Poder do alto contra as hostes da maldade

Poder do alto contra as hostes da maldade é o tema da 10ª lição. O comentarista irá analisar a importância do revestimento de poder para a expulsão de demônios, ainda que crentes não batizados possam fazê-lo. Vem comigo!

Ufa! Chegamos à décima lição do trimestre e agora caminhamos para o final. Mas ainda falta muito assunto, tanto que estamos aqui. Esta lição, porém, é mais prática, diz respeito às pessoas em geral, ao que devemos fazer em relação ao poder disponível do alto para nós e coisas do gênero. E é uma lição controversa. Espero que você não pare por aqui e siga em frente para entender o porquê. Como sempre fazemos, o texto da lição virá em azul e nossos comentários em preto. Também optamos por transcrever o conteúdo da lição para que você possa focar e acompanhar com mais comodidade.

Texto Áureo

“Eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.” (Lc 24.49)

Aqui temos um primeiro problema e eu sugiro ao professor que não embarque na onda de pensar que o derramamento do Espírito, a segunda benção, o batismo com o Espírito Santo, como queiram chamar, habilitará o crente para expulsar demônios. Na verdade, esta habilidade foi dada por Cristo a qualquer um de seus seguidores, sob sua determinação soberana. Ou seja, a partir de um ato de graça do nosso Salvador todos o que forem movidos por ele para tal podem expulsar demônios. Sejam batizados no Espírito Santo ou não!

É fácil de compreender isso. Basta uma rápida olhada nos capítulos finais dos Evangelhos. Em Marcos 16: 17, 18, está escrito: E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão. Notem que eram promessas latentes que se cumpririam na vida dos que cressem!

Nos próprios Evangelhos temos os discípulos expulsando demônios antes do batismo com o Espírito Santo (Lucas 9:1;10:1,17) e até alguém que não era contado entre os apóstolos, mas apenas discípulo de Jesus, fazendo isso em seu nome (Marcos 9:38; Lucas 9:1, 49). Isto fora os 70 enviados em Lucas 10! No Antigo Testamento Davi expulsou o demônio de Saul só com música. Obviamente, não era a música que muitas vezes ouvimos na Igreja, comercial, gospelizada.

E pra que, então, o revestimento? Ora, o batismo tem correlação direta com ímpeto, desassombro.  Mas isso não quer dizer que todos os crentes batizados no Espírito Santo irão expulsar demônios. Aliás, já dissemos aqui que a prioridade do revestimento é a pregação do Evangelho, o mais é consequência, são os sinais que se seguirão, não a salvação que se seguirá! Enfim, todos os salvos poderão fazê-lo em nome de Jesus!

Verdade Prática

As obras das trevas são demolidas pelo poder de Deus no trabalho de pregação do Evangelho de Cristo.

Leitura Diária

Leitura Diária - Lição 10

Leitura Diária – Lição 10

A leitura diária da sexta traz uma assertiva interessante. Expulsar demônios não é tarefa para os mercadores da fé. Não raro, temos muito engodo e encenação, como já falamos em outras lições. Não há fórmulas para a expulsão. Não precisamos memorizar as palavras certas, fórmulas mágicas, frases em latim ou numa língua bíblica, etc. Já ouvi relatos de um simples: “Sai!” dito com autoridade espiritual, ser suficiente para que o demônio vá embora.

Nós não somos, por outro lado, exorcistas profissionais, do tipo que ficam procurando onde estão os demônios para que sejam expulsos, como os há na Igreja Católica*. Há muito mais a ser feito no reino de Deus. Há milhões de pessoas, por exemplo, a serem ganhas para Cristo pelo ensino e pregação do Evangelho. E assim, a partir de uma conversão sincera, não estarão sob o domínio do mal. A expulsão consiste em tratar a doença, sendo muito melhor vacinar os ouvintes. Será que estamos sendo bem sucedidos neste particular?

