Os artesãos do Tabernáculo

Os artesãos do Tabernáculo é a 2ª lição do trimestre e enfoca Bezalel e Aoliabe, as cabeças criativas sob a orientação de Moisés nesta grande obra!

Esta é a segunda lição do segundo trimestre. Tem como tema: Os artesãos do Tabernáculo. Nos sentimos desafiados a compartilhar nossos pensamentos a respeito deste tema maravilhoso. Trazemos o texto da lição em azul e faremos os comentários em preto. Creio que a abertura no domingo passado aí na sua EBD foi maravilhosa, sigamos, portanto, com este assunto instigante.

Se o leitor é professor siga as instruções do comentarista. Dedique cinco minutos a refletir com seus alunos sobre a lição passada, dialogue sobre seus problemas, dificuldades e dúvidas. Que tal criar um momento de intercessão pelos problemas apresentados buscando de Deus solução para eles logo no início da aula?

Outra excelente atividade é estimular os alunos a falar sobre suas aptidões. O que gostam de fazer nas horas livres? Que hobbies criativos curtem? Marcenaria? Motores? Eletricidade? Como usam seus talentos? Saliente para eles que todos recebemos de Deus algum talento. Ao longo da vida vamos ampliando nossas habilidades, uns mais, outros menos, de acordo com as oportunidades que surgem e aproveitamos.

Se o leitor preferir, pode acompanhar nosso comentário em vídeo, disponível no rodapé do comentário.

Texto Áureo

“Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.” (1 Co 12.11)

Verdade Prática

O Criador dotou cada homem de talentos individuais para a sua honra e glória.

A verdade prática impõe uma discussão introdutória sobre o uso de tais talentos. Roberto Carlos tem talento? E Picasso? Um cantor não evangélico tem um talento dado por Deus tanto quanto um escultor ateu. Deus dotou os homens de capacidades criativas as mais variadas. A música, a pintura, a escultura, a poesia, a literatura, a arquitetura, a engenharia, a criatividade em suas mais variadas formas glorificam o Deus Todo Poderoso, como expressões legítimas, a priori, de sua sabedoria (I Tm 4:4).

Evidentemente, prevalece aqui o pressuposto de Eclesiastes 7:29, ou seja, Deus criou todas as coisas perfeitas, mas os homens buscaram muitas invenções, deturpando o conceito original da Criação. Em muitos âmbitos o Diabo, buscando imitar o Criador, também dá talentos malignos a certas pessoas sob seu domínio. Noutros a própria carne usa a criatividade para abusar do antropocentrismo. Isto não quer dizer que todas as manifestações artísticas são diabólicas ou malignas, são apenas sujeitos aos reflexos da Teologia da Queda. Da mesma forma, um cantor evangélico pode iniciar como um adorador espiritual e terminar desviado, cantando os mesmos hinos. Quem nunca viu esse filme antes? Então, o problema não está no talento, mas no uso!

Não só isso. A arte de boa qualidade deve ser admirada e reconhecida pelo cristão. A rigor não há pecado nisso, só não podemos perder nosso tempo quando tais coisas visam glorificar o homem, as coisas que o mundo oferece ou tomam o tempo devotado a Deus. Portanto, a menos que tal arte se volte para a idolatria, para a pornografia e outras coisas pecaminosas aos olhos de Deus é passível de admiração pelo cristão. Temos que entender que dentro ou fora da Igreja há pessoas talentosas. É uma regra geral.

Esse assunto deve ser analisado pela ótica da queda, que toda a criação geme (Rm 8:22) e a analogia mais adequada é a que fazemos ao observar a beleza da natureza. Sem ignorar que um belo tigre vai matar um belo antílope para se alimentar. Algo que não existia antes do pecado. Ou seja, a estética está prejudicada pela Queda!

A lição, por sua vez, buscar identificar aqueles talentos úteis no serviço do Senhor.

