Planejamento é essencial na liderança eclesiástica!

Planejar é ter habilidade de definir prioridades, determinar etapas e antever riscos e oportunidades, produzindo respostas consistentes a três questões fundamentais: Onde estamos? Aonde queremos chegar? Como vamos fazer para chegar lá? Para compreender adequadamente o termo, não podemos esquecer a famosa pirâmide das decisões:

A pirâmide acima representa os vários níveis decisórios de qualquer organização. No nível estratégico são tomadas decisões de longo prazo. Tais decisões se refletem de maneira duradoura e permanente, marcando profundamente uma organização, seja por seus reflexos positivos ou negativos. O nível tático se ocupa de como atender a médio prazo as decisões estratégicas. E o operacional em implementar ações para o curto prazo. Observemos que o nível estratégico se ocupa de objetivos globais para organização.

Tomando como exemplo uma igreja temos que o pastor, atuando no nível estratégico, estabelece como meta 200 almas num ano. Os órgãos evangelísticos, nível tático, irão se preocupar em criar campanhas para alcançar tal meta. E os membros de tais órgãos, que por sua vez ocupam o nível operacional da igreja, irão se desdobrar a cada domingo para participar das ações do nível tático, buscando cumprir a meta do nível estratégico.

O planejamento se ocupa de harmonizar o funcionamento destes níveis com as demandas do ambiente onde a organização atua. Quando não há este entrosamento, entre outras alternativas:

– A comunicação interna está com problemas
– As metas estratégicas são irreais
– Existem problemas de endomarketing [1], como falta de motivação
– Os níveis estão indefinidos, todos mandam e ninguém obedece
– Existem crises de comando
– A organização perdeu o foco
O planejamento deve levar em conta os pontos fortes e os pontos fracos da organização. Os pontos fortes são o que de melhor ela tem a oferecer, áreas onde há domínio de conhecimento estratégico [2]. E os pontos fracos são os gargalos que atravessados em seu caminho atrasam a consecução das metas. É interessante notar que a reboque das tais, conseguimos galgar patamares até então não vislumbrados. Uma igreja na intenção de alcançar uma determinada quantidade de almas, pode se tornar uma líder regional. É um efeito colateral.
Entre outras etapas, o planejamento compreende:
– Definição dos objetivos
– Elaboração das ações a serem implementadas para alcançá-los
– Definição dos indicadores e metas
– Implementação das ações
– Avaliação dos resultados
– Revisão e ajuste dos rumos
No nível tático há uma preocupação interessante, muitas vezes não levada em conta pelas igrejas. Chama-se logística. Logística é disponibilizar os recursos humanos, materiais e financeiros da maneira adequada ao longo do percurso desejado para obtenção da meta. Tom Peters, autor e conferencista, coloca sua necessidade da seguinte forma [3]:

Visão? Claro. Estratégia? Sim. Mas quando você vai para a guerra deve ganhar usando logística superior. Depois que a Guerra do Golfo acabou, a mídia focalizou a estratégia que foi usada por Colin Powell[4]  e executada por Norman Schwarzkopf [5]. Na minha opinião, o cara que ganhou a Guerra do Golfo foi Gus Pagonis, o gênio que cuidou de toda a parte logística. Não importa o quanto a sua visão e a sua estratégia sejam brilhantes se você não puder ter os soldados, as armas, os veículos, a gasolina, a comida – as botas, pelo amor de Deus! – para dar às pessoas certas, no lugar certo, na hora certa.

Pagonis certa vez afirmou que sua inspiração foi Alexandre, o Grande. De fato, o exército grego deve suas vitórias á capacidade logística de seu general. Alexandre foi o primeiro a empregar uma equipe especialmente treinada de engenheiros e contramestres, além da cavalaria e infantaria. Esses primitivos engenheiros desempenharam um papel importante para o sucesso, pois tinham a missão de estudar como reduzir a resistência das cidades que seriam atacadas. Os contramestres, por sua vez, operacionalizavam o melhor sistema logístico existente naquela época. Eles seguiam à frente dos exércitos com a missão de comprar todos os suprimentos necessários e de montar armazéns avançados no trajeto. O exército grego consumia diariamente cerca de 100 toneladas de alimentos e 300.000 litros de água!

O exército de 35.000 homens de Alexandre, o Grande, não podia carregar mais do que 10 dias de suprimentos, mas mesmo assim, suas tropas marcharam milhares de quilômetros, a uma média de 32 quilômetros por dia. Seu exército percorreu 6.400 km, na marcha do Egito à Pérsia e Índia, a marcha mais longa da história. Outros exércitos se deslocavam a uma média de 16 ou 17 quilômetros por dia, pois dependiam do carro de boi, que fazia o transporte dos alimentos. Um carro de boi se deslocava a aproximadamente 3,5 quilômetros por hora, durante 5 horas até que os animais se esgotassem. Cavalos moviam-se a 6 ou 7 quilômetros por hora, durante 8 horas por dia. Eram necessários 5 cavalos para transportar a mesma carga que um carro de boi.

Também inovou nos armamentos. Seus engenheiros desenvolveram um novo tipo de lança, chamada sarissa, que tinha 6 metros de comprimento, largamente utilizada pela infantaria. Com esse armamento derrotou um exército combinado de persas e gregos de 40.000 homens perdendo apenas 110 soldados.  Em 333 a.C., seu exército derrotou um exército de 160.000 homens comandados por Dário, rei da Pérsia. Devido a esse sucesso, a grande maioria das cidades se rendeu ao exército macedônico sem a necessidade do derramamento de sangue. Assim, Alexandre o Grande criou o mais móvel e mais rápido exército da época.

Portanto, planejamento é a palavra chave para qualquer igreja. Vemos isto na ação de Deus, quando permitiu que a Grécia fosse um império mundial, para se utilizar de sua língua, permitiu que Roma fosse uma nação dominadora para se aproveitar do gênio de seus generais, na construção de estradas, por exemplo. Nem sempre é uma atitude simpática, porque o planejamento, como já dissemos, em seu nível mais elevado vê o horizonte a longo prazo. Para alcançá-lo, às vezes, é necessário sacrificar algo do presente. É exatamente por isso que muitas vezes não entendemos os planos de Deus!
A alternativa é a ação contingencial. Contingência é agir somente e se um problema acontecer. É uma ação emergencial e reativa, que somente é posta em prática quando ocorre um problema. A definição se aplica a várias situações do dia-a-dia. Da ladeira que só foi isolada com lona após a chuva arrastar dois ou três casebres, até o Bolsa Família, que minora a fome, mas não tira da miséria. Na igreja a falta de planejamento produz ações atabalhoadas,  imediatistas e de pouco resultado prático como as que vemos vez por outra. Portanto, sejamos pró-ativos, nos antecipando aos problemas e propondo soluções inovadoras para os problemas que nos cercam.
O mais o Senhor fará!
[1] Endomarketing, em termos resumidos, é como os agentes internos de uma organização a enxergam. Membros, funcionários, diretores e terceirizados, por exemplo.
[2] Também chamado know-how, literalmente, domínio do processo de como fazer. A Assembléia de Deus, por exemplo, tem o know-how do evangelismo pessoal. Foi com esta ferramenta que a igreja explodiu em crescimento, mas tem fraco desempenho na ação social de longo prazo, não tem know-how na área.
[3] http://vocesa.abril.com.br/evolucao/aberto/ar_127821.shtml
[4] Secretário de Defesa americano no período da I Guerra do Golfo

[5] General que coordenou a ofensiva na ocasião

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