Leitura Bíblica em Classe

Atos 8.5-13,18-21

5 – E, descendo Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo.
6 – E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia,
7 – pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados.
8 – E havia grande alegria naquela cidade.
9 – E estava ali um certo homem chamado Simão, que anteriormente exercera naquela cidade a arte mágica e tinha iludido a gente de Samaria, dizendo que era uma grande personagem;
10 – ao qual todos atendiam, desde o mais pequeno até ao maior, dizendo: Esta é a grande virtude de Deus.
11 – E atendiam-no a ele, porque já desde muito tempo os havia iludido com artes mágicas.
12 – Mas, como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres.
13 – E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou, de contínuo, com Filipe e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito.
18 – E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, lhes ofereceu dinheiro,
19 – dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo.
20 – Mas disse-lhe Pedro: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro.
21 – Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus.

Objetivo geral

Deixar claro que precisamos do poder do alto para vencer as hostes da maldade.

Objetivos específicos

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

1) Explicar o contexto histórico de Samaria;
2) Expor sobre o Evangelho entre os samaritanos;
3) Mostrar Filipe em Samaria e Simão, o Mágico.

Introdução

O relato do trabalho evangelístico de Filipe em Samaria nos chama a atenção. Primeiro, por causa da animosidade que havia entre judeus e samaritanos; depois, porque Jesus havia dito antes: não “entreis em cidade de samaritanos” (Mt 10.5). Mas a região foi palco de um grande avivamento com a chegada do Evangelho. Isso aconteceu no poder do Espírito Santo, que trouxe muita alegria, gozo e libertação na cidade, mas o Evangelho também veio para desfazer as obras das trevas.

I – Contexto histórico de Samaria

Os samaritanos eram os israelitas que se mesclaram como povos estrangeiros durante o período da dispersão das Dez Tribos do Norte em 722 a.C. Com o passar do tempo, essa mescla veio a ser também religiosa. Na era apostólica, o clima entre judeus e samaritanos era tenso. O evangelho de João resume o relacionamento entre judeus e samaritanos nas seguintes palavras: “Judeus não se comunicam com os samaritanos” (Jo 4.9).

A cisma dos judeus em geral com os samaritanos teve origem quando o reino foi dividido após a morte de Salomão (I Reis 12,13). O herdeiro natural, Roboão, foi confrontado com a seguinte situação: o reino era opulento e haviam grandes palácios e construções, mas o povo vivia sufocado pela alta carga tributária que custeava tudo. Uma comissão pediu ao rei alívio para este problema. Ele consultou dois grupos, os sábios e os meninos mimados do palácio. Os primeiros pediam que assentisse, os segundos que apertasse por mais impostos ainda.

A história dá conta que ele tratou duramente o povo e recebeu a seguinte resposta: “Que temos nós com a casa de Davi?” E, assim, dez tribos se perfilaram ao lado de Jeroboão (Ruben, Simeão, Zebulom, Issacar, Dã, Gade, Aser, Naftali, Efraim e Manassés) e duas (Judá e Benjamim) ficaram com Roboão. Ao longo da História esta configuração mudou um pouco, com idas e vindas de algumas tribos ou parte delas pra lá e pra cá. A capital do reino do Sul ficou sediada em Jerusalém e a do Norte, em Siquém e, logo depois, em Samaria.

Jeroboão era um cidadão astuto, que já havia causado problemas a Salomão e fugido para o Egito. Ele construiu dois bezerros e os colocou em Dã e Betel, fazendo com que a idolatria fosse uma política de Estado. Como efeito colateral o povo não precisava mais ir até Jerusalém. Também elegeu sacerdotes para lugares de adoração por todo Israel, que não eram filhos de Levi. Posteriormente, foi construído um templo no Monte Gerizim, que consolidou a separação espiritual entre os reinos do Sul e do Norte.

Samaria - Reino do Norte

Samaria – Reino do Norte

Nos tempos de Jesus, chamar alguém de samaritano quase equivalia a dizer que essa pessoal era endemoninhado: “Responderam, pois, os judeus, e disseram-lhe: Não dizemos nós bem que és samaritano, e que tens demônio?” (Lucas 8:48)

1. A fundação de Samaria. A cidade foi fundada pelo pai do rei Acabe, o qual reinava sobre dez tribos do norte, que se apartaram de Jerusalém no século 10 a.C. (1 Rs 12.19,20). O nome do rei era Onri, que comprou um monte de um cidadão chamado Semer, onde fundou uma cidade à qual deu o nome de Samaria, em homenagem ao dono anterior, e fez dela a capital do seu reino (1 Rs 16.24). Mesmo antes da dispersão dos israelitas do reino do Norte, já havia um clima de tensão entre Samaria e Jerusalém, Israel e Judá, os dois reinos que se dividiram após a morte de Salomão.

