O que você sabe sobre o Período Interbíblico?

A história bíblica é um terreno pantanoso. Pouco sabemos, pouco pesquisamos, pouco conhecemos, até mesmo pouco interessa. Porém, foi nesse período que muitos e importantes fatos aconteceram, especialmente no que diz respeito ao chamado calendário da profecia. Uma série de eventos que estão previstos na Bíblia. Avance conosco nesta interessante história.

Antes de prosseguir, precisamos definir o que é período interbíblico. É a denominação dos cerca de 400 anos que separam as últimas profecias do Velho Testamento, dadas através do profeta Malaquias e os fatos do Novo Testamento. É também chamado de silêncio profético, embora a própria Palavra divirja deste pormenor (Lucas 2:26).

A seguir traremos alguns dos principais fatos, entre tantos outros que aconteceram no período interbíblico.

1) Avanço da língua grega

Alexandre Magno, comandante do exército junto a seu pai Filipe II, rei da Macedônia e da Grécia, endossou a campanha de expansão do império grego. Por volta do ano 336 a.C. Filipe II morre e Alexandre põe em prática seu plano de conquistar todo o Oriente. Ele tinha somente 20 anos. Mostrava-se desde sempre um habilidoso comandante e eloquente general. Tinha sido criado aos pés de Aristóteles. A ascensão do império grego cumpre as profecias de Daniel 8:1-8, 21.

Aos povos conquistados Alexandre incentivou:

– Que suas religiões e instituições políticas fossem respeitadas;
– Que houvesse casamentos entre vencidos e vencedores;
– Que aprendessem a língua e os costumes helênicos.

Os soldados falavam não o grego erudito, da academia, mas o grego comum, chamado de koinê. Esse grego comum viria a se tornar a língua na qual boa parte do Novo Testamento foi escrito e para a qual foi traduzido o Velho Testamento, como veremos adiante. Nos tempos do Novo Testamento e da expansão da Igreja Primitiva, o grego estava tão disseminado que os primeiros cristãos não tiveram nenhuma dificuldade de falar a diferentes povos.

Graças ao grego, em não mais que 50 anos após a morte e ressurreição de Jesus, a maior parte do mundo conhecido de então, ao menos em suas maiores cidades, já tinha entrado em contato com a Palavra de Deus.

O império grego dominou o mundo de 331 a 146 a.C.. Alexandre faleceu de uma febre aos 33 anos e foi enterrado em Alexandria.

2) A tradução do Velho Testamento para o grego

Como parte da influência grega o próprio Velho Testamento, que não tinha sido traduzido totalmente para nenhuma outra língua, foi traduzido para a língua helênica. Tanto os judeus prosélitos, convertidos entre a Dispersão, puderam lê-lo, como os novos conversos e interessados em geral, tiveram acesso a este rico material.

A tradução foi feita, segundo alguns historiadores, em Alexandria, no Egito, que era, na altura, a capital intelectual do mundo. Setenta escribas judeus traduziram cada parte do Velho Testamento. Por causa disso a versão grega do Velho Testamento é conhecida como LXX. Apesar das inúmeras controvérsias a respeito do assunto, fato é que em diversas citações do Velho no Novo Testamento, a tradução grega é utilizada.

Era, essa, provavelmente, a versão que lia o eunuco de Candace em Atos 8:27.

3) A ascensão do Império Romano

Como parte do cumprimento da profecia de Daniel 7:7, surgiu o maior império de todos os tempos: Roma. Governou o mundo de 146 a.C. a 476 d.C.. Foi um império cruel e devorador, impondo seu domínio a todos os povos conquistados. Como veremos adiante Jerusalém era um posto importante do império romano, pois ficava na passagem entre a Síria e o Egito. Um caldeirão de oportunidades e desafios.

O império trouxe o predomínio de um código civil, a extirpação dos ladrões que atormentavam as caravanas, a abertura de estradas e a construção de pontes. As duas últimas providências serviam aos deslocamentos de soldados para as guerras, mas foram úteis para a pregação do Evangelho. Pois permitiu aos primeiros cristãos deslocamentos os mais distantes.

Cabe aos romanos, porém, a morte de muitos cristãos, nas grandes perseguições da História. Suas arenas foram tisnadas pelo sangue dos mártires.

