EBD Daladier Lima

Mulheres que ajudaram Jesus – Subsídio para a 6ª Lição – 10/05/2015

Mulheres que ajudaram Jesus – Subsídio para a 6ª Lição – 10/05/2015

Prezados, como vocês poderiam esperar, o subsídio sobre as mulheres que ajudaram Jesus feito em nosso blog tende a ser um rastilho de pólvora. Não por mim, mas pela dimensão que o assunto toma entre nós. Mas vamos devagar, a intenção não é polemizar, mas informar. Se a informação é polêmica, paciência? Não sou eu que dito a realidade histórica entre nós, muito pelo contrário.

Origens do preconceito contra as mulheres

Como sabemos foi Eva quem induziu Adão à queda (Gênesis 3:6,7). Mas este não pode ser isentado. Ele ouviu a narrativa da mulher e aderiu de bom grado à tentação. Desde, então, alguns estudiosos e as pessoas em geral, culpam a mulher pelo desastre da Criação. Paulo esclarece o assunto nos seguintes termos: E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão (I Timóteo 2:14). No famoso diálogo entre Deus e Adão, este tratou logo de transferir a culpa.

Outro aspecto importante é que a mulher representa a tentação no inconsciente coletivo. É assim que muitos gabinetes pastorais estabelecem que um homem adúltero está mal servido na cama, até que se prove o contrário. As mulheres sempre tentam compenetrados servos, que nunca olham para a tentação. Entenderam ou fui sutil?

De fato, muitas mulheres ao longo do tempo fizeram jus à pecha de objetos do desejo. Mas, quem as deseja não participa do jogo concupiscente? O que dizer da divisão que existia outrora (e ainda existe) em que mulheres e homens sentavam em grupos de bancos separados nos templos? Por que é comum a seguinte cena: Está um casal ladeado por um homem, portanto, dois homens e uma mulher. Alguém chega, saúda com a paz, aperta a mão dos dois homens e apenas acena para a mulher? Baixa imunidade? Não sei…

Dúvidas ainda a quanto perdura a tendência. Olhe esta foto. É do nobre comentarista da lição. Clique e amplie, para poder analisar os detalhes, retomaremos a seguir (Destaco que o assunto que estamos desenvolvendo não tem nada a ver com o Pr. José Gonçalves, ele apenas teve a coincidência de estar nesta foto de exemplo e ser o comentarista da lição do trimestre).

Pr José Gonçalves ladeado por Michelle Anthony e Marlene LeFever

Pr José Gonçalves ladeado por Michelle Anthony e Marlene LeFever

Essa Michelle Anthony que vêm acima parece com esta aqui, toda maquiada?

Michelle Anthony

Michelle Anthony

E a Marlene LeFever parece com esta aqui?

Marlene LeFever

Marlene LeFever

São as mesmas pessoas! Mas alguém deu a ideia de descaracterizá-las e elas aceitaram. Se alguém tiver uma explicação razoável… Ou por outra e para poupá-los, coloquem o nome delas no Google e pesquisem suas imagens.

Fiz a digressão para mostrar com um exemplo prático como funcionam as coisas entre nós.

As mulheres no Judaísmo

A medida que podemos obter da mulher no Judaísmo está no livro de preces, o Siddur[1], que os rabinos recitavam ao amanhecer em oração: Te agradeço, ó Deus, porque não me fizeste gentio, escravo ou mulher! Outro exemplo é que a Lei jamais deveria ser ensinada a uma mulher, os rabinos diziam que era perda de tempo. Então, no Judaísmo a mulher não tinha muito valor como ser humano. Vejamos mais algumas coisas:

1) Se acusada de adultério, era obrigada a provar que não traiu o marido;

2) Apanhada em adultério, era tida como a indutora do ato;

3) Não podia conversar com seu marido na rua, nem tocá-lo;

4) Se presenciasse um crime, não poderia testemunhar um flagrante numa corte;

5) Nos dias da menstruação não deveria cultuar no Tabernáculo ou Templo, pois estava imunda;