2. O cativeiro. Quando o rei da Assíria, Salmaneser, sitiou Samaria em 722 a.C., levou para o cativeiro as dez tribos do norte (2 Rs 17.3). Mas foi Sargom II, sucessor de Salmaneser V, que concluiu o cativeiro dos israelitas das Dez Tribos do Norte. Os assírios levaram as Dez Tribos do Norte para outras regiões e trouxeram estrangeiros para povoarem a terra de Israel. Os poucos filhos de Israel que ficaram na terra se misturaram com os estrangeiros deportados de suas terras (2 Rs 17.24-31). Desse modo, seus filhos não eram totalmente judeus nem completamente gentios; eram os samaritanos.

Essa mescla de povos acentuou a separação que já havia. Os povos que ali se instalaram trouxeram seus costumes e seus deuses. Conforme diz a Bíblia (II Reis 17:23) nunca mais o reino do Norte voltou à sua terra. Por que nunca voltaram é um dos grandes mistérios do mundo antigo. Inclusive a mística judaica se encarregou das mais variadas explicações, entre elas um rio que subia todo shabat, o Sambatyon, e impedia o povo de atravessar.

Alguns estudiosos pensam que as tribos do Norte tenham retornado da Assíria, não em grande número como as do sul retornaram de Babilônia. Esta dedução pode ser feita a partir de II Crônicas 30 e 35, quando diversas tribos foram convidadas para festas no Templo antes da destruição do reino do Sul e compareceram. Outros pensam que estas pessoas foram dos mais pobres que ficaram na terra, enquanto os demais foram levados cativos.

De todo modo, quando lermos sobre o retorno judeu sob Esdras e Neemias estamos falando apenas dos que foram deportados para Babilônia (II Crônicas 36:22,23). Estes o foram, definitivamente, em 586 a.C., 136 anos depois do reino do Norte, em 722 a.C.. Houvera outras duas invasões ao reino do Sul da parte de Babilônia, uma em 605 a.C. e outra 597 a.C.. O reino do Norte também havia sido invadido em 743 a.C. pela Assíria. Bom lembrar que algumas destas datas são aproximadas e se estendem por vários anos.

Resumindo:

3. As diferenças entre judeus e samaritanos. Os judeus recusaram a ajuda dos samaritanos na reconstrução do templo de Jerusalém quando Judá retornou do cativeiro babilônico (Ed 4.1-4). Os samaritanos rejeitaram as Escrituras do Antigo Testamento, adotaram apenas o Pentateuco e também construíram um templo rival no monte Gerizim. Com esses fatos, a ruptura samaritana se consolidou, mas eles esperavam também a vinda do Messias (Jo 4.25). Na era apostólica, Samaria era o nome da cidade e ao mesmo tempo da província romana.

II – O evangelho entre os samaritanos

O relacionamento cristão com os samaritanos começou de forma salutar com o Senhor Jesus e depois continuou com Filipe. Este aqui é o mesmo que foi escolhido como um dos sete diáconos (At 6.5), mas logo se destacou na pregação do Evangelho e aparece cerca de vinte anos depois como evangelista (At 21.8).

1. Jesus e os samaritanos. Os samaritanos, numa ocasião, recusaram-se a receber Jesus quando Ele estava a caminho de Jerusalém (Lc 9.52,53). Mas, na aldeia de Sicar, em Samaria (Jo 4.5), os samaritanos receberam Jesus e creram na sua mensagem como resultado do testemunho da mulher samaritana (Jo 4.39-42). A passagem do Bom Samaritano (Lc 10.25-28) foi uma lição para os judeus: eles não deviam imitar o levita nem o sacerdote, mas o samaritano. Jesus proibiu os discípulos de entrarem em cidades de samaritanos, porque Ele fora enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 10.5,6), uma vez que ainda não era tempo. Mas, depois de sua ressurreição dentre os mortos, Jesus mandou pregar também em Samaria (At 1.8). Filipe agora estava cumprindo com êxito essa missão.