Leitura Diária

Leitura Diária

Leitura Diária

Leitura Bíblica em Classe

Êxodo 31.1-11

1 – Depois, falou o SENHOR a Moisés, dizendo:
2 – Eis que eu tenho chamado por nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá,
3 – e o enchi do Espírito de Deus, de sabedoria, e de entendimento, e de ciência em todo artifício,
4 – para inventar invenções, e trabalhar em ouro, e em prata, e em cobre,
5 – e em lavramento de pedras para engastar, e em artifício de madeira, para trabalhar em todo lavor.
6 – E eis que eu tenho posto com ele a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, e tenho dado sabedoria ao coração de todo aquele que é sábio de coração, para que façam tudo o que te tenho ordenado,
7 – a saber, a tenda da congregação, e a arca do Testemunho, e o propiciatório que estará sobre ela, e todos os móveis da tenda;
8 – e a mesa com os seus utensílios, e o castiçal puro com todos os seus utensílios, e o altar do incenso;
9 – e o altar do holocausto com todos os seus utensílios e a pia com a sua base;
10 – e as vestes do ministério, e as vestes santas de Arão, o sacerdote, e as vestes de seus filhos, para administrarem o sacerdócio;
11 – e o azeite da unção e o incenso aromático para o santuário; farão conforme tudo que te tenho mandado.

Objetivo Geral

Enfatizar que Deus deseja dotar pessoas de habilidades especiais para realizar obras especiais.

Objetivos Específicos

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I – Destacar como Deus chama pessoas especiais para executar serviços especiais;
II – Elencar as virtudes dessas pessoas: cheias do Espírito, sabedoria, entendimento e ciência;
III – Conscientizar que devemos usar os talentos para a glória de Deus.

Introdução

Nesta lição, veremos que Deus chama pessoas especiais para realizar obras especiais. Estudaremos a respeito da importância de ser cheios do Espírito para realizar uma grande obra. E concluiremos a lição com um chamado à consciência a respeito do uso do talento dado por Deus para a glória dEle. Ora, o Criador concedeu a Moisés instruções e capacitou pessoas para construir o Tabernáculo e executar obras especiais. Não é diferente hoje, pois Ele continua a capacitar os escolhidos para a sua obra e espera que a façamos.

As grandes e médias empresas do mundo secular estão em busca de pessoas talentosas. Elas sabem que eficiência, eficácia, produtividade, qualidade estética não são palavras vagas, mas determinantes para o futuro das organizações. Na igreja não pode ser diferente. Devemos nos acercar das mentes mais brilhantes para fazer o melhor para Deus. Bezalel e Aoliabe fizeram nada menos que uma obra de arte, admirada por todos. Vemos nesta História um misto de humildade, fidelidade, habilidade, dedicação e trabalho, muito trabalho de equipe!

I – Homens especiais para serviços especiais (31.1,2,6)

1. Bezalel e Aoliabe, chamados por Deus (Êx 31.2,6). Na lição passada, vimos que o Tabernáculo devia ser construído, bem como suas peças habilidosamente talhadas. Para executar essa obra, Deus chamou Bezalel e Aoliabe. O primeiro era da Tribo de Judá; o segundo, da Tribo de Dã (Êx 31.2,6). Ambos foram capacitados pelo Espírito de Deus a fim de trabalharem em toda sorte de obra em ouro, prata, bronze e madeira.

Bezalel e Aoliabe são exemplos de homens chamados para uma obra muito especial. Ao longo de minha curta vida pude encontrar pessoas assim. Criativas, preparadas e que não fogem de desafios. Ainda hoje há pessoas como esses dois jovens em nossas igrejas buscando apenas uma oportunidade para mostrar seus talentos.

Cumpre-nos distinguir alguns termos:

  1. Conhecimento – É o saber acumulado ao longo dos anos. Frequentemente, se confunde com sabedoria ao deduzimos que quanto mais uma pessoa vive mais é sábia, o que nem sempre é verdade;
  2. Habilidade – Capacidade de usar e aplicar o conhecimento. Equivale ao grau de competência de alguém frente a um determinado desafio;
  3. Competência – É a capacidade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos – saberes, habilidades, informações, visando determinado objetivo;
  4. Talento – Habilidades natas de uma pessoa.

Em se tratando do assunto em pauta todos esses ingredientes foram potencializados pela unção divina direta sobre a vida de Bezalel e Aoliabe, para fazerem aquilo que Deus tinha mostrado a Moisés. O próprio Senhor capacitou seus servos, os mostrou a Moisés e permaneceu com eles durante o trabalho, sob supervisão do patriarca.

Um detalhe que não deve ser esquecido é que, ao contrário do que se possa pensar, aqueles dois homens e os que os auxiliaram, não eram pessoas perfeitas ou profissionais prontos, lembremos que eles nunca haviam construído nada parecido (contraditoriamente quem mais tinha chegado perto foi Arão com seu bezerro de ouro – Êx 32). O segredo, aliás, dos melhores em qualquer área é a capacidade de aprender. É uma das competências mais preciosas no mundo secular: o profissional que está em constante aprendizado.

