Igreja, quando isso deveria ser feito por uma equipe (a depender do tamanho da Igreja) que, por exemplo, colocasse as tags corretas numa publicação em redes sociais, fizesse a edição de fotos e textos e dinamizasse o SEO.

O leitor acesse a página da Assembleia de Deus americana e irá conferir a organização, a identidade visual, os conteúdos diversificados e voltados para todos os públicos com os quais a Igreja está em contato. Evidentemente, por aqui mesmo há ilhas de excelência. Ministérios e convenções que largaram na frente, outras que estão correndo atrás do prejuízo, mas são a exceção, não a regra.

2008…!? Foi dois anos depois do blog… Agora em junho completamos 14 anos de estrada. Há de se reconhecer um mérito adicional na publicação: os avisos vem de longe. Por aqui há farto eco do assunto. Quem perdeu o bonde, perdeu porque quis. Vamos embora que a jornada é muito longa e não há mais tempo de chorar por mais ninguém.

Leia também: Por que a Assembleia de Deus não se conecta? escrito há 4 anos!

Leia mais: Liderança em tempos de coronavírus

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