Em seu ministério, o Mestre, quebrou diversos paradigmas. Um dos mais dramáticos ocorreu ali, no poço de Jacó (João 4:5). A mulher era adúltera, seu testemunho num mundo marcado pelo machismo não seria crível e Jesus era um desconhecido forasteiro. Mas, contra todas as evidências, creram em sua Palavra e vieram até Jesus.

O Salmo 87 havia previsto esse momento em que todos os povos teriam lugar no reino de Deus. Sugiro que o leiam com vagar.

2. O poder de Deus entre os samaritanos. Filipe foi impulsionado pelo Espírito Santo; do contrário, não ousaria enfrentar as hostilidades dos samaritanos. Filipe “lhes pregava a Cristo” (v.5) com poder, de modo que as multidões prestavam atenção no que ele dizia, pois “ouviam e viam os sinais que ele fazia” (v.6). Era algo inédito e que atraía as multidões: “pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados” (v.7). Essa manifestação era o autêntico poder do alto contra as hostes por meio da pregação do evangelho. Filipe revolucionou a cidade pelo poder de Deus.

3. O batismo no Espírito Santo. Havia muita alegria na cidade com a chegada de Filipe, que batizava homens e mulheres (v.12). A notícia desses fatos chegou à Igreja de Jerusalém, que enviou os apóstolos Pedro e João, os quais trouxeram o que ainda faltava aos samaritanos convertidos: o batismo no Espírito Santo. Ao chegarem à Samaria, eles impuseram as mãos sobre os novos crentes, que “receberam o Espírito Santo” (v.13).

Os samaritanos foram evangelizados e batizados, mas o texto dá a entender que não eram batizados no ou com o Espírito Santo, sendo necessário a chegada de Pedro e João, oriundos de Jerusalém, para que pela imposição das mãos os crentes ali isso acontecesse. Ao que tudo indica Filipe era cheio do Espírito Santo, mas também não batizado no Espírito Santo. Naqueles dias ser cheio do Espírito Santo era um dos requisitos para o diaconato (Atos 6:5), mas não ser batizado.

De uma forma, ou de outra, os ouvintes de Felipe, apesar de firmes na fé, precisaram ser batizados no Espírito Santo. Esta é uma das passagens que corroboram a doutrina do revestimento de poder. Os cessacionistas pregam que ao entregar a vida a Cristo determinada pessoa já é batizada no Espírito Santo. Ora, é o contrário do que vemos nesta e em outras ocasiões. Leia, por exemplo, o capítulo 19 de Atos.

Outro aspecto importante aqui, que devemos ressaltar, é que inexistem fórmulas para o batismo no Espírito Santo. Não devemos desprezar a prática de convidar as pessoas à frente, isso as torna suscetíveis a tal batismo, mas nada impede que sejam batizadas sentadas, de pé, em casa, sonhando e nas mais variadas ocasiões. A única regra bíblica é que creiam, queiram e desejem receber. Os registros de Atos favorecem a imposição de mãos por parte da liderança da igreja, pela lógica inferimos que os batizados estavam próximos à dianteira dos trabalhos, quem sabe tenham sido convidados anteriormente.

A imposição de mãos para o batismo é uma prática que lentamente caiu em desuso entre nós, costumamos orar impondo as mãos pelos enfermos, muitas vezes nem isso.

Subsídio teológico

“De fato, deveriam ter sempre em mente que o batismo no Espírito não é uma experiência climática. Assim como o próprio Pentecostes foi apenas o começo da colheita, tendo trazido homens e mulheres a uma comunhão de adoração, ensino e serviço, assim também o batismo no Espírito Santo é apenas uma porta para uma relação crescente entre Ele mesmo e os crentes. Essa relação leva a uma vida de serviço, onde os dons do Espírito proveem poder e sabedoria para a divulgação do Evangelho e o crescimento da Igreja, como evidenciado pela sua rápida propagação em muitas áreas do mundo atual. Novos preenchimentos e orientações relativas ao serviço devem ser esperadas conforme surgirem novas necessidades, e conforme Deus, em sua vontade soberana, cumprir o seu plano” (MENZIES, William W; HORTON, Stanley M. Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.106).