2. A prerrogativa de Deus (Êx 31.1,2). O texto bíblico de nossa lição mostra que Deus chama a quem Ele quer para executar sua obra. Ele conhece a natureza de cada filho e, de acordo com ela, distribui talentos conforme a capacidade de cada um. Não por acaso, para construir o Tabernáculo, o Criador chamou pessoas inclinadas às artes e às ciências, capacitando-as para potencializar essas habilidades. Essa forma de Deus chamar está registrada ao longo das Escrituras. Pedro foi convocado para exercer seu ministério entre os judeus (Gl 2.8); e Paulo, com os gentios (Rm 11.13). Tratava-se de pessoas estratégicas para fazer obras estratégicas. É assim que Deus age.

Ao longo da história da Igreja, o Pai Celestial capacitou pessoas e deu-lhes sabedoria para edificarem o Corpo de Cristo. Ele pode falar ao seu coração agora acerca de um chamado. Seja sensível a voz dEle! Deus é quem chama!

Como já foi registrado acima eles não eram da tribo de Levi, ou seja, daqueles diretamente ligados ao serviço do Tabernáculo. Isso mostra que Deus pode usar a qualquer um para uma obra específica, dentro de sua soberania. Há na Bíblia uma quantidade imensa de pessoas improváveis que foram poderosamente usadas por ele:

  • Abraão era velho e entrado em dias, quando Deus lhe fez a promessa
  • Jacó era um trapaceiro
  • Moisés tinha problemas de fala e estava fugido após matar um súdito
  • Gideão era um medroso
  • Raabe era uma prostituta
  • Jefté era filho bastardo e despertava desconfiança por isso
  • Saul vivia se escondendo antes de assumir o trono
  • Davi era o menor dos irmãos e passava boa parte do tempo isolado no campo cuidando de ovelhas
  • Jonas era um profeta fugitivo e desconfiado de sua própria chamada
  • Paulo era perseguidor dos cristãos e tinha problemas de visão

Deus em sua soberania estabelece a quem e de que maneira quer usar!

3. A pluralidade do serviço cristão (Rm 12.4-8; 1 Co 12.8-10,28). Muitas são as necessidades da igreja local, tanto de ordem espiritual quanto material (At 6.1-4). Elas manifestam-se na manutenção da comunhão cristã entre os irmãos, bem como na organização dos elementos funcionais do culto cristão. Para isso, na obra do Senhor, há lugar para diversidades de dons e talentos que envolvam liderança espiritual, musical, ação social e muitas outras esferas que exponham a necessidade da obra. Que você aplique o seu talento na obra de Deus!

Infelizmente, muitos querem padronizar o trabalho na Obra do Senhor. Todos querem ser cantores, todos querem ser pregadores, muitos querem pastorear, outro tanto ensinar. Paulo ensina que aquele que deseja o episcopado, uma excelente obra deseja (I Tm3:1), mas não pode haver bitola, engessamento, repressão sobre as maneiras como este trabalho deve ser feito.

Conheci e conheço ministérios e ações fantásticas que se dependessem do padrão denominacional ou pessoal de alguém jamais seriam realidade. Ministérios entre drogados, prostitutas, homossexuais, presos, crianças de rua, por exemplo, são aqueles que mais rejeição causam na maioria evangélica. Bem poucas igrejas estão dispostas a financiar iniciativas desta natureza.

E se voltarmos os olhos para a utilização da criatividade para a expansão, administração e organização do reino as coisas pioram. Porque aí entra um outro componente. É que muitos pastores pensam que por serem chamados para o pastorado sabem de tudo ou deles deve partir a iniciativa para tudo. Quando alguém tenta sugerir ou toma a iniciativa de criar algo diferente já é visto como contestador do status quo. Uma das razões pelas quais a liderança de Moisés se destaca é seu pendor pelo trabalho em equipe e sua prontidão para ouvir. O exemplo mais vistoso é o famoso conselho de Jetro (Êx 18:15ss).

NÃO! Moisés não sabia de tudo! Nem podia fazer tudo ao mesmo tempo. Se ele tentasse corria o risco de não fazer nada! O próprio Jesus fez questão de nunca bitolar sua Igreja, os exemplos citados de Pedro entre os judeus e Paulo entre os gentios, são claros a esse respeito. Notemos, por exemplo, que ele nunca determinou cores, formatos, isso ou aquilo, para sua Igreja. Sua equipe era a mais heterogênea e diversificada, ia de um pescador a um funcionário público. A heterogeneidade está na base do sucesso da Igreja e das denominações em geral.

