Salário pastoral: uma breve reflexão…

Coletei algumas impressões com amigos de dentro e fora de nosso Estado, de diversas denominações. Ora, quando os encontro ao vivo e online (uma excelente oportunidade para quem sabe aproveitar) falamos sobre tudo, o cardápio é variado. Numa dessas conversas veio à tona a questão do salário pastoral, ou prebenda como querem alguns, sustento ainda outros. Por incrível que pareça, como nas empresas, atrair e reter talentos é fundamental. Nada de pragmatismo, sindicalismo pastoral, mercantilização da fé, etc, nós, obreiros de verdade, não somos profissionais, como diz o John Piper. Por sinal um livro excelente para nossos dias.

Não vou discutir a pertinência da recompensa financeira. Aliás, é assunto bíblico, mas não vamos enfileirar versículos, para uma pessoa mais ou menos arguta basta-nos Lucas 10:4-8, Gálatas 6:6, I Timóteo 5:17,18. Ok? A questão que desenrolo é outra: como diversas Igrejas estão remunerando seus obreiros?

É impossível falar deste assunto sem começar em casa. A Assembleia de Deus nasceu como uma igreja comunitária. Todos faziam tudo de graça. O máximo que se garantia era aos pastores presidentes uma casa pastoral e algum sustento. Vivi essa realidade quando o meu avô pastoreou igrejas por mais de quarenta anos. Ao deixar aquele campo/cidade/localidade o obreiro não levava pouco mais que seu carro e família. Isso se ele tivesse se preocupado em adquirir um. Os obreiros mais centrais tinham dedicação exclusiva. E isso justificava seu ganho.

Ocorre que o perfil das igrejas vai mudando. As exigências do mundo contemporâneo ensejou para muitos ministérios a remuneração de todos obreiros. A Igreja o Brasil para Cristo garante, em estatuto, 40% do bruto para as despesas de cada congregação, prebenda inclusa. Se o obreiro tiver olho grande, come tudo, do contrário investe em novas instalações e melhora o rendimento. Pode não ser a melhor opção, mas qual a alternativa? E acrescentemos que foi uma igreja nascida a partir da nossa e tem bem menos anos, portanto, menos congregações.

Infelizmente, esta é mais uma nódoa da gestão da CGADB. Como fruto da ausência de governança corporativa na entidade há verdadeiros nababos e paupérrimos pastores. Conheci histórias de obreiros prazerosos na Obra que vivem pendurados em dívidas decorrentes de períodos de desemprego e desenvolvimento de atividades sazonais como pedreiros e carpinteiros. Mesmo sabendo que cada realidade impõe uma decisão e que há tantas distorções na gerência financeira das igrejas, nada custava à entidade sugerir regras de sustento nacionais. Teríamos ao menos um referencial.

Por outro lado, pasmem vocês! conheci de perto uma região de nosso País, onde os pastores assembleianos mais velhos e mais cansados põem outros em seu lugar, cobrando comissão. Tipo: te dou o campo de tal cidade, você pastoreia e administra e me repassa um percentual. Noutra região do sul do País um pastor foi obrigado a pedir jubilação bem jovem ainda e cheio de vigor, para poder desenvolver sua profissão. Percebeu que nada ganhava e estava ficando para trás em relação ao mercado, enquanto os pastores centrais acumulavam patrimônio.

Como dentre os dez leitores do blog há pessoas de outras denominações, em geral, as congregações assembleianas são agrupadas em áreas ou campos. Os campos e convenções concentram as ofertas das congregações a elas subordinadas. Recentemente, em conversa pessoal soube de determinada convenção que permite até 80% de retenção das ofertas para reinvestimento na área/campo. O pastor da área/campo decide como fazer a divisão dos valores e presta conta detalhadamente dos investimentos. Se for sábio fará a mesma divisão proposta no quarto parágrafo. Mais investimento = novas igrejas = mais rendimento! É uma lógica comezinha. Na Igreja Batista e outras do modelo congregacional o salário é determinado pelo colegiado de irmãos, a partir da proposta do pastor.

Outra grande questão que se impõe é que grandes e organizadas igrejas já não falam mais de sustento. Há a preocupação com a aposentadoria, plano de saúde, troca periódica de automóvel, investimento intelectual para os obreiros. Sem querer ser corporativista, não há outro horizonte possível se os queremos ter disponíveis, preparados e motivados para fazer o trabalho do Senhor! Outras igrejas, menos organizadas, preferem a contingência, que sempre cobra mais caro. Um obreiro aposentado com salário digno (ou ao menos sem depender da Igreja) é algo que enobrece a gestão eclesiástica.

Cada vez mais se impõe a necessidade de remunerar adequadamente os obreiros das congregações, áreas, campos ou que nome se dê. Há uma grande necessidade de atender às demandas das ovelhas. E o hercúleo trabalho pastoral exige tempo e dedicação cada vez maior. (In)Felizmente tal obreiro também tem suas necessidades, que não podem ser reféns de decisões pontuais.

Por falar nelas, não podemos também imaginar que tal salário seja moeda de barganha para fidelidade ministerial. Todos devemos ser fiéis, independentemente de ganhar prebenda ou salário. Quando se usa tal dinheiro como uma arma para apoio em decisões intragáveis, por exemplo, comete-se um pecado grave. O Senhor trará a lume todas estas coisas.

Sobre o autor | Website

Insira seu e-mail aqui e receba as atualizações do blog assim que lançadas!

100% livre de spam.

Para enviar seu comentário, preencha os campos abaixo:

Deixe uma resposta

1 Comentário

  1. Eliezer Souza disse:

    Nobre pastor,
    Deus em Cristo continue te abençoando ricamente.
    Excelente comentário!