Uma regra que deve acompanhar avivamentos e revestimentos de poder é a disposição para o serviço. Como já dizia o Pr. Napoleão Falcão, em suas antigas pregações as quais ouvia em minha juventude, quando Deus enche alguém o envia ao trabalho. Desconfie de crentes que se dizem cheios, sem aptidão para fazer algo na obra do Senhor.

Um outro problema é necessitarmos marcar ocasiões para avivamentos. Um crente em comunhão está constantemente avivado ou deveria estar. O que acontece é que o fervor vai esfriando e não nos damos conta de buscar sermos cheios do Espírito Santo, pouco a pouco nossa reserva espiritual vai diminuindo até que passamos a indigentes espirituais. Não é um problema de Deus, é nosso! Então, nada contra tais eventos de avivamento, mas devemos pensar seriamente a este respeito.

III – Filipe em Samaria e Simão, o mágico

Antes da chegada de Filipe à Samaria, ali estava Simão, o mágico, um entre os vários impostores que afirmavam possuir os segredos da natureza e comunicar-se com o mundo invisível, dedicando-se ao ocultismo e ao curandeirismo. Tudo isso se chama artes mágicas, superstições populares e práticas enganosas sob a égide do príncipe das trevas.

1. Simão, o mágico. Nesse contexto de tanta alegria e gozo entre o povo mediante a obra realizada por Filipe, surge a figura de um cidadão: “Simão, que anteriormente exercera naquela cidade a arte mágica e tinha iludido a gente de Samaria, dizendo que era uma grande personagem” (v.9). Ele já estava na cidade antes da chegada de Filipe e era reconhecido pela população como “a grande virtude de Deus” (v.10). Isso significa que Simão se declarava um tipo de emanação ou representação do ser divino. No entanto, não passava de um embusteiro que, durante muito tempo, iludia o povo com artes mágicas (vv.9,11).

Simão era muito mais um fanfarrão caricato. O tipo que quer se dar bem sem esforço ou capacidade. Explorava a crendice popular. O texto diz que ele dizia de si mesmo ser um grande personagem. Quem sabe tecendo loas e autoelogios. Não é alguém raro de encontrar por aí afora, até mesmo em igrejas. Compare algumas traduções do final do versículo 9:

“Dizia ser alguém muito importante” NAA – Nova Almeida Atualizada

“insinuando ser ele grande vulto” ARA – Almeida Revista e Atualizada

“dizendo que era uma grande personagem” – ARC – Almeida Revista e Corrigida

“Ele se fazia de importante” – NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje

“afirmava ser alguém importante” – NVT – Nova Versão Transformadora

Outro ponto crítico da biografia de Simão é que ele aceitou a nova fé e foi batizado. Daí é que passou a seguir os discípulos até revelar seu caráter deturpado. Ao que tudo indica, porém, não foi batizado no Espírito Santo, apenas queria ter o mesmo poder que Pedro e João tinham! Em sua cabeça perturbada pensava que a ação que ocorria a partir da imposição de mãos dos discípulos era um truque. Não é raro esse tipo de comportamento na Igreja.

2. A conversão de Simão, o mágico. O texto sagrado afirma: “E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou, de contínuo, com Filipe e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito” (v.13). É difícil saber até que ponto a conversão de Simão, o mágico, era genuína, pois o relato indica tratar-se de uma conversão meramente intelectual ou artificial. A avaliação do apóstolo Pedro foi: “o teu coração não é reto diante de Deus” (v.21). Assim, impressionado com os milagres que Filipe operava, Simão teria se convencido de ser Jesus o Messias, mas não houve transformação em sua vida.

A operação de milagres traz esse risco terrível: pessoas que estão seguindo a Igreja pelo milagre e não por conversão genuína. Não é muito diferente daqueles que seguiam Jesus pelos pães que multiplicava (João 6:26). Conheço vários casos de pessoas que uma vez curadas continuam na Igreja, apenas por medo de que a doença retorne. Não pode ser assim. A cura é um chamariz, a salvação é algo muito mais valioso e exige transformação de vida.

