Reflexões Daladier Lima

Quatro lições do futebol para a Igreja

Será que o futebol, um dos esportes mais populares do mundo, tem alguma coisa a ensinar à Igreja? Bom, se Paulo não ignorou os atletas de seus dias, quem somos nós?

Quatro lições do futebol para a Igreja

É tempo de Copa do Mundo. O futebol é dos esportes o mais praticado no mundo. Sua capilaridade é invejável e seu poder de atrair multidões inegável. Este ano o evento terá lugar na Rússia, onde 32 equipes disputarão o pódio. O Brasil, como sempre, é favorito ao título.

Países classificados para Copa do Mundo 2018

Países classificados para Copa do Mundo 2018

A Assembleia de Deus sempre torceu o nariz para os esportes em geral e muito mais para o futebol. Hoje já temos líderes batendo uma bolinha no lazer, mas isso não era comum. Era até condenável. Me confesso avesso ao esporte, mal assisto às partidas e não tenho muita aptidão para as vias de fato. Não torço por nenhum time e digo sempre que se fosse por futebol ou novela eu seria canonizado. Deixemos, porém, de lado essa divagação e prossigamos para o que interessa ao post:

É possível à igreja aprender alguma coisa com o futebol?

O apóstolo Paulo mostra que as chamadas coisas do mundo sempre nos provêm lições importantes, que o diga sua segunda epístola a Timóteo, jovem obreiro. Em diversas passagens ele se refere ao atleta (no seu tempo não havia Copa do Mundo, apenas as Olimpíadas) em contraste com a vida e o ministério cristão. Nada do que acontecia ao seu redor era desprezado pelo apóstolo dos gentios. Evidentemente, é preciso estar com os olhos abertos para perceber o que se passa. Vamos às lições:

1) A melhor configuração para a vitória é o time!

A maioria das vezes em que a Seleção perdeu em Copas do Mundo, parte do problema era confiar num nome forte, um zagueiro, um capitão, etc. A equipe trabalhava em função dessa pessoa e o jogo escorria pela mão. Noutras vezes o que acontecia era o protagonismo de um em detrimento de outro. Sabendo da extrema competitividade do mercado da bola, um ou outro quer a aparecer pondo o jogo a perder. Às vezes, a estratégia até funciona, noutras é pura vergonha.

Um time compensa o ritmo fraco de um dos integrantes, chega mais rápido do outro lado da quadra, pode se revezar na estratégia e dar suporte a gols mais rápidos. Também assume responsabilidades nos fracassos e apóia o amigo triste e chorão. Mas, atenção!, um time nem sempre é feito apenas de bons zagueiros. É preciso ter a defesa, os atacantes, o goleiro, zagueiros e centro-avantes. Cada função é importante e fundamental. Não à toa funciona assim há décadas. Os técnicos se preocupam apenas em fazer os melhores arranjos.

Não existe maior problema hoje na igreja que a mitomania. A mania de grandeza que elege uma pessoa como o mito fundante da organização. Pior, que coloca todas as decisões em seus ombros e lhe credita todos os louros. Se essa pessoa tiver consciência de sua responsabilidade e não quiser apenas aplausosfaz seu jogo corretamente delegando tarefas aos demais, do contrário perde-se o jogo completamente. E aí só na próxima Copa…

Pastores correm esse sério risco, líderes menores também. Falamos em alto e bom som: “Ninguém é insubstituível!” Enquanto, damos um jeito de as coisas dependerem de nós, de as decisões dependerem de nós, ficarem sempre em nossa mesa ou escrivaninha – leia-se, nosso centro de poder. Não poucas vezes o resultado é a ineficiência e até o naufrágio do time. Não por acaso esse termo não simboliza uma pessoa, mas uma equipe!

Para ficar nos exemplos eclesiásticos miúdos, uma equipe pequena que ilustra facilmente nossa colocação é o grupo musical. Em muitas igrejas o/a solista se põe sozinho ao microfone, cantando o hino todo, depois sola, faz melismas maravilhosos ou nem tanto, e ninguém consegue ouvir o grupo porque ele/ela quer ser a estrela e capturar as atenções.

As empresas já descobriram há muito tempo que é a equipe que faz a organização vencer. O primeiro requisito hoje em dia para o recrutamento de um novo funcionário é se ele trabalha bem com outras pessoas! Um gestor de primeira linha no mundo corporativo é aquele que faz sua equipe funcionar. Há cada vez menos espaço para aquele que chuta a bola do gol, corre para o meio do campo, dribla os zagueiros, ultrapassa a defesa e tenta fazer o gol sozinho no campo adversário.

2) Cuidado com o excesso de confiança!

Quem não lembra do famoso 7 a 1, da Alemanha sobre o Brasil, em 2014? Havia um clima de favoritismo absoluto. Enquanto o Brasil se pavoneava nas propagandas a Alemanha fazia a lição de casa e acabou vencendo o jogo com alguma facilidade. Os torcedores incrédulos perguntavam-se: “Como pode isso acontecer?”. É a pergunta que funcionários de grandes empresas fazem quando impérios ruem. É a pergunta que muitos fazem diante da derrocada de grandes igrejas como a Renascer, que chegou a ter templos em todas as capitais e grandes cidades e hoje cambaleia.

