O que não é um Ministério Digital!?

O que não é ministério digital? Com o que não confundir para inibir ou mascarar a falta de atuação de determinada Igreja? O que se espera, minimamente, de uma estrutura dessa natureza na igreja local?

Prezados, vocês devem ter lido a primeira parte dessa discussão sobre a importância do que denominamos: Ministério Digital (link ao final pra quem não leu)! Bom frisar que ele serve a QUALQUER igreja. De fato, a realidade das redes sociais e outras mídias se impuseram e não há como voltar atrás, muito menos fingir que não existem ou não são importantes. Que ninguém pense que passada a pandemia as coisas voltam a funcionar como antes.

Aliás, essas transformações estão em curso há algum tempo, os leitores fieis do blog sabem o quanto já nos ocupamos delas. O que aconteceu na pandemia é que a pressão sobre as igrejas se agigantou e a tecnologia se tornou fundamental para compensar a indolência! O mais acontece como decorrência natural de vivermos na chamada sociedade da informação. Ou seja, é um processo irreversível e incontrolável!

Tenho, por exemplo, pais idosos. Minha mãe é septuagenária e meu pai octogenário. A maioria do consumo de mídia deles hoje vem pelo Youtube. Assistem vídeos de pregação, de cultos, hinos, de política, noticiário, etc. Por vezes um vídeo após o outro. É uma realidade totalmente diferente de dois ou cinco anos atrás.

Dos jovens já nem falamos mais. É difícil encontrar um deles que esta manhã já não tenha postado nada em seus perfis. Seja coisas irrelevantes, como um reels no Instagram mostrando uma roupa nova, seja um pensamento, um versículo ou algo do tipo. Na pior das hipóteses já contatou a esta altura do dia dois ou três amigos via Whatsapp. Ou seja, não apareceu para a maioria, mas já usou a tecnologia de alguma forma! Entende o fio?

O que não é Ministério Digital?

Alguns daqueles que comentaram na postagem anterior associaram um Ministério Digital à produção de lives limitando sua atuação. Ressalto que é um grande engano pensar assim. É como se apenas pregássemos a Palavra. Um igreja não é só isso. Ela prega, discipula, ensina, batiza, ora, disciplina, ceia, casa, abriga, assiste, interage tantas vezes quantas possíveis, enfim, de fato se insere na realidade de seus membros.

Um Ministério Digital também não significa uma nova igreja. O que enxergamos é um departamento focado em dar conta dessa nova demanda. Criando ou ampliando os mecanismos que integram a tecnologia ao dia a dia da Igreja, fazendo com que as transformações sociais sejam absorvidas de modo adequado.

Um Ministério Digital não é o departamento de informática. Há quem, erroneamente, associe um ministério digital à parafernália tecnológica que viabiliza o funcionamento administrativo de uma Igreja. De fato, tudo que usamos hoje tem alguma tecnologia, mas não significa que está à disposição do objetivo organizacional, são atividades auxiliares. Como já dissemos anteriormente, uma Igreja pode ter um nerd que fez a home page, mas nada entende de aconselhamento! Um Ministério Digital vai usar essa home page para o crescimento do reino!

Um Ministério Digital abrange funcionalidades bem distintas, mas integradas. Exemplifico, minimamente o que deveria fazer:

