O metaverso e seus impactos na Igreja

De que modo esta não tão nova realidade do metaverso tem mudado o comportamento de membros e líderes na Igreja atual.

O metaverso está aí, embora sua maior parte seja por hora teórica. Dedicamos alguns minutos a analisar sua influência no mundo evangélico. De que forma irá nos impactar? Como irá influenciar nossos jovens? Como nossas rotinas serão impactadas num futuro próximo?

A influência direta do mundo virtual

Leiam essas variáveis:

  • Quanto tempo passamos na internet? Em 04/02/2021 uma pesquisa revelou que as pessoas passam, em média, 2,5 horas por dia nas redes sociais. Mas esse número é a média mundial;
  • E esse é só tempo em redes sociais. Nós também navegamos em sites de notícias, sites bancários, enviamos e-mails, preparamos apresentações, etc . Já existem pesquisas que apontam que o brasileiro passa cerca de 10 horas na internet, seja pesquisando, mantendo contato com amigos e familiares ou se atualizando sobre notícias e eventos, ou, ainda, estudando. São números impressionantes;
  • E eles cresceram exponencialmente durante a pandemia. Em confinamento, buscando informação sobre a COVID, em distanciamento ou home office, batemos todos os recordes de interação virtual;
  • Explodiram as compras on-line, desde pequenos objetos, medicamentos, móveis, carros e casas. É uma realidade que não sonhávamos há dez, vinte anos;
  • A quantidade de lives explodiu e há cada vez mais milionários, apenas explorando a curiosidade alheia produzindo todo tipo de conteúdo. Há uma busca frenética por likes, inscrições, interações. As publicações são as mais atraentes possíveis, há vídeos em profusão, os canais crescem seja qual for o assunto ofertado. Tudo isso está rendendo muito dinheiro em publicidade e vendas on-line;
  • As igrejas estão imersas cada vez mais, apesar da maioria ter chegado atrasada. Boa parte delas tem canais para transmitir seus cultos. Os ministérios tem seus grupos de comunicação no WhatsApp e Telegram.

O que é o metaverso?

Apresentado pelo multimilionário Mark Kuckerberg, o homem por trás de Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp, além de dezenas de outras empresas e tecnologias, no último dia 28/10/2021, consiste de uma série de iniciativas que visa imergir todos os usuários num ambiente virtual, no qual interagiremos através de avatares. Pode parecer uma realidade distante, mas já a vivenciamos. As gigantes da tecnologia já estão investindo grandes somas.
No dia 03/11/2021, por exemplo, mal o anúncio tinha sido feito por Zuckerberg, foi a vez da Microsoft anunciar que a tecnologia dos avatares 3D já estará disponível no Teams, a plataforma de reuniões virtuais da empresa. Rápido assim!

Assim já não é o caso de perguntar como seremos impactados? Mas, como já estamos sendo impactados? Passamos cada vez mais tempo conectados. Interagimos pessoalmente muito pouco. Há pessoas que passam dias sem ver alguém de fora de seu convívio, um vizinho, um amigo. Outros só interagem por redes sociais.
O dinheiro será cada vez mais digital. O próprio trabalho será transformado. A vida será um grande jogo de RPG!

Questões básicas para a Igreja

  1. Comunicação – Já temos problemas de interação entre os irmãos. E ele começa na família. Filhos que jogam até a madrugada e não conversam com seus pais. Casais problemáticos começam a minar a autoridade pastoral e sua capacidade de resolver os problemas conjugais;
  2. Tolhimento da liberdade de crença, opinião e expressão – As plataformas já cortaram lives em plena transmissão, bloquearam postagens, eliminaram canais evangélicos, classificaram pregações como discurso de ódio, homofobia, misoginia e outros, forneceram elementos para condenações e termos de ajustamento de conduta. Pouco a pouco passam a ditar o que deve ser dito e transmitido. Uma vez transpostos para o metaverso de forma irreversível teremos cada vez mais incidentes
  3. Aprendizado – O metaverso favorecerá o aprendizado, melhorando o que já temos hoje. Mas trará reflexos de grande impacto para a doutrina e os conteúdos. Os livros físicos terão sua predominância diminuída drasticamente, pois é impossível portá-los no ambiente virtual;
  4. EBD – Como resultado direto do aprendizado nesse ambiente imersivo teremos cada vez mais classes virtuais e menos presenciais. As lições físicas tenderão a seguir o caminho dos livros físicos;
  5. Discipulado – Teremos que rever nosso trabalho com os novos convertidos. Hoje eles são meio que abandonados, especialmente aqueles que plugados numa live de determinada igreja moram fisicamente distantes dela. Teremos que dispor conteúdo e os sites das igrejas terão que ter conteúdo de qualidade, bem organizado e acessível em multimeios;
  6. Doutrina – A doutrina sofrerá o impacto do cardápio abundante de ensinamento de qualidade por um lado e falsos ensinamentos por outro. Por um lado, grandes ensinadores que já partiram na frente e estão amparados em sua habilidade e conteúdo tenderão a atrair cada vez mais audiência. Já outros, que se demoraram a ter consciência de seu papel ou não estão habilitados terão cada vez menos ouvintes. Grande parte da audiência física vai aderir de vez ao conteúdo on-line;
  7. Pastorado – A autoridade pastoral será cada vez mais contestada. Num mundo virtual a despersonalização facilita o eco de vozes que jamais se dariam no mundo físico;
  8. Disciplina – Os pecados terão de ser tratados de forma diferente e totalmente nova para nós.

Teremos de criar meios de lidar com os transhumanos. Um misto de gente e máquina, não à moda dos filmes e games, mas pessoas reais cuja maior parte da vida se desenrola no ambiente virtual. Observe a problemática: hoje ainda estamos preocupados com os transgêneros!

Conclusão

Deixo uma palavra de reflexão aos que pensam que nem tão cedo essa realidade chegará para nós. A tecnologia não penetrou na nossa vida, ela invadiu. Dez anos atrás abrir uma conta de banco era uma rotina maçante e complicada. Hoje, após alguns cliques, já estamos com conta e cartão na mão.

Perceberam que os cheques sumiram? Quantas igrejas em 2019 faziam lives? Há cinco anos de quantos grupos de WhatsApp você participava? Há dez anos você tinha perfil no Instagram? Em que você gastava seu tempo de final de semana?

É evidente que não deixaremos de ser pessoas de carne e osso. São nossas interações que irão mudar. E isso irá impactar drasticamente nossas igrejas. Estejamos atentos.

Acompanhe aqui essa análise (um pouco mais expandida) pelo Youtube:

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