Os perigos do inconsciente coletivo!

Você sabe o que é inconsciente coletivo? O pastor é um sacerdote nos moldes do Velho Testamento? Todo levita era sacerdote? Os cantores são levitas? Por que acreditamos nestas e outras ideias sem base bíblica ou histórica?

Chama-se inconsciente coletivo o conjunto de informações transmitidas entre gerações de um povo, muitas delas tidas como inquestionáveis, nem sempre checadas, mas tidas como verdadeiras. Estas informações são passadas entre outras: no seio familiar, nas interações comunitárias e nas organizações religiosas.

O conceito foi criado pelo psiquiatra suíço Carl Jung (1875-1961), considerado como pai da Psicanálise Analítica e, obviamente, é muito mais abrangente e jamais pode ser descrito em apenas um parágrafo.

Os crentes salvos são pessoas que participam destas interações sociais e compartilham algumas delas das mais variadas formas. Em princípio não há problema, somos seres sociais e gregários, portanto, vivemos em comunidade.

Porém, devemos ter o cuidado de conferir se as chamadas informações radicadas no inconsciente coletivo se conformam com a Palavra de Deus, com a verdade dos fatos, ou seja, como de fato ocorreram, com a História e com a lógica. Os bereanos (Atos 17:11) foram até a primeira etapa, mas nós devemos ir além.

A lição da EBD deste trimestre toca em alguns dessas informações que são repassadas aos quatro ventos sem qualquer base bíblica ou histórica. Aqueles que nos acompanham nos comentários já viram que:

  1. O pastor não é um sacerdote nos moldes do Velho Testamento;
  2. Não dependemos de mais ninguém para ser perdoados ou interceder pelos pecados;
  3. O Tabernáculo não equivale ao templo dos nossos dias, nem em suas divisões, sem em sua funcionalidade;
  4. Não se podia, por exemplo, entrar no Tabernáculo ou sentar em suas instalações;
  5. O púlpito não é o lugar mais santo e sagrado do Templo;
  6. Os sacerdotes quase sempre não matavam os sacrifícios, quem fazia isso, na maioria das vezes, era o ofertante;
  7. Os animais não eram mortos no Altar dos Sacrifícios, mas eram trazidos já esquartejados, na maioria das vezes pelo próprio ofertante, após impor as mãos sobre a oferta viva, acompanhado dos sacerdotes;
  8. Não havia uma corda na cintura do sacerdote para retirar os que entrassem em pecado no Santíssimo e morressem por lá;
  9. Que não só se faziam sacrifícios pelo pecado uma vez ao ano, no Dia da Expiação. Isto ocorria todos os dias, tão logo o Tabernáculo estivesse montado;
  10. Que sempre a glória de Deus se manifestava, seja na coluna de nuvem ou não coluna de fogo. E não apenas no Dia da Expiação, o ápice dos sacrifícios;
  11. Os cantores de hoje não são levitas;
  12. Nem todo levita era sacerdote;
  13. Nem todo sacerdote podia entrar no Lugar Santo a qualquer momento, isso obedecia a escalas;
  14. Devemos ter cuidado com o exagero com as alegorias ao tratar a simbologia do Tabernáculo.

Como proceder?

O primeiro óbvio passo é conferir se determinada ideia está na Bíblia. Esta conferência vale pra qualquer pessoa. Do pastor mais antigo ao membro mais recente. Qualquer ideia, conceito ou propositura, por mais interessante e razoável que seja deve ser conferida à luz da Palavra de Deus. Não esqueçamos que determinados conceitos vieram do paganismo romano. Muitos de nós éramos católicos e importamos determinadas crenças que não encontram respaldo na Palavra de Deus, mas na tradição da Igreja Católica. Logo, não tem nenhum valor prático.

O segundo passo é conformar com a História, especialmente naquilo que não está escrito. Com alguma frequência ouvimos esta história da corda que existiria na cintura do sumo sacerdote para puxá-lo, se viesse a falecer por estar em pecado na presença do Senhor. Já falamos sobre isso em janeiro/2018. Eu mesmo e outros podemos ter ensinado ou pregado errado, pois não há embasamento histórico para tal.

O terceiro é a lógica. Ressalve-se que a lógica nem sempre se aplica à sobrenaturalidade das Escrituras. Naquilo, porém, que é conceitual, sistemático, deve haver lógica. Lógica se faz por combinação, amplitude, experimentação teórica. Daí que é importante o conceito. Nosso povo é pródigo em aplicação, mas quando alguém pergunta: o que é redenção? O que é justificação? O que é santificação? Bem poucos conseguem dar uma resposta imediata e correta.

Por outro lado, é importante saber o que autores de bom calibre teológico já escreveram sobre determinado assunto. Há muita gente chovendo no molhado, redescobrindo o círculo, ou seja, abrindo trilha nova em caminhos já feitos.

Há outras peneiras importantes pelas quais uma informação deve passar antes de ser propagada. Cabe a nós, com sabedoria, pesquisar e confrontar de modo adequado e responsável.

Esclarecidos, mas não obcecados

Devemos conferir se o que se prega ou ensina está correto, mas evitar a contenda e a balbúrdia, especialmente, no Templo e nas classes da EBD. Equilíbrio é sempre a palavra chave para dirimir eventuais dúvidas e buscar convencer pelo argumento.

Aquele em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria ilumine nossa mente!

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1 Comentário

  1. Eliezer Souza disse:

    Muito esclarecedor.
    Shalom.