  1. Montar uma equipe multidisciplinar. É impossível realizar a contento tal tarefa com apenas uma pessoa. Não é todo mundo que é capaz de lidar com alguém com tendências suicidas ou com episódio de violência familiar, por exemplo. Por outro lado, uma só pessoa certamente não dará conta de criar conteúdo em texto, imagem e vídeo;
  2. Treinar essa equipe para que todos atuem de forma padronizada e deem respostas em sintonia com as diretrizes da liderança;
  3. Adquirir os equipamentos mínimos para seu funcionamento: notebooks, mesa de som, câmeras de qualidade razoável, conexão de internet, entre outros hardwares e softwares minimamente indispensáveis;
  4. Criar e manter uma home page da Igreja onde estará centralizado todo o conteúdo criado;
  5. Manter atualizadas as informações referentes a datas, horários e locais de culto da(s) igreja(s) de determinado ministério, providenciando georeferenciamento das congregações;
  6. Criar as contas nos mais diversos canais, se não existirem. Dispensável dizer que devem ser nomes fáceis de associar ao nome da Igreja;
  7. Criar conteúdo relevante e diversificado, nas mais diferentes mídias: texto, vídeo, podcast, etc;
  8. Criar os e-mails de acordo com um organograma pré-estabelecido, para os envolvidos em tal empreitada;
  9. Organizar um esquema tático para implementar as ações que farão parte de sua atuação, definindo papeis bem específicos para cada componente;
  10. Posicionar a liderança do andamento dos trabalhos, apresentando relatórios periódicos;
  11. Administrar o impulsionamento das postagens, se for o caso. Montar os melhores públicos, dias e horários;
  12. Reavaliar sua atuação periodicamente, para realizar suas atividades cada vez mais com qualidade e excelência.

Uma pálida ilustração

Para melhor ilustrar a tarefa hercúlea de um Ministério Digital, tomemos como base um culto de domingo. O que seria minimamente indispensável?

  1. Providenciar a filmagem do culto, com som e iluminação adequada;
  2. Alimentar o Youtube com a filmagem fulltime e depois já editada, com as chamadas para ofertório e divulgação da programação semanal;
  3. Criar um post na home page da Igreja detalhando o contexto e referenciar o vídeo no Youtube aplicando as palavras chave adequadas visando ampliar as visualizações e a relevância nas buscas. Lembrando que a home page é o lugar ideal para isso e não o perfil de alguém, afinal toda e qualquer pessoa pode acessá-lo, ao contrário de restringir o acesso aos amigos e seguidores de um perfil;
  4. Criar um checklist de avaliação da qualidade da transmissão. Se não foi bem feita aplicar um ciclo PDCA básico, tomando a precaução de acionar a infraestrutura necessária para as próximas edições;
  5. Unificar e manualizar os procedimentos para nomear os vídeos e produzir títulos/chamadas de postagens, de tal maneira que se encaixem nas regras de busca dos gestores de conteúdo (SEO, palavras chave, etc);
  6. Enviar o link da postagem para a liderança da Igreja e se certificar que o compartilhem. Se isto não estiver sendo feito, estimular para que ocorra;
  7. Administrar e monitorar os eventuais comentários na postagem no site, no Youtube e nas redes sociais, respondendo-os quando necessário de forma direta, objetiva e sábia, fugindo de polêmicas e comentários negativos;
  8. Acolher e-mails e outras formas de comunicação com a igreja, tais como mensagens diretas ou na linha do tempo;
  9. Responder, pronta e adequadamente, ou encaminhar à alçada adequada. Como satisfazer uma demanda sobre onde entregar alimentos para necessitados, por exemplo? Ou qual o endereço e as coordenadas geográficas de determinada igreja?
  10. Registrar em formulário próprio as decisões, para posterior acompanhamento e aconselhamento. Eventualmente, as filiais mais próximas devem ser acionadas para abrigar o novo convertido. É de suma importância que as formas de contato sejam diversificadas (telefone, e-mail, endereço físico, etc);
  11. Não desprezá-lo à margem do caminho se, fisicamente, a Igreja não pode abrigá-lo. Ou seja, se é de outra cidade, outro Estado ou País;
  12. Levantar as métricas do acesso ao conteúdo ao longo do tempo, criando estratégias para seu aumento;
  13. Avaliar eventuais diminuições de acesso e /ou o desinteresse por determinada publicação. O que foi feito errado?

Como podemos ver há muito por fazer.

Clique aqui para a primeira parte desse post.

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