II – Cheios do Espírito, sabedoria, entendimento e ciência (Êx 31.3-5)

1. Cheios do Espírito para realizar a obra (v.3). O texto bíblico diz: “o enchi do Espírito de Deus”. Essa afirmativa vai ao encontro do que nós, pentecostais, sempre afirmamos: não há nada que possamos fazer na vida sem a direção e a ação poderosa do Espírito Santo. O texto em destaque declara que toda a criatividade, sabedoria, entendimento e ciência para construir o Tabernáculo e talhar cada peça em ouro, prata, bronze e madeira promanavam do Espírito de Deus. Aqui, há uma verdade maravilhosa para nós: para realizarmos uma obra espiritual, precisamos estar capacitados pelo Espírito Santo. Nessa perspectiva colocamos todas as nossas habilidades aprendidas nos bancos das escolas, das faculdades e da jornada da vida a serviço do Rei Jesus. Assim, Deus nos usará poderosamente!

Portanto, a simbologia da capacitação espiritual para a construção do Tabernáculo se constitui figura de realidade espiritual do povo de Deus no ministério cristão (At 6.3; Ef 5.18).

Segundo o Michaellis, promanar, vem do latim promanare, e significa: ser procedente de. Toda a criatividade existente no mundo, como falamos no princípio, emana de Deus, inclusive aquela manifestada na Igreja. Cada um, porém, veja como edifica (I Co 3:10). Cremos que ninguém pode dizer que o trabalho eclesiástico é fácil, é possível!
Para fazê-lo com qualidade, criatividade, funcionalidade e eficiência devemos buscar orientação divina, especialmente, quando envolve pessoas e relacionamentos, muito mais suscetíveis às influências internas e externas que construções e obras. Foi mais fácil, por exemplo, construir o tabernáculo do que fazer com que o povo, efetivamente, adorasse a Deus nele.

2. Habilidades especiais para obras especiais (vv.4,5). A Bíblia mostra uma diversidade de dons relacionados ao serviço cristão (Rm 12.3-8*; 1 Co 12.4-6) – dons esses que foram distribuídos pelo Espírito Santo, segundo o apóstolo Paulo – na mesma perspectiva do processo de escolha de Bezalel e Aoliabe para a construção do Tabernáculo (vv.4,5).

Na igreja local, muitos trabalhos requerem habilidades especiais. Por exemplo, quem escreve precisa ser habilidoso no ofício da escrita; quem canta precisa ser habilidoso no ofício do canto; quem toca precisa ser habilidoso no ofício instrumental; quem prega precisa ser habilidoso no ofício da interpretação de texto e da retórica. Enfim, as necessidades de habilidades especiais para realizar obras especiais são inúmeras. Por isso que o Espírito Santo capacita pessoas para atividades bem específicas. É verdade que os dons de Deus não dependem de habilidades naturais. No entanto, o Senhor chama pessoas que tenham habilidades especiais para potencializá-las e, assim, executarem serviços complexos na igreja local.

Estas habilidades especiais devem ser estimuladas. Com alguma frequência ocorre o contrário ou algo curioso. Determinadas habilidades são estimuladas em detrimento de outras. Desaguam no mesmo problema. Uma igreja cinzenta e sem brilho. Há pouca produção intelectual entre os pastores e líderes, por exemplo, e não fazem muitos anos que havia até mesmo asco, repulsa, aos escritores, teólogos e poetas. Ainda sofremos com o resultado desse pensamento limitado. Quem sabe por isso não vemos mais irmãs que recitavam poesias em Ceias? Por outro lado, abrimos espaço para uma música de má qualidade, com linguagem antropocêntrica, porém, fácil de tocar e cantar.

Precisamos compreender que é Deus quem dá os recursos humanos, materiais, financeiros e espirituais à sua Igreja, para orná-la e fazê-la florescer e para que seu nome seja nela glorificado. Devemos pedir a Deus sabedoria para construções mais funcionais, abrir espaço para pessoas qualificadas na gestão, na arquitetura, na composição e execução de hinos, na produção intelectual, sejam textos, livros, poesias, vídeos e tudo aquilo que traga a verdadeira diversidade de ministérios, todos atuando para o funcionamento e crescimento do trabalho do Senhor.