4) Revolta dos Macabeus

Com a morte de Alexandre Magno, seu império fora dividido em quatro partes, tendo seus principais generais à frente. Lisímaco tomou o norte: Capadócia, a Trácia, e no norte a Ásia Menor. Ptolomeu tomou o sul: Egito, Chipre e Palestina. Cassandro reivindicou a Macedônia, Tessália e Grécia. Selêuco tomou o este, inclusive Babilônia, Pérsia e a Síria. O Egito tinha por capital Alexandria e a Síria, Antioquia. Entre o Egito e a Síria, a Palestina tornou-se vítima das rivalidades entre os Ptolomeus e os Selêucidas, descendentes dos generais. Grandes acontecimentos tiveram lugar aí entre 323 e 198 a.C.

Os historiadores contam o seguinte:

Depois da morte de Alexandre, em 323 a.C., a Judeia, ficou sujeita, por algum tempo a Antígono, um dos generais de Alexandre que controlava parte da Ásia Menor. Logo a seguir, caiu sob o controle de outro general, Ptolomeu I (que havia então dominado o Egito), apelidado Soter, o Libertador, o qual capturou Jerusalém.

Após 120 anos sob o domínio dos Ptolomeus, Antíoco III (o Grande) da Síria conquistou a Síria e a Palestina (198 a.C.). Os governantes sírios eram chamados selêucidas porque seu reino, construído sobre os escombros do império de Alexandre, fora fundado por Seleuco I (Nicator).

Nos primeiros anos de domínio sírio, os selêucidas permitiram que o sumo sacerdote continuasse a governar os judeus de acordo com as suas leis, todavia, surgiram conflitos entre o partido helenista e os judeus ortodoxo. Antíoco IV (Epifânio) aliou-se ao partido helenista e indicou para o sacerdócio um homem que mudara seu nome de Josué para Jasom, esse por sua vez estimulava o culto a Hércules de Tiro. Jasom, todavia, foi substituído depois de dois anos por um rebelde chamado Menaém (cujo nome grego era Menelau). Quando os partidários de Jasom entraram em luta com os de Menelau, Antíoco IV marchou contra Jerusalém (170 a.C). Novamente os judeus são perseguidos, esses tiveram sua cidade queimada; suas casas saqueadas; seu templo profanado (uma porca foi oferecida sobre ao altar do holocausto para ofender ainda mais a consciência religiosa dos judeus); sua religião perseguida e muitos foram mortos ao fio da espada.

No meio desse caldo surge uma revolta encabeçada por um homem chamado Judas Macabeu:

Não demorou muito para que os judeus oprimidos encontrassem um líder para sua causa. Quando os emissários de Antíoco chegaram à vila de Modina, cerca de 24 quilômetros a oeste de Jerusalém, esperavam que o velho sacerdote, Matatias, desse bom exemplo perante o seu povo, oferecendo um sacrifício pagão. Ele, porém, além de recusar-se a fazê-lo, matou um judeu apóstata junto ao altar e um oficial sírio que presidia a cerimônia. Matatias fugiu para a região montanhosa da Judéia e, com a ajuda de seus filhos, empreendeu uma luta de guerrilhas contra os sírios. Embora o velho sacerdote não tenha vivido para ver seu povo liberto das mãos da síria, deixou a seus filhos o término da tarefa. Judas, apelidado “o Macabeu”, assumiu a liderança depois da morte de seu pai (Matatias). Por volta de 164 a.C. Judas havia reconquistado Jerusalém, purificado o templo e reinstituído os sacrifícios diários. Após a morte de Antíoco na Pérsia. as lutas contra os reis selêucidas continuaram por quase vinte anos.

Aristóbulo I foi o primeiro dos governantes Macabeus a assumir o título de “Rei dos Judeus”. Depois de um breve reinado, foi substituído pelo tirânico Alexandre Janeu, que, por sua vez, deixou o reino para sua mãe, Alexandra. O reinado de Alexandra foi relativamente pacífico. Com a sua morte, um filho mais novo, Aristóbulo II, desapossou seu irmão mais velho. A essa altura, Antípater, o idumeu (que por vinte anos governou Judéia) assumiu o partido de Hircano (etnarca da Judéia), através de um golpe político.

