O que o resultado da AGE prenuncia para a CGADB e a Assembleia de Deus?

O que significam os resultados da AGE para a Assembleia de Deus no Brasil? Quais as decisões efetivas que foram aprovadas na AGE? Por que elas o foram aprovadas? Quais os desdobramentos de tais decisões? Como fica a eleição?

Meus prezados quarenta leitores, no dia 25 de janeiro 3.150 ministros se reuniram para a 7ª Assembleia Geral Extraordinária da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, orgão máximo da denominação, em São Paulo, nas dependências do novo templo da AD daquele Estado. O baixo número de inscritos reflete entre outras coisas a indiferença da maioria dos ministros brasileiros, frente à necessidade de se deslocar para o sudeste do País ou outro Estado.

A AGE havia sido convocada para a mudança do Estatuto da entidade. O foco era alterar os artigos que permitem a eleição a cargos em chapas diversas. Ou seja, é permitido a todos se candidatar, sendo criada uma chapa. Mas a eleição se dá entre os mais votados de cada cargo, não importa qual seja a mesma. Assim, a chapa A pode eleger o presidente, a B o vice, a C o tesoureiro, a D o secretário e por aí vai. É um formato razoável que reflete a diversidade de nossas igrejas.

O que se propunha?

Que as chapas fossem únicas! Ou seja, a chapa vencedora elegeria todos os cargos, obrigando o ministro eleitor a votar fechado com ela. Era uma óbvia manobra para beneficiar o grupo dominante na Convenção. Já falamos aqui (procurem por CGADB na pesquisa do topo da página) como a entidade tem como programa único a manutenção das rédeas, contra todas as outras necessidades urgentes da Igreja. Esta é a premissa que norteou a proposta. Como disse o Pr. Jesiel Padilha: “A comissão de reforma tinha plena convicção de que aprovaria a chapa fechada”.

Porém…

Porém, aconteceu que o Pr. Samuel Câmara, eterno candidato opositor, anunciou que a reprovação à proposta teria a adesão de 1.300 ministros presentes. Diversos portais e blogs, inclusive este humilde escriba, tinham reverberado contra a proposta. A esperteza pareceu óbvia demais para muitos presentes. Tancredo Neves dizia que quando ela é muito grande vira bicho e engole o dono. Vendo que a água estava prestes a cair na fervura, os membros da Comissão Jurídica apresentaram uma proposta alternativa.

Loucuras da liderança assembleianaUma divagação, antes de prosseguir… Já falamos aqui sobre a judicialização da Igreja. Portanto, não é novidade que torço o nariz para tal necessidade. O que deveria acontecer é a direção ter sensibilidade para propor as mudanças mais justas possíveis e o plenário tomar as decisões dentro da vontade de Deus e do livre raciocínio que pauta os homens livres e salvos. Mas tantas e tão tresloucadas iniciativas já foram tomadas pelos amantes do poder assembleiano, que somente os ingênuos acreditam em decisões isentas e espirituais. Aí se precisa de juristas para dar ares de credibilidade às reuniões. Esta é uma das lástimas de nossa Igreja: ouvir e não confiar em quase nada que os líderes digam! Ou ouvir e ficar pensando nas implicações em proveito próprio que o líder está tramando!

As decisões tomadas

Ainda não foi disponibilizado um documento oficial, até esta manhã em que vos escrevo, para nós ministros, associados à CGADB. Comunicação não é o forte da entidade. Eles pressupõem que tais informações só interessam a quem foi à AGE… Em suma, pelas informações do blog dos Prs. Carlos Roberto e Jesiel Padilha, temos o seguinte:

  1. Fica mantida a chapa aberta;
  2. O voto passa a ser descentralizado;
  3. O voto será pela internet. Uma empresa será contratada para este fim;
  4. A comissão eleitoral divulgará as normas posteriormente.

Evidentemente, a melhor proposta foi mantida. Como eu não costumo soltar festim antecipado, vamos aguardar a implementação do que ficou acordado. Há, porém, algumas coisas sobre as quais queremos refletir com vocês.

