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Ortodoxia seletiva

Já falamos sobre o assunto várias vezes aqui, ao menos de maneira periférica. Pretendemos aprofundar
um pouco para nossos dez leitores. Tivesse mais competência, tempo e dinheiro, poderia escrever um livro sobre o fenômeno. Fazer o quê? Não se pode ter tudo ao mesmo tempo.

O que é?

É uma filosofia disseminada na grande rede, mormente por expoentes e pensadores, cujo objetivo é chamar a atenção para a suposta ortodoxia do expositor num dado tema, em detrimento de sua práxis no evangelho como um todo. Em outras palavras, seus adeptos assumem a aura de paladinos de determinados temas-chave, mas ao defendê-los o fazem de maneira interesseira e seletiva.

Explicando melhor…

Nada melhor que os exemplos, não é? Remontemos a assuntos tratados no blog. O blog de R posta um vídeo do pastor A, também blogueiro, no qual demonstra quão antibíblico o ministério feminino é. Mas omite os vídeos do mesmo pastor A espinafrando o movimento pentecostal histórico. Pior, o próprio A não se dá conta de sua própria seletividade ao omitir que sua denominação envia mulheres ao campo missionário. Na Bíblia, na lógica mais elementar, na história, onde se recorra, um missionário tem um status eclesiástico, em termos de chamado, de singularidade e de responsabilidade, muito maior que um diácono. Se pois uma igreja admite esta doxa e não separa diaconisas, sob a égide de uma ortodoxia bíblica, mas envia missionárias, não deveríamos classificar tal comportamento como contraditório? Quem exerce a seletividade acha que não!

Prosseguindo…

Tal postura contaminou até a apologética. Há apologetas, acreditem, que são capazes de criticar determinado evento, ATÉ que sejam convidados para ministrar neles!? O que dizer de tantos outros que criticaram outrora determinados grupos e agora que foram aceitos nele, repentinamente emudeceram? Um exemplo claro de seletividade é que há apologetas que só enxergam problemas no quintal alheio.
Este comportamento não é um eco senão do velho ranço autoritário da liderança evangélica, no qual do púlpito se dizia: Faça o que eu mando, não faça o que eu faço! Arguidos sobre explicações para determinadas regras, ouvia-se: É assim porque é!

No que tange à blogosfera, eu até entendo a graça singular que há em escrever nela. É o exercício democrático do pensamento. Só não podemos ser incoerentes. Foi este, aliás, o aspecto mais condenável do farisaísmo judeu. Se punham a criar regras e condenar quem não as cumpria, mas se excluíam do grupo de teste!

O que me causa espécie é que tais pensadores tenham alcançado status de isentos, sem que sua incoerência seja demonstrada. Eu aprendi que ortodoxia é uma condição inquestionável, que não oferece alternativas. Assim ou a temos ou é arremedo.

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1 Comentário

  1. Anonymous disse:

    Meu amigo não vamos muito longe, os caras criticam quem preghua mas não quem convida, sabe porque? porque eles também vive dos convites e querem pregar no mesmo local com a desculçpa de que falará a verdade.

    Outra, voçe ja viu esses caras criticarem o sistema! Nada rapaz, eles querem dar uma de profeta, mas só passam por tais para incaltos…

    Bom texto