Conseqüentemente, Roma entrou em cena e Pompeu marchou sobre a Judéia com as suas legiões, buscando um acerto entre as partes e o melhor interesse de Roma. Aristóbulo II tentou defender Jerusalém do ataque de Pompeu, mas os romanos tomaram a cidade e penetraram até o Santo dos Santos. Pompeu, todavia, não tocou nos tesouros do templo. O império Romano já vinha em ascensão por algum tempo. Eles dominaram o Egito, Síria e todo oriente, logo após a Grécia ter sido subjugada. Cada país tinha seu representante de Roma (governador, procônsul ou juiz) e publicanos, que arrecadavam impostos.

Herodes, filho de Antipater, fora nomeado ainda adolescente governador da Galiléia. Seu governo é marcado por crueldade, desrespeito a Lei judaica, matança aos judeus e idolatria. Nas Escrituras, Herodes é conhecido como o rei que ordenou a morte dos meninos em Belém por temer o Rival que nascera para ser Rei dos Judeus. Já às vésperas de Herodes morrer, a Judéia é visitada por três personagens vindos do Oriente para adorar um menino que havia nascido rei dos judeus.

A Roma não interessava interferir diretamente no governo de Jerusalém, senão a arrecadação de impostos. Se os governantes de turno pudessem receber a parte que cabia ao Império já estava de bom tamanho. Por isso, permitiam que pequenos reinados pudessem conviver pacificamente com o Império. É nesse contexto que Jesus nasce e o Novo Testamento se desenrola. Quando ele nasceu o império macabeu havia sido destruído junto como sonho judeu de uma emancipação.

5) Surgimento dos partidos/grupos políticos e outros entre os judeus

Transcrevemos aqui o conteúdo do blog aquieuaprendi.blogspot.com.br, com algumas adaptações:

Os Fariseus
Os fariseus eram os descendentes espirituais dos judeus piedosos que haviam lutado contra os helenistas no tempo dos Macabeus. O nome fariseu, “separatista”, foi provavelmente dado a eles por seus inimigos, para indicar que eram não-conformistas. Pode, todavia, ter sido usado com escárnio porque sua severidade os separava de seus compatriotas judeus, tanto quanto de seus vizinhos pagãos. A lealdade à verdade às vezes produz orgulho e ate mesmo hipocrisia, e foram essas perversões do antigo ideal farisaico que Jesus denunciou. Paulo se considerava um membro deste grupo ortodoxo do judaísmo de sua época. (Fp 3:5).
Os Saduceus
O partido dos saduceus, provavelmente denominado assim por causa de Sadoc (Zadoque), o sumo sacerdote escolhido por Salomão (I Rs 2:35), negava autoridade à tradição e olhava com suspeita para qualquer revelação posterior à Lei de Moisés. Eles negavam a doutrina da ressurreição e não criam na existência de anjos ou espíritos (Atos 23:3). Eram, em sua maioria, gente de posses e posição, e cooperavam de bom grado com os helenistas da época. Ao tempo do N.T. controlavam o sacerdócio e o ritual do templo. A sinagoga, por outro lado, era a cidadela dos fariseus. Os Saduceus compreendem a designação da segunda escola filosófica dos judeus, ao lado dos fariseus.
Os Essênios
O essenismo foi uma reação ascética ao externalismo dos fariseus e ao mundanismo dos saduceus. Os essênios se retiravam da sociedade e viviam em ascetismo e celibato. Davam atenção à leitura e estudo das Escrituras, à oração e às lavagens cerimoniais. Suas posses eram comuns e eram conhecidos por sua laboriosidade e piedade. Tanto a guerra quanto a escravidão era contrárias a seus princípios.
O mosteiro em Qumran, próximo às cavernas em que os Manuscrito do Mar Morto foram encontrados, é considerado por muitos estudiosos como um centro essênio de estudo no deserto da Judeia. Os rolos indicam que os membros da comunidade haviam abandonado as influências corruptas das cidades judaicas para prepararem, no deserto, “o caminho do Senhor”. Tinham fé no Messias que viria e consideravam-se o verdadeiro Israel para quem Ele viria.
No tempo de Jesus os essênios já haviam sido trucidados pelo Império Romano.