A igreja é uma orquestra. Nela há muitos instrumentos que ninguém percebe de imediato, mas são indispensáveis para a adequada execução de uma música. E não importa de sabemos como funcionam, todos são importantes.

Subsídio Teológico

Cultive a disposição de compartilhar com os outros. Os dons são manifestos quando as pessoas têm a expectativa de ouvir um recado de Deus, quer através das Escrituras, dos cânticos ou de um sussurro suave. Ensine-as a ouvir a voz de Deus. Ofereça aplicações práticas com exemplos pessoais e da vida de outras pessoas. Quando os dirigentes determinam um horário para compartilhar os dons, eles mesmos devem ter uma bênção para contar. Não deixe que ninguém diga, depois de longo período de silêncio: ‘Ninguém ouviu um recado de Deus’. Pelo contrário, devemos dizer: ‘Permaneçamos na presença do Deus que nos inspira reverência, e, se alguém tiver uma bênção para contar, fale’. Chegue, então, a um término positivo, contando aos demais as impressões de Deus sobre você. Como líder, esteja disposto a compartilhar. Seja um exemplo de semelhante expectativa” (HORTON, M. Horton (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, p.492).

Conta-se uma metáfora interessante sobre esse assunto. O rio Jordão nasce no pé do monte Hermon, alimentado por inúmeras nascentes e pequenos ribeiros. Eles recebem as águas e repassam adiante. Tem vida, peixes, plantas, etc. O rio Jordão recebe estas águas e passa adiante. Ele tem vida, peixes e plantas. Mas não retem a água, pelo contrário a repassa até o Mar da Galiléia. O Mar da Galileia tem vida, peixes e plantas. Ele não retem a água e passa adiante para o Mar Morto. O Mar Morto recebe a água e não passa pra ninguém. Não tem vida, peixes ou plantas.

Quanto mais repassamos conhecimento, mais conhecimento adquirimos. Não à toa usa-se o mesmo verbo hebraico para ensinar e aprender: lamad! Compartilhar o bem que seja nos torna abençoados! Êxodo 34:35, registra o seguinte a respeito de Bezalel: “Também lhe dispôs o coração para ensinar a outros”. Busquemos esta habilidade maravilhosa!

III – Usando os talentos para a glória de Deus

1. Os talentos (habilidades) de Bezalel e Aoliabe. Já vimos que Bezalel e Aoliabe eram artesãos altamente capacitados para trabalhar com ouro, prata e cobre, além de outros materiais como madeira. Mas algo devemos destacar: ambos se submeteram à revelação de Deus para executar com maestria as peças dos altares, colunas, cortinas e cores. Assim, revestidos do Espírito de Deus, Bezalel e Aoliabe passaram a ser especialistas para fazer tudo quanto fosse necessário para construir a estrutura do Tabernáculo de maneira esteticamente bela. Eles primeiro submeteram-se! Por isso o que faziam era para a glória de Deus!

Para fazermos alguma tarefa que glorifique a Deus precisamos ter a consciência profunda de que foi Ele quem nos chamou. Esse é o passo fundamental para que o nosso trabalho glorifique a Deus. Depois, é preciso admitir que, embora você tenha a mais importante capacitação secular, Deus sempre é quem dá a última instrução. Experimente submeter-se a Deus e fazer qualquer tarefa para a glória dEle!

O capítulo 31 fala mais de Bezalel. Ali está escrito que foi cheio do Espírito Santo, de sabedoria, entendimento, ciência, invenção e habilidade para trabalhar com ouro, prata e cobre, pedras preciosas como ourives e marcenaria. Êxodo 35:31ss reforça esses talentos, mas acrescenta bordado, costura e outros trabalhos manuais. As habilidades de Aoliabe só irão aparecer isoladas em Êxodo 38:23: “um mestre de obra, e engenhoso artífice, e bordador em azul, e em púrpura e em carmesim e em linho fino.” Por isso é essencial o professor ler o contexto de determinada lição. 

2. Os talentos revelados na Igreja (Mt 25.14,15). Embora Mateus 25 seja uma passagem bíblica que trata acerca da volta de Jesus, ela é uma bela ilustração para mostrar o que Deus espera que nós façamos com a nossa vocação. O que Ele exigiu de Bezalel e Aoliabe também está contemplado na Parábola dos Talentos. Nessa parábola a palavra grega talanton, que significa “talento”, ganha destaque. O termo refere-se à moeda de alto valor. Nesse contexto, o homem rico distribuiu vários talentos aos servos de acordo com a capacidade de cada um para negociar. Naturalmente, o homem rico esperava receber retorno dos servos. A mensagem aqui é clara: quando o Senhor voltar, Ele deseja nos encontrar trabalhando de acordo com as habilidades que Ele nos capacitou para o seu reino. Desenvolver os talentos simboliza perseverar na fé e o comprometer-se em colocar a serviço do Corpo de Cristo tudo o que o Senhor nos concedeu.