O que significam os resultados da AGE para a Assembleia de Deus no Brasil?

Creio que a liderança acusou o golpe. Ou seja, entendeu o encolhimento de sua margem de manobra. Mensagens as mais diversas do Brasil todo dão conta que é exatamente isso que está acontecendo nas congregações. As pessoas se sentem mais livres para questionar e a Internet é um terreno fértil para isso. Se as críticas são pertinentes é outra história. Caiu por terra o mito do ungido, por exemplo. Aos trancos e barrancos está em curso uma mudança. Infelizmente, ela não vem da liderança mais elevada, mas dos líderes menores e irmãos em geral. Se vai prevalecer tal movimento congregacional em detrimento da predominância episcopal, só o tempo dirá. Um variável que está contribuindo é a alarmante retenção de dízimos e ofertas.

Quais as decisões efetivas que foram aprovadas na AGE?

Uma vez que o voto em chapa aberta já existia, não houve concessões neste sentido. A novidade fica por conta da descentralização do voto. Não me sentia representado na CGADB, que fazia suas votações em lugares distantes da minha participação. A bem da verdade, por esses e outros motivos, eu ainda não solicitei minha exclusão do rol de membros da entidade (o que é perfeitamente possível nas disposições legais vigentes! Eu não sou nem rábula, mas sei disso), para não constranger a Convenção da qual faço parte.

Agora poderemos votar via internet (o que dará dores de cabeça para pastores menos antenados) ou na própria Convenção. Por que não? Qual a lógica meridiana envolvida nisso? Em abril de 2013, lá se vão quase três anos, eu já dizia: É urgente, já passou da hora, dessas eleições serem feitas nas Convenções filiadas, num final de semana, por exemplo. O que acontece hoje é que quem pode ir à AGO vota e os demais são ministros de segunda categoria. Por conta do trabalho, da saúde, da extensão do deslocamento, os que não podem ir estão alijados das decisões. Das duas uma, ou se confia na seriedade das Convenções para realizar, com lisura, um processo desta natureza, ou desligamos aquelas nas quais não confiamos. O que não pode perdurar é esse alijamento!

Ou seja, não há serendipidade alguma na votação descentralizada! É algo que já deveria estar em vigor desde a criação da CGADB. Não precisa ser rábula, pós-rábula, jurista, operador do Direito para saber disso! Só basta ser lógico e humilde!

Aí sinalizam com a votação na internet para dar ares de modernidade. O Brasil faz votação eletrônica e não é um País moderno, os EUA fazem votações no papel e são uma nação moderna. Se eu não posso confiar numa Convenção filiada para contar os votos e encaminhá-los corretamente à CGADB é melhor desfiliar! Com o bônus de economizar na contratação de uma empresa para gerenciar o processo eletrônico. Mas, como confiança é outro item em falta no estoque assembleiano, que se contrate.

Por que as mudanças foram aprovadas?

Como está claro nas entrelinhas do post do Pr. Jesiel Padilha as mudanças não foram aprovadas senão a reboque de uma fragorosa derrota que se desenhava. Esse pessoal só trabalha assim. É impressionante como a Igreja vai parecendo cada vez mais com a política secular. Quem não lembra quando o movimento que pedia o impeachment de Dilma cresceu. Num instante, correram ela e os deputados a propor pautas ocasionais que iam de encontro às reivindicações. Amainadas as ruas, nada do que ela ou eles prometeram foi à frente. Então, não se enganem. Se nós que apoiamos tudo que foi votado arrefecermos nosso ânimo, engavetam as propostas e não as tornam realidade.

O espírito que a nortear a CGADB deveria ser outro. Inovador, conciliador, firme e forte quando preciso, coeso, priorizando a denominação e não as pessoas. Mas é justo o contrário que acontece! Um nobre pastor da diretoria da entidade postou em seu perfil: “Estamos em paz”! Como a dizer que a grande visão do líder maior proporcionou a mudança ou que as propostas haviam sido acolhidas com serenidade. Que nada! Estava todo mundo certo que a chapa fechada seria aprovada. Como veio a rebordosa, agora são protagonistas!? Conta outra!