Os Escribas

Os escribas não eram, estritamente falando, uma seita, mas sim, membros de uma profissão. Eram, em primeiro lugar, copistas da Lei. Vieram a ser considerados autoridades quanto às Escrituras, e por isso exerciam uma função de ensino. Sua linha de pensamento era semelhante à dos fariseus, com os quais aparecem frequentemente associados no N.T.

O escriba ou escrivão era a pessoa na Antiguidade que dominava a escrita e a usava para, a mando do regente, redigir as normas do povo daquela região ou de uma determinada religião.

Os Herodianos
Os herodianos criam que os melhores interesses do judaísmo estavam na cooperação com os romanos. Seu nome foi tirado de Herodes, o Grande, que procurou romanizar a Palestina em sua época. Os herodianos eram mais um partido político que uma seita religiosa.
A opressão política romana, simbolizada por Herodes, e as reações religiosas expressas nas reações sectárias dentro do judaísmo pré-cristão forneceram o referencial histórico no qual Jesus veio ao mundo. Frustrações e conflitos prepararam Israel para o advento do Messias de Deus, que veio na “plenitude do tempo” (Gl 4.4).
Os Samaritanos
Samaritanos eram uma miscigenação de judeus e gentios. Atribui-se a origem dos samaritanos a ocasião quando Sargom tomou Samaria para o cativeiro e tentou desnacionalizá-los misturando-os com os babilônios (II Reis 17:24). Talvez esse tenha sido um dos motivos pelos quais os outros judeus abominavam os samaritanos, considerando-os a escória da sociedade. Além disso, os samaritanos eram acusados pelos judeus de serem oportunistas, procurando ficar do lado dos judeus apenas quando estes estavam em ascensão.Este grupo era frequentemente ridicularizado e desprezado pelo restante dos judeus. Joachim Jeremias [18], ao citar a obra de Levi VII 2, afirma que “a partir de hoje Siquém será chamada a cidade dos idiotas, porque nós zombamos deles como se zomba de um louco”.

Os Zelotes
Zelotes: eram um grupo político do século I que buscava promover uma rebelião contra o Império Romano, com o intuito de libertar Israel pela força e que termina por promover a Primeira Guerra Judaico-Romana (66-70).Os zelotes são um grupo que se destaca como sendo o mais radical dentro do judaísmo. Foram os principais responsáveis por produzirem os levantes contra Roma, provocando a Guerra judia (66-70 d.C.), culminando na destruição de Jerusalém e do Templo. Os zelotes tornaram-se sinônimos de ‘fervorosos’, e foram os que uniram o fervor religioso com o compromisso social, assim como os sicários.

Os Publicanos 
Eram os coletores de impostos nas províncias do Império Romano. De acordo com Buckland, haviam dois tipos de Publicanos: os Publicanos Gerais e os Publicanos Delegados. Os Publicanos Gerais respondiam ao imperador romano e eram responsáveis pelos impostos. Os Publicanos Delegados eram aqueles que eram comissionados pelos Gerais para coletar os impostos nas províncias. Estes eram considerados como “ladrões e gatunos”. Muito embora fossem odiados pelos seus compatriotas, os judeus, Buckland afirma que diferentemente dos fariseus, os Publicanos não eram hipócritas. Como os Publicanos são mais uma “profissão” do que um grupo filosófico-político-religioso ele não será tratado em particular neste artigo.
Conclusão
Diversos outros fatos ocorreram durante o período interbíblico que mereceriam uma pesquisa mais apurada, mas infelizmente nosso tempo é curto. Se pudermos dar um pontapé no assunto, já está de bom tamanho.

Bibliografia

http://www.infoescola.com/historia/alexandre-magno-e-a-cultura-helenistica/

https://pt.wikipedia.org

http://pt.slideshare.net/

http://aquieuaprendi.blogspot.com.br/

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1 Comentário

  1. Ellen Miguel da Silva disse:

    A influência da liderança sobre o povo enquanto uns trazem melhorias e pontes outros perseguem e excluem, mais o Rei dos reis tem mantido seu povo.