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O perigo da glamorização de Missões

Ontem, 07/01, o UOL publicou num de seus canais a história por trás da foto que ilustra este post. Mostra uma criança sudanesa subnutrida, prestes a morrer e então ser tragada pelo abutre. Tive acesso à foto de maneira inusitada na época. Uma irmã se aproximou e, exibindo tal foto num cartaz, solicitou uma oferta para Missões. Deu-se o seguinte diálogo:

– Irmão Daladier, contribua com missões para resolver este problema na África – disse ela.

– Como assim? Missões vai resolver este problema? – respondi.

– Sim – disse, resoluta.

– Olha, irmã, apesar de reconhecer e apoiar financeiramente o esforço missionário que fazemos, acho que esse problema não vai ser resolvido – Devolvi.

– O senhor não ama Missões! – Atacou ela.

– A questão é que Missões não resolve este problema sequer aqui no Brasil. Como vai resolver na África?

Ela bateu o pé e foi embora, irritada. Nem insistiu na oferta. Fiquei pensando com meus botões: qual o conceito de Missões daquela senhora?

Infelizmente, esse pensamento é um dos efeitos diretos do glamour que envolve o assunto. Missões é tarefa árdua, singular e urgente em qualquer tempo, época ou lugar. Muitas vezes totalmente diferente do que estamos acostumados a ouvir dizer. Há muita coisa para falar, mas eu vou parar por aqui, solicitando aos nobres irmãos que leiam e releiam se não entender, antes de comentar.

E como tudo hoje em dia é preciso passar recibo: oro, colaboro e contribuo com Missões. Em qualquer parte do mundo. A começar por Judeia e Samaria! Ok?

Vamos a um pouco mais da história da foto

Abutre espera morte de criança subnutrida

Imortalizada pelo fotojornalista sul-africano Kevin Carter, em 1993, a foto o transformou numa celebridade mundial, mas o preço da fama custaria sua vida meses mais tarde. Clicada na cidade de Ayod, no Sudão, a imagem gerou uma enorme quantidade de críticas ao fotografo, que foi acusado de não ajudar a criança e ainda se promover. A foto histórica foi publicada pela primeira vez em 16 de março de 1993, no jornal norte-americano The New York Times.

A captura da imagem durou aproximadamente 20 minutos, período que Carter esperou pacientemente o abutre se aproximar da criança. Após a ave chegar na posição ideal para a foto, ele eternizou o momento, que retratava com extrema realidade a situação que o país passava naquela época. Depois de registrar a fotografia, Carter espantou o abutre de perto da criança, mas não pode interferir em sua situação.

O que muitos não sabiam e ainda não sabem é que era determinantemente proibido que os jornalistas tocassem nas vítimas da miséria e da guerra civil que assolava o país. A medida extrema visava protege-las da possível transmissão de doenças. Inclusive, os repórteres só saíam a campo para realizar as matérias acompanhados de soldados armados, que também tinham como missão impedir que eles interagissem com as vítimas.

[1] http://www2.uol.com.br/guiadolitoral/materias/conheca_a_verdadeira_historia_por_tras_da_iconica_foto_do_abutre_e_a_crianca-3958-2016.shtml

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3 Comentários

  1. Roberto Rocha disse:

    O grande erro da irmã foi dizer que com a ajuda do irmão aquele problema seria resolvido, quando ela poderia dizer que seria amenizado! Missões é levar em primeiro lugar, boas novas de salvação e logo após isto, o cuidado com as necessidades básicas do ser humano. É como a história do beija flor, que tentava apagar o fogo da floresta levando água no seu pequeno bico e os outros animais o criticaram falando que ele não iria conseguir tal façanha,ele simplesmente respondeu que estava fazendo a sua parte !

  2. Ana Rejane disse:

    Chocada!

  3. Daladier Lima disse:

    Acho que o grande erro dela foi não olhar primeiro através de sua própria janela. Há anos se quer resolver o problema de missões do outro lado do mundo, quando há problemas tão grandes quanto ou maiores.

    Abração!