O “PEIXE-LAGARTO”, AS INTERPRETAÇÕES TENDENCIOSAS E A “PROVA INCONTESTÁVEL” DA EVOLUÇÃO

O “PEIXE-LAGARTO”, AS INTERPRETAÇÕES TENDENCIOSAS E A “PROVA INCONTESTÁVEL” DA EVOLUÇÃO
Por Ricardo B. Marques
O artigo apresenta a descoberta, na China, de um ictiossauro cujas características anatômicas seriam “prova incontestável” de que os répteis aquáticos teriam antepassados terrestres, o que “comprovaria” a Teoria da Evolução (TE). Vide o artigo em http://jconline.ne10.uol.com.br/…/peixe-lagarto-foi-da-terr…
Contudo, observe-se um hábito que tipifica a maioria dos evolucionistas, revelado na frase da reportagem: “Essas nadadeiras, aliadas a punhos flexíveis, PROVAVELMENTE [grifo meu] permitiam que eles se movimentassem em terra firme, rastejando de uma maneira semelhante à das focas”. Mais adiante, os autores da descoberta mencionam: “Agora temos essa prova INCONTESTÁVEL”. Penso que “provavelmente” e “incontestável” não combinam. Alguém discorda?
É curioso o fato de que quando evolucionistas revelam seus achados, começam falando em “talvez”, “possivelmente”, “provavelmente”, “acredita-se”… Ou seja, não há nada certo sobre aquilo, apenas especulação, um modo de interpretar o achado, a conclusão é só uma proposição, no campo das possibilidades, nada mais. Porém, em seguida, distorcem a abordagem e sorrateiramente apresentam a conclusão como “incontestável”, inquestionável, fato consumado, fazendo o público crer que aconteceu exatamente como eles interpretam e propõem – é isso que ocorre com essa reportagem.
A história da TE encontra-se repleta disso: acham um fóssil e aplicam sobre ele uma INTERPRETAÇÃO que sirva para fortalecer a teoria que defendem a priori, e apresentam a interpretação tendenciosa como “evidência” ou mesmo “prova” de sua teoria. Os poucos mais honestos e precisos que ousam considerar a chance de haver outras interpretações possíveis são imediatamente censurados – mas existem.
Poderíamos citar inúmeros casos na história da TE semelhantes ao dessa notícia do “ictiossauro anfíbio”, mas vamos nos ater a um exemplo clássico: o dos celacantos. O celacanto é um peixe outrora conhecido somente em sua forma fóssil, considerado extinto desde o Cretáceo Superior (entre 99 e 65 milhões de anos atrás). Ou seja, teria desaparecido mais ou menos junto com os dinossauros e muitas outras espécies.
Os celacantos tinham barbatanas peitorais e pélvicas cujas bases eram pedúnculos musculados bastante semelhantes aos membros dos vertebrados terrestres e que se aparentavam mover-se da mesma maneira. Que descoberta! Um peixe com nadadeiras semelhantes a patas, o que indica que aquele peixe se locomovia de modo semelhante aos vertebrados terrestres!
Pronto, bastou isso para os evolucionistas apresentarem aquele magnífico animal como um “fóssil de transição” entre os peixes e o novo grupo de vertebrados conhecidos como tetrápodes terrestres, ao qual pertencem todos os anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Ou seja, os celacantos teriam dado origem a alguns dos primeiros anfíbios, e destes teriam surgido todos os demais vertebrados terrestres.
Isso foi mantido como “verdade” nos livros, aulas e palestras de evolucionistas em todo o mundo, por muitos anos. Até que, em 1938, pescaram celacantos no litoral da África do Sul. Depois disso, foram encontrados vários celacantos vivos (o primeiro em 1998). E agora?
Primeiro problema: os “fósseis-vivos” são um desafio complicadíssimo à confiabilidade da datação da coluna geológica. Até então os celacantos eram usados como “fósseis-indicadores” (muitos outros fósseis ainda são usados assim), isto é, por se “saber” que eram de determinado período geológico, sempre que um fóssil de celacanto era encontrado numa camada de rocha, aquela rocha era automaticamente data como sendo daquele período. No entanto, agora se sabe que os celacantos existem até hoje, de modo que a datação de rochas feita com base em fósseis de celacanto não é mais confiável (contudo, nenhum livro, nenhuma disciplina de geologia ou de paleontologia nas universidades, e nenhum evolucionista jamais revisou tais datações – elas continuam como estavam antes). Pergunta-se: quantas datações mais da coluna geológica estariam seriamente equivocadas, por serem feitas com base em fósseis e sem que se tenha certeza de que aqueles fósseis realmente teriam a idade que se supunha?
Segundo problema: os celacantos vivos – hoje criados até em aquários – não se locomovem como imaginavam os evolucionistas. Suas nadadeiras, anatomicamente semelhantes a membros de vertebrados que se arrastam, não eram nem são usadas para esse fim. Tratava-se apenas de uma coincidência anatômica, nada mais. Não havia absolutamente nenhuma relação evolutiva entre os celacantos e os tetrápodes terrestres. Anteriormente considerados de maneira tão afirmativa como “formas transitórias” entre peixes e vertebrados terrestres – uma “prova” da evolução – , os celacantos eram simplesmente peixes, cujas nadadeiras semelhantes a “patas” eram apenas nadadeiras e usadas somente para nadar. E assim permanecem até os dias de hoje.
