Retrospectiva 2020 – Parte2

Nesta segunda parte da retrospectiva 2020 focamos os demais assuntos que estiveram na berlinda neste ano. Vem comigo!

Prezados leitores, tentamos fazer uma retrospectiva ao longo dos últimos oito anos. Aliás, já fizemos a primeira parte dela enfocando a CGADB e as promessas de campanha do atual presidente. Vamos deixar o link no final. Retrospectivas são importantes para fazer o balanço de nossa atuação. Somos atores de um grande filme chamado História. Também servem para tentar evitar os erros do passado.

Infelizmente, não podemos abarcar todas as notícias. Mas 2020 se impôs como um ano atípico para todos nós e, principalmente, para as igrejas. Vamos a alguns dos fatos que se sobressaíram em 2020. Como não poderia deixar de ser grande parte do enfoque será sobre a pandemia, que afetou o mundo todo. Mas há alguns assuntos transversais.

A bajulação sobreviveu a 2020

Como já dissemos outras vezes, infelizmente, é um assunto recorrente. Num ano de parcos recursos financeiros com caixas em risco e expectativas ruins muita gente passou a bajular pra não perder a boquinha, outros para mantê-la. Vimos vídeos e declarações incríveis no tema em redes sociais e outras mídias.

Essa praga dos tempos de Salomão ainda encontra eco nas mesas e reuniões pastorais.

Acabaram-se os eventos

Com a pandemia que explodiu pra valer em março, do nada, os eventos desapareceram. Conferencistas, coaches, preletores, pregadores, avivalistas, de repente, viram suas agendas minguarem. Grandes eventos foram cancelados. Voltaram ao final do ano, mas sem aquela força que tinham. Como o pessoal está se virando? Muitos tinham algum dinheiro reservado e estão vivendo das sobras, outros se reinventaram e foram para o Youtube e monetizaram seus vídeos, outros se tornaram mais, digamos, domésticos. Teve até pregador que mudou de profissão!

A receita de tais eventos caiu drasticamente também para as igrejas. As gráficas, produtoras de camisas e outros souvenires e designers tiveram muita dificuldade para se adequar. Com o medo generalizado, as pessoas pararam de ir à Igreja. Isto significa que mesmo com alguns eventos esparsos sendo realizados o público esteve muito distante do previsto.

Alguns dos eventos programados ocorreram on-line. Outros estão comprometidos para 2021 em meio à incerteza da vacinação e outros fatores.

Houve uma verdadeira prova de fogo para as profecias

É que a pandemia chegou, se instalou, fez vítimas e quase não se ouviu a respeito. A não ser profecias genéricas e sem muito foco, os profetas estiveram calados, até que se abateu este grande mal sobre o mundo. E ainda estamos sob seus efeitos. Coloque na conta que desde o ano passado se alastrava, quase que silenciosamente pelo globo.

O cenário para 2021 é de absoluta apreensão. E há pouca profecia sobre o que teremos. Dizer que “é Jesus voltando”, é chover no molhado. Outro dom que foi muito questionado ao longo do ano foi o de curar. É que muita gente adoeceu e até morreu e houve pouquíssimos relatos de cura propriamente dita.

Outro problema nesta área foi a dificuldade do exercício dos dons e a manutenção da efusão espiritual em casa. Ainda não há um caminho muito bem definido para superar o problema, só conjecturas.

A força política das igrejas encolheu

Aqui em Pernambuco a maioria dos vereadores evangélicos não se reelegeu. Forças políticas viram seus votos se esvair. O voto na esquerda evidenciou uma face contraditória da membresia. É que embora se diga apoiadora das pautas conservadoras, vota em candidatos de esquerda. Aliás, esta é uma chaga nacional.

Outro ponto negativo é o desprezo dos governantes com a Igreja. Em vários Estados pastores presidentes não foram sequer consultados sobre as medidas, algumas das quais incluía o fechamento dos templos. Ou seja, apesar da propalada força política assembleiana fomos solenemente ignorados. Em alguns casos os governantes sequer retornavam as ligações e mensagens via WhatsZap.

A Igreja sobreviveu em casa

Os cultos on-line/lives se generalizaram. A ponto de mesmo com as igrejas abertas eles serem transmitidos. Tão cedo essa realidade deve mudar. Ponto negativo para ministérios, até grandes, que não muniram suas congregações com infraestrutura de transmissão: internet, câmeras, treinamento na mídia, etc. A CPAD lançou as premissas da inserção tecnológica em 2008, pasmem os senhores!, agora que chegou a hora da verdade fomos engolfados. Ponto positivo para líderes que transformaram água em vinho, mesmo com poucos recursos fizeram o melhor.

Choveram memes de vídeos com a câmera invertida. Eu cheguei a alertar em várias ocasiões os amigos e até criamos alguma coisa pra ajudar, dentro de nossos parcos conhecimentos do tema.

A EBD como a conhecíamos desapareceu e tão logo retorna. Administramos um grupo nacional com 50.000 membros que reportam o problema da evasão de alunos de Norte a Sul. Cresceu a qualidade das aulas on-line e muitos alunos preferem ficar em casa ou assistir durante a semana. Suspeito que a receita com a venda de lições pela CPAD caiu vertiginosamente!

