Estudos Reflexões Daladier Lima

O bode emissário e seu significado

Por Lázaro Benedito Alves*

No tempo do Antigo Testamento, todas as cerimônias realizadas eram alegorias das verdades enfatizadas no Novo Testamento, embora essas cerimônias fossem realizadas com toda a devoção e sinceridade na forma de sacrifício pelo pecado de alguém. Então, o bode emissário tem o seu significado. Vejamos o que significa a presença de dois bodes nessa cerimônia de Levítico 16.5-10.

A Bíblia diz que eram lançadas sortes sobre os dois bodes: uma sorte pelo Senhor e a outra pelo bode emissário (Lv. 16.8). Conforme a sorte, um dos bodes era oferecido ao Senhor em expiação pelos pecados, e o outro era solto no deserto.

Após o lançamento de sortes, o bode emissário recebia, pela mão do sacerdote, os pecados do povo e era afastado para longe, enquanto o outro bode era imolado, fazendo assim a expiação pelo povo.

Quanto ao bode que era solto no deserto, como a passagem no hebraico refere-se a “azazel”, alguns supõem que ele representa um espírito, um demônio ou o próprio Satanás. A tradição da kabala judaica diz que Israel era salvo das astúcias do Diabo quando este bode lhe era enviado. O bode levaria todas as iniquidades e transgressões do povo. Parte da erudição evangélica moderna tem favorecido essas interpretações, não obstante Levítico 17.7 parecer excluir a ideia de que o bode servia como um sacrifício ‘oferecido a azazel’.

O significado de “azazel” tem várias interpretações. Azazel vem das raízes hebraicas “ez” (bode) e “azai” (voltar-se, virar-se). Há quem diga que o termo vem do árabe “azala”, que significa “remover”, “banir”. A maioria dos rabinos entendia que “azazel” era o local aonde o bode era enviado no deserto. Como muitos judeus acreditavam que o deserto era a habitação de espíritos maus, alguns pensavam que azazel era um espírito mau. Porém, Levítico 17.7 não apoia essa conclusão. Além disso, uma coisa é clara: o termo “azazel” refere-se a um lugar e não ao bode. Ele ia “para Azazel”. Portanto, o bode emissário, carregan­do os pecados do povo, era levado “a Azazel”, ele não era “Azazel”.

Quando lemos Hebreus 9.11-14, vemos que toda cerimônia que se fazia no passado era uma sombra das coisas do futuro, que vemos cumpridas realmente em Cristo Jesus, nosso Salvador: “Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção. Porque, se o sangue de touros e bodes, e a cinza duma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?”

Para figurar a expiação dos pecados no passado, era apresentado o bode que era levado ao matadouro, mas na visão de Isaías 53.7 era um cordeiro, e na visão de João também era um cordeiro (João 1.29,36). Esse cordeiro simbolizava a perfeição e a pureza do sacrifício e santo que Cristo realizou na cruz, não por uma nação, mas por todos, sem distinção de raça, conforme o grande amor de Deus que está explícito em João 3.16.

O bode emissário era, portanto, um tipo de Cristo. Assim como o sumo sacerdote colocava a mão na cabeça do bode e dizia “ele tomou sobre si os pecados” (Levítico 16.21), Isaías 53.4 diz: “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido”. Esta é uma passagem das Sagradas Escrituras que nos mostra o significado do bode emissário de Levítico 16.5-10, mostrando que todos os sacrifícios apontavam para Cristo, visto que o bode tomava o pecado do povo e era enviado ao deserto, afastando cada vez mais as suas transgressões. Cristo tomou nos seus ombros a , com o peso de nossos pecados, e saiu fora da porta da cidade rumo ao Gólgota (Hebreus 13.11-12).

*Pr. Lázaro Benedito Alves

Pastor da Assembleia de Deus em São Paulo

Articulista e Vice-Presidente do Conselho de Doutrina CGADB

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