Qual a oração mais difícil de ser feita!?

Orar nunca foi fácil. O problema com a oração é que não queremos esperar. Orar pressupõe entregar nas mãos de Deus e deixar que Ele aja conforme sua vontade e não fazemos isto muito facilmente. Biblicamente, a oração é mais que somente dizer o que precisamos ou entregar algo a Deus, é conversar com Ele! Algumas pessoas dizem que Deus é seu amigo, mas oram tão pouco a ponto de duvidarmos desta afirmação. Quem entende?

Há orações feitas em momentos de grande dor. Normalmente, se pede uma solução urgente, por vezes, irrefletida. Lembro de uma irmã cujo marido se feriu gravemente. Ela batia nas paredes do hospital clamando por cura e dizendo: “Eu o recebo de qualquer maneira. Cuidarei dele, não importam as necessidades. Tão somente, Senhor, cura-o!”. O homem não morreu, nem foi curado, mas a série de cuidados que inspirou daí para frente tornou aquela mulher exausta, durante os anos seguintes. Nos últimos dias ela pedia apenas que partisse em paz.

Outras orações são feitas em momentos de rancor e ódio. Filhos adolescentes que pedem a morte dos pais. Pais que pedem a morte dos filhos ou que desapareçam repentinamente. Oramos por nossos vizinhos pedindo que se mudem, por nossos patrões que estejam falidos e empobrecidos. São orações rancorosas. Se Deus as ouvisse e colocasse em prática, estaríamos perdidos.

Pedimos carros cujo IPVA não podemos pagar, cujo tanque não podemos encher, que não cabem em nossas garagens. Lanchas que não sabemos dirigir, que demandam marinheiros que não podemos pagar. Casas grandes e bonitas que não podemos manter. Se Jesus fosse dar uma piscina a quem pede, faltariam terrenos. É uma dialética antiga: Pedir o que não precisamos ou podemos manter (Tiago 4:1-3).

Mas haveria uma oração difícil de ser feita? Há sim. A oração do Pai Nosso (Mateus 6:9-13)! Talvez você não tenha notado a dificuldade porque nunca a tenha analisado detidamente. Em algumas escolas tal oração é recitada. Os alunos a memorizam, mas pouquíssimos param para pensar em suas implicações. Convido você a dar uma parada e fazer isso agora, dentro de nossas limitações.

Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;

Primeiro, Deus é seu Pai? É o que você deixa implícito na primeira frase. Se Ele é seu pai, você o obedece? Se não, que tipo de filho você é? Mas, espere, nosso Pai, isso pressupõe igualdade irrestrita. Ou você só trata Deus como nosso Pai em oração? Suas ações denunciam tal igualdade? Ou você tem sido egoísta? Em segundo lugar, ele está no Céu? Você sente sua presciência, sondando a intenção de sua oração? Ou é uma entidade distante, morando num lugar longínquo? Em terceiro lugar, como um Deus que já é santo precisa que você ore dizendo: “santificado seja o teu nome”? Não está fácil, não é? Era só uma frase simples e direta…

Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;

Se a frase anterior trazia pesadas implicações, esta arrasa um coração sem conversão genuína. Podemos ser importantes teológica, política, social e financeiramente. Porém, nosso alvo é o reino de Deus. Reino este que não apenas se manifesta e ganha dimensão real hoje como se projeta para a eternidade. “Que venha o teu reino” é a oração de um coração que anseia estar perto de Deus! Já a segunda parte esmaga toda a arrogância humana. Há alguém que disse que temos um trono no coração, no qual o eu está assentado. Quando entregamos nossa vida a Cristo, destronamos o eu e entronizamos a Jesus. Ele, através de seu Espírito, passa a nos dirigir e guiar em sua vontade. Viver para agradar a Deus não é fácil, mas não há alternativas. A última parte da frase intensifica o fato de que a vontade de Deus já é feita no Céu. Somente pedimos que seja da mesma maneira na Terra. Entendeu? Deixa eu colocar de outra forma: anjos imensos cuja presença nos faria desmaiar (Daniel 10:5-8) se conformam em cumprir a vontade de Deus no Céu e nós homens fracos não a queremos cumprir na Terra!

O pão nosso de cada dia nos dá hoje

O pão é básico e indispensável. Foi a primeira arma usada pelo Diabo contra Jesus: “se é filho de Deus, manda que esta pedras se transformem em pão”. O corpo tem fome todo dia, três vezes. Sua falta é inegável e desesperadora. Imagine fazer esta oração diante da ausência de dinheiro e de uma despensa vazia! Deus é quem nos sustenta e nos dá, diariamente, o alimento! Uma massa de bilhões de pessoas subsiste por sua vontade e poder de suprir todas as necessidades! Ele suprirá o que precisamos e o fará hoje! Confiar nesta assertiva é desafiador.

E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores

Aqui a relação de medida é impressionante. “Perdoa-nos”, pedimos. Em que medida? Pergunta Deus. Assim como nós perdoamos. A quem? Nossos amigos? Nossos parentes? Quem gosta de nós? Não! Nossos devedores! Ouvi alguém pregar dizendo que quem perdoa é maior. A Bíblia diz mais: “Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta” (Mateus 5:23,24). Não é se você feriu alguém. É se alguém tem alguma coisa contra você, a iniciativa é sua. Em nossa vã maneira de viver dizemos: “Ele que venha a mim”. Não é essa a medida do perdão que queremos de Deus.

E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.

Deus a ninguém tenta, diz Tiago 1:13,14. Cada um é tentado quando atraído por sua própria cobiça. O que Jesus preveniu foram todas as tentações possíveis, inclusive a de nos entregarmos ao pecado fazendo de Deus agente do mal. Ou seja, se Ele permitiu a tentação… Reconhecemos nesta oração nossa responsabilidade. O mais fácil é transferi-la. Em seguida o Mestre nos orientou a pedir livramento do mal. Ora, o mal é espiritual na maioria das vezes, ou quando se manifesta materialmente, já se fez realidade no mundo invisível. Não temos capacidade de compreender suas armadilhas a menos que oremos por livramento. E somente Deus poderá fazê-lo!

Ao final tudo se justifica na teologia. Ou seja, o conhecimento teológico não glorifica o homem, mas reivindica o poder do Senhor sobre todas as coisas. Boa parte das orações que fazemos são sobre o que queremos, o quanto queremos, o que precisamos. Mas tudo o que queremos ou precisamos precisa concorrer para a glória de Deus. A oração mais difícil é a que glorifica a Deus! Nunca alguém disse coisas tão profundas e complexas em tão pouco texto como Jesus!

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1 Comentário

  1. Miqueas Cipriano disse:

    Uma das postagens mais edificantes desse blog. Louvado seja Deus!