Sem dúvida alguma, a confiança excessiva na capacidade da equipe é um dos vilões mais perigosos. Numa daquelas ironias da vida, em pequenas doses a auto-confiança é bem-vinda, especialmente para as pessoas tímidas e inseguras. Mas em doses exageradas produz grandes fracassos. Um dos problemas com ela é que tende a dar uma falsa sensação de invencibilidade, enquanto a liderança para de analisar os riscos de suas decisões, tornando-se inconsequente e irresponsável.

Olhemos para a Europa e América! Ali floresceram grandes igrejas, com comunidades vibrantes e orgulhosas de seu tamanho e opulência. Infelizmente, os relatos se multiplicam de igrejas transformadas em bares, casas de show e até, pasmem!, funerárias. Em abril do ano passado (2017) o Gospel Prime relatava o fechamento de 500 igrejas em Londres e a abertura de 423 mesquitas, algumas delas nos lugares das igrejas.

3) Técnicos e jogadores vão e vem, o time fica!

Quantos técnicos o Brasil já teve? Quantos zagueiros? Quantos goleiros? Há uma quantidade imensa de pessoas que fizeram a alegria dos torcedores e depois partiram. Uns se tornaram mais famosos ainda, outros se apagaram a ponto de nunca ouvirmos falar deles. Todos deram sua fatia de contribuição e seguiram em frente. Muitos morreram, outros estão velhos como Pelé e já não podem mais jogar.

Esta é uma realidade dura para muitas lideranças: Nós seguiremos em frente enquanto a Obra de Deus será feita por outros! Agora sim: ninguém é insubstituível. Somente Cristo! Precisamos preparar os substitutos e não estarmos preocupados em demasia em escrever nossa parte na História. Isso acontece de forma natural e, às vezes, imperceptível.

O que deve nos preocupar é fazer deste tempo presente a melhor oportunidade de trabalhar e fazer o que é necessário na Obra do Senhor. Não há oportunidade de voltar atrás. É provável que nunca mais o Brasil tenha a mesma oportunidade de 2014. Hoje, por exemplo, é uma dia histórico. Nunca mais haverá um 21/05/2018. A oportunidade que deixamos de aproveitar nunca mais se repetirá!

4) Aprenda com o jogo alheio!

Como observador de estratégia corporativa acompanho a maneira como o futebol mundial evoluiu. Há países como China, Japão e os Tigres Asiáticos que simplesmente NÃO jogavam futebol até bem pouco tempo atrás. Ou estavam fora dos círculos mais elevados. Ainda hoje ouvimos de nações que possuem as condições mínimas nos treinamentos, mas estão no páreo, jogando futebol de elite. E ainda outras aprimoraram bastante seu futebol, superando jogos passados.

Na maioria dos casos o que aconteceu foram investimentos maciços em benchmarking. O que o Brasil está fazendo? Vamos revisar todos os jogos gravados até então para neutralizar a zaga! O que há de bom no futebol inglês? No americano? No espanhol? Em muitos casos, exaustivos lances foram analisados em softwares de ponta e todas as possibilidades simuladas virtualmente.

Li em algum lugar que a diversão dos jogadores alemães consistia em assistir às partidas anteriores do Brasil. Verdade ou não, conseguiram uma bela vitória explorando os pontos fortes e fracos de nossa Seleção.

Por outro lado, se investiu em roupas, suplementos alimentares, exercícios e estudos fisiológicos, que permitiram atletas mais resistentes, melhores e mais adaptados à exaustão dos 90 minutos de partida. Vez ou outra leio de novas bolas, novas chuteiras, etc. Claro que boa parte de tanto investimento se dá por conta da audiência, mas é notável a melhoria de todas as equipes que participam do futebol em sua qualidade técnica, especialmente, nos países europeus, mais afortunados financeiramente.

Na igreja é preciso aprender com o jogo alheio. Onde outra denominação está acertando? O que empresas e corporações estão fazendo em gestão? Em marketing? Em mídia? Devemos estar preocupados em colher estes bons exemplos e evitar os deslizes cometidos por estes mesmos referenciais.

 

Há muito mais a aprender, mas eu vou ficando por aqui…

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5 Comentários

  1. Miqueas Cipriano disse:

    Texto brilhante. Parabéns Pastor Daladier Lima!

  2. Daladier Lima disse:

    Grato, meu irmão!

  3. Felipe Andre Ferreira da Silva disse:

    Dificil é entender que existem lideres que se acham dono do clube, do time, da bola, sao tecnicos, jogam no time, batem o escanteio e ainda correm pra area pra cabecear e fazer o gol, ou seja, querem fazer tudo! vai ter folego assim na Russia! kkkkkkkk.
    seu Conservo Felipe Andre.

  4. Williane Costa disse:

    Tenho certeza de que Jesus não aprova atitudes de pessoas assim.
    Elas deveriam se preocupar com o céu, querer saber de tudo, se meter em tudo, e querer ser o único do quadrado é vergonhoso.

  5. São muitas as lições que podemos aprender e trazer para a igreja, bem como são muitos os exemplos que podem ser implementados.
    O corpo é composto por vários membros, cada um com sua função específica. Importa que, ao final, o corpo todo, auxiliado por cada membro, complete a grande missão!