A própria Ceia do Senhor, culto magno da Igreja evangélica, mudou. Crentes não puderam em alguns momentos sequer sentar para adorar em paz. Era pegando o pão e o vinho, por um lado do templo e saindo pelo outro, pra ir embora pra casa. Outras igrejas, mais organizadas, enviaram os elementos à casa dos membros. Idosos foram aconselhados a não ir à Igreja de forma alguma. Diáconos com luvas, álcool em gel para as mãos, etc. São cenários que marcaram 2020.

O atendimento pastoral cresceu

Pastores se viram às voltas com o aconselhamento pastoral. Perdi a conta das pessoas que aconselhei on-line. Os gabinetes se encheram, não somente com as crises espirituais, como financeiras e outras. Muitos sem esperança e aturdidos. Suspeito que perdemos muitos membros em todo o Brasil que ficaram sem respostas ao perder entes queridos.

Em Pernambuco novos ministérios surgiram

O Estado é conhecido por duas fortes Convenções assembleianas. A Convenção Recife e a Abreu e Lima. Com Abreu e Lima já há muito vários ministérios surgem. Este ano foram ao menos dois: Assembleia de Deus Vida e Comunhão, do Pr. Dinamércio Lima, e Assembleia de Deus Ágape, Pr. Abias Eliotério.

Com Recife, até este ano, somente uma dissidência havia e sem muita expressão. O início da pandemia coincidiu com o surgimento de dois fortes ministérios: Rede Esperança, do Pr. Jônatas Lins, baseado no litoral Sul e a Assembleia de Deus Seara, do Pr. Hélio Ribeiro, baseado no Agreste. Este último já conta com cerca de 100 congregações. Tudo isso em meio à pandemia e em apenas um ano!

Como se não bastasse a AD em Pernambuco esteve na berlinda em meio a um imbróglio judicial que se arrasta há anos. Com os olhos voltados para as redes sociais cresceu a visibilidade do escândalo envolvendo a compra do terreno para aquele que seria o maior templo assembleiano do Brasil e que acabou não se concretizando. E promete trazer dor de cabeça um pouco mais. Os vídeos dos protestos e depoimentos inundaram o Brasil e explodiram as visualizações do Youtube!

A missão sofreu grandemente

Com o impedimento para viagens em todos os continentes, missionários não puderam ser enviados em alguns lugares, noutros não puderam se locomover. Alguns grandes nomes foram vitimados pela COVID. Outros adoeceram gravemente.

Como já falamos grandes eventos missionários que arrecadavam milhões sofreram o impacto da pandemia! Em muitos ministérios as ajudas foram ou suprimidas ou diminuídas e missionários ficaram a ver navios em campo. Há uma incerteza generalizada em muitas representações missionárias. Se já falávamos de fé para esse assunto, agora virou prioridade total!

A pregação de má qualidade foi exposta

As lives trouxeram um verdadeiro show de horrores. Até se faz um culto sem conteúdo para 100 pessoas, mas na rede a audiência se multiplica exponencialmente. E as exigências também. Os memes de colocações fora de contexto e barbeiradas no púlpito se multiplicaram. Em alguns dias eu recebia excertos desses excessos de muito longe. Mostrando a força das redes sociais.

Os temas mal planejados foram expostos. As pregações sem pé, nem cabeça, entraram na ordem do dia. Infelizmente, continuam as lives e transmissões no Youtube de pregações sem a mínima condição intelectual e até espiritual. A realidade é que precisamos melhorar. E muito! Não dá pra fazer a mesma coisa e esperar um resultado diferente.

A liderança foi sacudida

A liderança foi peneirada, penso que essa é a palavra mais adequada. Infelizmente a maioria não aprendeu nada. Nem esqueceu nada. Cremos que a pandemia foi a permissão de Deus para uma geração. Mas nem todos perceberam assim. E continuaram nos mesmos erros dos anos anteriores.

Problemas de caixa emparedaram alguns. Grandes igrejas fecharam congregações deficitárias, devolveram prédios alugados e redirecionaram os investimentos.

Muitas lideranças históricas foram vitimadas pela COVID. Muitos presidentes assembleianos e outros líderes menores faleceram. Novas lideranças assumiram seus postos. Vamos ver o que teremos deles em 2021.

A miopia bíblica continuou a crescer no mundo evangélico

Infelizmente, mesmo com tantas lives, tantos vídeos e produção intelectual nosso povo não conseguiu superar a miopia bíblica crônica. Os chavões continuaram em alta nas pregações. O pessoal continua aderindo a modismos teológicos e heresias. Grandes nomes evangélicos se envolveram em polêmicas, algumas das quais quanto a interpretações básicas. Alguns questionaram a própria inerrância da Bíblia!

Conclusão

Vamos ficando por aqui. O resumo é que de 0 a 10 tiramos um 7. Não esperamos perfeição, se tiver coerência com o nosso tamanho e empáfia já está de bom tamanho. Veja a parte 1 desta retrospectiva aqui. Leia também Mesmo com lives AD brasileira fica pra trás em tecnologia

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