3. A repreensão do apóstolo Pedro. Simão, o mágico, foi desmascarado na tentativa de subornar o apóstolo Pedro, pensando ser possível comprar o poder do Espírito Santo. Essa atitude não condiz com a postura de um novo convertido que ainda não compreende a natureza da fé cristã (1 Tm 3.6). Parece que Simão imaginou ter descoberto uma nova fórmula mágica, como os exorcistas de Éfeso (At 19.13) e, dessa forma, achou que podia comprar essa “fórmula” para ampliar o seu curriculum e acrescentar ao seu cardápio um novo serviço para o povo. Ele não agiu com sinceridade, por isso o apóstolo Pedro o amaldiçoou (vv. 20-23). Foi do nome de Simão que veio o termo “simonia”, que consiste no ato deliberado de comprar ou vender as coisas espirituais. Os discípulos de Simão ainda estão por aí negociando e vendendo as coisas espirituais.

Infelizmente, a simonia é uma prática generalizada no meio do povo de Deus. Óleo ungido, copo ungido, entre outros apetrechos, são ofertados todos os dias em muitas igrejas, seja pela TV, seja ao vivo. Até mesmo pastores sérios tem caído nesta artimanha buscando angariar novos membros para suas igrejas. Noutros casos igrejas sérias aderem a modismos e à uma verdadeira pescaria monetária.

O outro lado da moeda é que Pedro rejeitou a oferta. Infelizmente, só olhamos para Simão, mas quantos Pedros estão negociando seu chamado, seu ministério? Simão tinha amealhado um bom dinheiro enganando as pessoas, Pedro poderia crescer o olho no tesouro, mas repreendeu imediatamente o interesse de Simão. Hoje as modalidades se diversificaram, mas o intuito é o mesmo: tornar vendável o que é gratuito e espiritual, pois que foi dado por Deus.

Subsídio de vida cristã

“O Senhor considerará você tão responsável por acreditar numa mentira quando considerou Adão. As falsas doutrinas matam a alma. Se sairmos da Palavra de Deus para crermos numa mentira, perdemos o sangue e a vida de nossa alma. Não deixe que ninguém o engane, ainda que venha como anjo de luz […]. A Palavra de Deus nos diz: ‘Tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras (2 Co 11.13-15)” (SEYMOUR. Devocional: O Avivamento da Rua Azusa. Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.40-41).

Conclusão

A história de Simão, o mágico, nos mostra que seu comportamento foi reprovado por Deus. Há uma diferença abissal entre o poder que vem do alto, o poder sobrenatural do Espírito Santo, e os pseudomilagres operados por charlatões e embusteiros, agentes a serviço do reino das trevas. Isso nos serve de lição para estarmos alertas quanto aos líderes enganosos.

* Na Igreja Católica há padres nomeados como exorcistas cujo ministério consistes em procurar pessoas endemoninhadas para que sejam libertas. Leia mais aqui e aqui

Acesse o subsídio em vídeo!

Acesse os comentários das lições anteriores:

Lição 09 – Conhecendo a armadura de Deus

Lição 08 – Nossa luta não é contra carne e sangue

Lição 07 – Tentação – A batalha por nossas escolhas e atitudes

LLição 06 – Quem domina a sua mente?

Lição 05 – Um Inimigo que precisa ser resistido

Lição 04 – Possessão Demoníaca e a autoridade do nome de Jesus 

Lição 03 – A natureza dos demônios – Agentes espirituais da maldade

Lição 02 – A natureza dos anjos – A beleza do mundo espiritual

Lição 01 – Batalha espiritual – A realidade não pode ser subestimada

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2 Comentários

  1. Miqueas Cipriano Mendes disse:

    A paz do Senhor Querido Pastor!
    Parabéns mais uma vez pelo blog e, em especial os excelentes subsídios da EBD. Que Deus te recompense pelo carinho e dedicação em, tecer um material rico e coeso para o beneficio da obra do Eterno. Deus te faça próspero mais e mais.

  2. Eliezer disse:

    Que bênção.
    Muito bom.