Quais os desdobramentos de tais decisões?

Ainda não podemos avaliar ao certo onde essa onda pode chegar. Pode ser que pare por aí, pode ser que algumas das grandes propostas já feitas aqui e acolá comecem a ser analisadas. Em minha modéstia já fiz algumas delas… Não é nada inédito, só necessário.

Como fica a eleição?

Com a intervenção do Pr. Samuel Câmara tudo leva a crer que será candidato. Até então pensava que não. O Pr. José Wellington Júnior já pôs o bloco na rua. Sei não, foi levantada uma lebre. Vamos acompanhar a repercussão. O ideal, como já pontuei é que tivéssemos ao menos umas dez candidaturas. Com a utilização dos meios digitais o custo de uma campanha barateou exponencialmente. Que as candidaturas apareçam e as mudanças que precisamos sejam colocadas em pauta.

Conclusão

Foi dado um grande passo. Mas a estrada que deixamos de trilhar é muito longa. Somente com a certeza dos objetivos a serem alcançados teremos vigor para por esta grande denominação em marcha. Vamos ver no que vai dar. Ou a CGADB muda para atender as necessidades da denominação ou perde cada vez mais sua importância, funcionando como mero apêndice do interesse de seus líderes.

Blog do Pr. Jesiel Padilha

Blog do Pr. Carlos Roberto

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8 Comentários

  1. Foi aos trancos e barrancos, mas não tiveram outra alternativa, senão adotar o óbvio. A pressão das redes sociais teve grande papel nesse desfrcho. Como afirmado em sua postagem, não podemos esmorecer, achando que tudo se resolveu de uma vez. Temos de acompanhar os próximos passos.

  2. Misael Charamba disse:

    É caro companheiro, Deus estar trabalhando, parece que não, mas, Ele estar, isso é evidente. O meio de comunicação social estar se mostrando necessário para as mudanças que estão havendo e muitas outras virão, do jeito que estar não pode continuar. Oro a Deus, para que os lideres acordem, e deixem de tratar a igreja de Jesus Cristo como empresa familiar e clube de amigos, onde um grupo permanente se reversam no poder, simplesmente por divinizar o líder maior.

  3. Mario Sérgio disse:

    Até onde sei a AGE em Alagoas foi encerrada mais cedo justamente para evitar derrotas das propostas da cúpula da CGADB. Mas ainda estamos longe das transformações desejadas.

    Parabéns pelo post!

  4. Claudio disse:

    A tendência e acontecer o que acontece com as igrejas históricas batistas duas convenções ❕

  5. Carlos Antônio da silva disse:

    Eu creio que Deus vai mudar muita coisa, pois assim não pode ficar, é o Antropocentrismo em foco, em vez do teocentrismo. Ou como diz o fank , é só ostentação ministerial.

  6. Só posso dizer que Deus já tem seu candidato
    Só não sei dizer se e a vez de Saul ou de Davi
    Ta chegando Dia.

  7. Crystiano disse:

    Levanto a questão, me respondam se puderem.
    Não conheço a fundo os bastidores da Assembléia de Deus.
    Mas pergunto: Será que temos ainda a essência do primeiro amor? Quem somos afinal? Estamos buscando a plenitude do Espírito Santo, ou o pleno poder mundano.
    Para onde vamos se continuarmos neste caminho?
    Qual é o verdadeiro intuito da igreja primitiva? Acho que perdemos as páginas da Bíblia que nos ensinam a seguir a perfeita vontade de Deus.
    Está na hora de levantaremos e sacudirmos a poeira contaminada por debaixo do tapete.
    Oremos e marchemos conforme a plena e soberana vontade de Deus.

  8. Daladier Lima disse:

    Certamente, muita coisa se perdeu. A AD não é mais a mesma. Em aspectos visíveis e muito mais nos espirituais.

    Vamos caminhando, seguindo o alvo que é Cristo.

    Abração!