Cada crente é dotado de algum talento com o qual poderá trabalhar para o Senhor Jesus e receber a devida recompensa pelo trabalho quando nos encontrarmos no Tribunal de Cristo (2 Co 5.10). Não desperdice o talento que Deus lhe deu. Honre ao Senhor com os seus talentos!

Conclusão

No Reino de Deus muitas habilidades poderão ser utilizadas, não somente as de caráter espiritual, mas também as de caráter social, educacional e material. Quantos templos, por exemplo, têm sido construídos por pessoas dotadas de talentos especiais para esse trabalho? A recompensa dos que dão o melhor de suas vidas será dada por Deus aos que forem fiéis em toda boa obra. Esforce-se com esmero e amor!

A lição final que podemos tirar dessa história é que Bezalel, Aoliabe e seus ajudantes não receberam nenhuma honraria, um destaque numa placa, uma menção honrosa. Lhes bastou o registro do livro sagrado, indicando que Deus os havia chamado e capacitado para fazer aquela obra magnífica. Que não busquemos a honra dos homens ou lugares de destaque por esse ou aquele talento que Deus tem nos dado.

Alguns dos números do Tabernáculo:

  1. 60 bases de prata para as colunas internas do Lugar Santo e do Santo dos Santos
  2. 60 colunas de acácia com 5m de altura
  3. 48 tábuas de acácia com 5m de altura e 0,37m de largura
    – 20 do lado norte
    – 20 do lado sul
    – 6 para o oeste – parte de trás do tabernáculo
    – 2 para os cantos
  4. 96 bases de prata, duas para cada tábua
  5. 15 travessas de acácias para unir as tábuas
    – 5 travessas do lado sul
    – 5 travessas do lado norte
    – 5 travessas do lado oeste
  6. 5 bases de bronze na entrada do Lugar Santo
  7. 5 colunas de acácia com 5m de altura
  8. 4 bases de ouro na entrada do Lugar Santíssimo
  9. 4 colunas de acácia com 5m de altura
  10. 60 bases de bronze para as colunas externas do átrio
  11. 60 colunas de madeira de acácia ao redor do átrio
  12. 150 metros de linho torcido ao redor do átrio
  13. 4 cortinas cobriam o tabernáculo
    – Uma cortina de couro de texugo
    – Uma cortina de couro de carneiro
    – Uma cortina de couro de cabra
    – Uma cortina de linho torcido, com imagens de querubins
  14. 603.550 homens, acima dos 25 anos, contribuíram com ouro, prata e bronze para os objetos
  15. 1.250 m2 de área total (50 x 25m)
  16. 50 m2 de área no Lugar Santo (10 x 5m)
  17. 25 m2 de área no Santo dos Santos (5 x 5m)
  18. 1.000 kilos de ouro
  19. 3.430 kilos de prata
  20. 2.425 kilos de bronze

Números do Tabernáculo

Usamos como base para esses números o côvado de 50cm, conforme utilizado na Lição 1.

Leia também este artigo sobre princípios de liderança eclesiástica contidos no episódio da lição.

Assista ao comentário em vídeo no Youtube, curta e compartilhe com os amigos!

Ps: Cometi uma imprecisão no vídeo ao mencionar que Bárbara e Timothy Friberg são autores da Chave Linguística do Novo Testamento, na verdade, o são de outra obra igualmente fundamental para o estudante do grego: Novo Testamento Grego Analítico e que, igualmente, exigiria talentos especiais como falamos no contexto. Os autores da Chave Linguística são respectivamente: Fritz Reinecker e Cleon Rogers.

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Acompanhe os comentários das lições anteriores:

Lição 1 – Tabernáculo – Um lugar da habitação de Deus

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1 Comentário

  1. Emília Ghislene de Asevedo disse:

    Que Deus continue lhe concedendo capacidade do céu para escrever essas reflexões, que tão excepcionalmente nos auxiliam nas aulas da escola bíblica dominical. Cada um, com o seu dom!! Glórias ao nosso Deus por isso!!