Se Deus fizer Ele é Deus! E se não fizer?

Quando Deus livra Ele é Deus. E quando permite a morte violenta deixou de ser Deus? À luz da Palavra, como compreender situações tão conflitantes?

Este Natal foi triste para a família de um pastor de Goiás. Informações propagadas nos portais evangélicos dão conta que ele viajava com sua família em direção à residência de familiares no interior do Estado, quando foram atingidos por um caminhão desgovernado. O pastor perdeu o controle da direção e o carro, além de destruído pelo acidente ainda pegou fogo. Toda família faleceu. O pastor, sua esposa, seus dois filhos e uma sobrinha que viajava com ele.

Este mesmo Natal foi alegre para outro pastor que, embora envolvido em um acidente grave com seu automóvel, escapou com poucos ferimentos. Ele publicou fotos do carro e agradeceu às orações dos irmãos. Os comentários dos amigos davam conta da grandeza de Deus. Como fora grande e poderoso em livrá-lo, etc. Alguns mais açodados escreveram: “Deus é Deus, meu amigo, Ele livra!”

Aí, me veio a questão: Haveria Deus falhado em livrar o primeiro? Ora a Bíblia está cheia de exemplos de pessoas que foram poupadas em dado instante como o rei Ezequias, que adoecido mortalmente, foi curado em seguida, e ainda viveu mais 15 anos (Isaías 38). Outros foram mortos em circunstâncias terríveis. É o caso, por exemplo, de Estevão (Atos 7:58), que morreu apedrejado enquanto pregava a Palavra de Deus. Pelos relatos históricos se crê que o próprio Paulo morreu degolado pelas mãos de Nero, em Roma! Uma morte terrível para aquele que seria um dos maiores apóstolos!

A Bíblia afirma, por outro lado, que Deus faz o que lhe apraz (Salmos 135:6). A sua vontade diretiva, tanto quanto a permissiva, são exercidas com perfeita soberania. Já há uma vertente teológica (o teísmo aberto) que nega essa particularidade divina. Não podemos esquecer que a chuva cai sobre justos e injustos (Marcos 5:46,47).

Outra questão, que alguns comentários dão conta, é que o que foi livrado o foi porque merecia. Não merecemos coisa alguma! A nossa justiça (ou seja, aquilo de bom que fazemos nesta vida) valem trapos de imundície, uma expressão idiomática hebraica que se refere aos anteparos menstruais* (Isaías 64:6).

Deus livra a quem quer e poupa a quem quer. Esta é a verdade final. Não há maldade intrínseca nisso. Sempre operam sua vontade sábia e soberana. E há ainda mais. Embora a tristeza reine, devemos descansar no Senhor. Ele sempre sabe o que faz!

Por fim, leiamos o que disse Spurgeon** sobre a soberania de Deus: “Os homens permitem que Deus esteja em qualquer lugar, exceto em Seu trono. Permitem que Ele esteja em Sua oficina, moldando os mundos e criando as estrelas. Permitem que Ele esteja em Sua entidade filantrópica para dispensar Suas esmolas e conceder Suas generosidades. Permitem que Ele mantenha firme a terra e sustenha os pilares dela, ou que ilumine as lâmpadas do céu, ou governo as ondas do oceano inquieto; porém, quando Deus ascende ao Seu trono, Suas criaturas então rangem os dentes; e, quando proclamamos um Deus entronizado , e Seus direitos de fazer o que quiser com o que é Seu, de dispor de Suas criaturas como considerar melhor, sem consultá-las a respeito do assunto, então, nesse momento somos vaiados e execrados, e os homens tapam os ouvidos para nós, porque o Deus que está em Seu trono não é o Deus que eles amam. Eles O amam em qualquer lugar, exceto quando Ele se assenta no trono, com Seu cetro em Suas mãos e Sua coroa sobre a cabeça. Mas é um Deus entronizado que amamos pregar. É Deus sobre o Seu trono em quem confiamos. É Deus sobre o Seu trono de quem temos cantado esta manhã; e é Deus sobre o Seu trono de quem falaremos neste discurso. Tratarei somente, contudo, sobre a parte da Soberania de Deus, isto é, a Soberania de Deus na distribuição de Seus dons. Neste respeito creio que, Ele não somente tem o direito de fazer o que Ele quiser com o que é Seu, mas que, na realidade, exerce esse direito.”

O segredo é compreender esta verdade e se submeter ao Deus que tudo pode! Ao que É seja a glória!

*Traduções como a da CNBB referem-se ao próprio sangue menstrual

** Sermão nº. 77 pregado na manhã de Domingo, 04 de Maio de 1856, na Capela de New Park Street, Southwark – Inglaterra, disponível em: http://www.monergismo.com/textos/chspurgeon/Soberania_Spurgeon.htm

Sobre o autor | Website

Insira seu e-mail aqui e receba as atualizações do blog assim que lançadas!

100% livre de spam.

Para enviar seu comentário, preencha os campos abaixo:

Deixe uma resposta

*

1 Comentário

  1. Elizeu Barros disse:

    Essa é uma verdade que muitos fazem questão de negar. O Senhor não tem nenhuma obrigação de livrar os seus de qualquer adversidade. Neste mundo somos sujeitos a tudo. É certo que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam. TODAS as coisas também incluem as tais adversidades. Confiemos, portanto, no Senhor que é soberano, cujo amor é infinito e cuja vontade vai além da nossa compreensão.