Portanto, um cientista cientificamente honesto e coerente não temerá dizer que a descoberta do “ictiossauro anfíbio” nada representa em termos de “evidência” de evolução. A TE continua uma teoria em crise, conforme dito pelo famoso bioquímico britânico-australiano Michael Denton, PhD, em seu livro “Evolução: uma teoria em crise”. Detalhe: Denton é evolucionista, e mesmo assim admite que a TE está em sérias dificuldades de se sustentar diante das reais descobertas científicas nas últimas décadas.
Uma de minhas palestras sobre a polêmica “Criação X Evolução tem por título: “Evolução – a interpretação que virou dogma”. Não resta dúvida de que a teoria evolutiva (TE) é criativa. Genial até. Darwin e seus sucessores merecem reconhecimento por terem desenvolvido um modelo interpretativo tão original e criativo daquilo que se observa na natureza. Contudo, digo que essa inteligente, instigante e elegante teoria é apenas isso: um modelo interpretativo. Nada mais. Assim como são modelos interpretativos o Criacionismo Científico (CC) e o Design Inteligente (TDI). A questão é que os criacionistas científicos e os adeptos da TDI admitem que suas teorias são interpretações, mas os evolucionistas não admitem isso. Evolucionistas – salvo notáveis exceções – insistem em que a TE é um fato, uma verdade comprovada, a única, suficiente e definitiva resposta da ciência para a diversidade da vida. Só que não é.
Praticamente todos os pressupostos da TE são falseáveis e não se sustentam quando submetidos a um verdadeiro e honesto escrutínio científico. E ainda bem que não sou eu quem diz isso, mas cientistas de renome e altamente respeitados – alguns deles evolucionistas, vale salientar. E eu, que fui evolucionista radical (mais ou menos na linha de Richard Dawkins) por tantos anos, não sabia de nada disso, pois, como a maioria dos meus colegas, fui mantido convenientemente “afastado” da percepção de que a inteligente TE seria, em realidade, uma genial falácia.
A única razão de a TE sustentar-se tão fortemente e por tanto tempo no meio acadêmico como suposta expressão única da verdade, em sua defesa da macroevolução (porque a microevolução é, sim, um fato), é porque seus principais defensores assumiram uma condição de “poder” dogmático e déspota. Eles adotaram a TE como uma ideologia, senão quase como uma fé, uma religião, e não como ciência propriamente dita; ao mesmo tempo, adotaram toda uma terminologia científica para validar sua ideologia como verdade absoluta. A relação entre evolucionistas e a TE assemelha-se muito àquilo que vemos acontecer entre certos tipos de pessoas religiosas acusadas de “fundamentalistas” e a cartilha de dogmas que seguem sem questionar. Instalaram-se na cúpula do poder acadêmico e formaram um “establishment”, uma espécie de “clero” distante e intocável, instalando seu paradigma e adotando táticas extremamente dogmáticas de controle ideológico, beirando uma nova Inquisição, a exemplo de:
– censuras (divergentes da TE são impedidos de ensinar, de palestrar, de publicar, de ter acesso a verbas, etc.);
– ameaças e medo (divergentes da TE são ameaçados de demissão, de cortes de verbas, de terem seus nomes atirados na sarjeta, são ridicularizados em público, atacados pessoalmente, etc.);
– controle da informação e propaganda desonesta (a ideologia evolucionista controla o mercado editorial, a mídia, os periódicos científicos, etc.), e assim por diante.
Com essas estratégias, que encontram paralelo em táticas da Inquisição Católica e de regimes déspotas como nazismo, fascismo, stalinismo e maoísmo, por exemplo, a turma da TE reduz ao mínimo a manifestação das divergências.
Para se ter uma ideia, em se falando de Brasil, alguns cientistas de renome – dentre eles PhDs respeitados em seus campos (inclusive grandes especialistas em áreas como proteômica, genética, biologia molecular, etc.), que integravam o comitê científico do I Congresso Brasileiro do Design Inteligente, tiveram que retirar seus nomes do comitê por terem sido gravemente ameaçados por colegas intolerantes, cujas ações envergonham a ciência, a ética e até os direitos humanos. Mas ainda bem que foram poucos os que foram obrigados a ceder para, compreensivelmente, preservar seus empregos, suas pesquisas e sua liberdade.
É assim que muitos evolucionistas agem. Não todos, felizmente; há muitos que conseguem separar as coisas e terem uma postura verdadeiramente ética, democrática e científica, admitindo que a TE é um modelo interpretativo dos fatos observados e que pode – e deve – conviver com abertura para ouvir e considerar outros modelos, independente de enxergarem nestes algum viés “religioso”, como alguns preconceituosos insistem em fazer.
Que o respeito mútuo, a educação, a ética e o diálogo aberto, científico e respeitoso encontrem seu espaço nesse contexto específico das hipóteses e teorias a respeito das nossas origens. Esse é meu anseio, essa é uma de minhas missões.

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