6) No recinto do Templo do tempo de Jesus, que não era o de Salomão, não podia cultuar junto aos homens, havia o átrio das mulheres[2];

7) Nunca tinham oportunidade para cantar ou pregar no Templo. No Velho Testamento todo só há duas menções a mulheres cantando perante a congregação (II Crônicas 35:25, talvez, e Esdras 2:65 e Neemias 7:67, que falam do mesmo episódio). Note que não incluímos Miriã, as mulheres que louvavam os feitos de Davi e Saul, etc, porque não era um cântico congregacional, com espaço para a mulher, como temos hoje, mas algo espontâneo realizado nas ruas. Duvido que as mulheres não cantassem em casa, por exemplo…

8) Só podia ensinar na sinagoga se todos os homens de uma comunidade morressem (numa guerra, por exemplo). As prostátis, então, assumiam o ensino dos mais novos e dos demais;

9) Deveriam ser compradas em dote no casamento;

10) Geralmente, não podiam escolher seu pretendente. Era a família que fazia isso!

11) Em muitas culturas as irmãs mais novas só podiam casar depois que as mais velhas estivessem casadas;

12) Não tinham herança;

Nota em 09/05/2015, 19:00h: Em debate telefônico com o Pr. Misael Charamba, meu amigo, fui lembrado do caso de Números 27 que é uma das referências da lição. Champlin, na página 89 de sua Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, informa que as mulheres só ficavam com herança se o pai não tivesse filho homem. Porém, se ela se casasse com um homem fora da linhagem de sua família, perdia todos os bens, para a família de seu pai. E acrescenta, pasmem!, que a viúva não ficava com a herança, a menos que casasse com o goel, ou parente remidor. Se ela não quisesse casar com o parente remidor só teria direito ao que construiu em conjunto com o marido, depois de iniciado o relacionamento. Agradeço ao nobre Misael a lembrança e o telefonema.

13) Quando nascia um filho homem havia festa, quando mulher, havia tristeza;

14) Ao marido era permitido divorciar-se de uma mulher, se ele a achasse feia com o tempo, por exemplo. Ao menos era a tese defendida por Hilel que tinha seus vários seguidores;

15) Ele também poderia abandoná-la se não tivesse filhos, mas ele é que poderia ser estéril, só não havia como provar. E ainda que fosse provada a esterilidade da mulher, que culpa tem ela? Justifica o abandono se ela é dona de casa e boa mulher em tudo o mais que faz? Ou é porque é o elo fraco, que socialmente não teria o que reclamar?

As mulheres nos tempos de Jesus

Nos tempos de Jesus estavam em plena vigência tudo que falamos acima. O Judaísmo e suas várias seitas eram absolutamente intolerantes com o sexo feminino. O Mestre é que alterou totalmente o status das coisas. Primeiro, permitiu que mulheres o acompanhassem e servissem com seus bens (Lucas 8:1). Uma delas lhe tocou e ungiu seus pés, fato absurdo para aquela época. Em breve resumo:

1) Foi uma mulher a primeira pessoa a pregar aos próprios judeus (Lc 2.37,38);
2) Foi a última pessoa ao pé da cruz (Marcos 15:47);
3) Foi a primeira no túmulo e a ver Jesus ressuscitado (João 20:1);
4) Primeira pessoa a proclamar a ressurreição para os discípulos (Mateus 28:8).

Temos também que Jesus dialogou em público com mulheres: A samaritana (João 4:9), Maria (João 11:20), a mulher do fluxo de sangue (Lucas 8:43) e uma estrangeira, siro-fenícia (Marcos 7:26) e diversas outras mulheres (Mateus 20:20).

As mulheres na Igreja

Mas, foi no Cenáculo que foram quebradas todas as regras impostas às mulheres. Estavam presentes na primeira reunião de oração (Atos 1:14). Lembremos que os homens não se reuniam no mesmo local com elas. Lá desceu do Espírito Santo e elas falavam em línguas junto aos homens. As pessoas que ouviam o grupo misto pensavam que era uma orgia e que estavam bêbados, dado ser incomum tal reunião (Atos 2:13-15). Mas à frente lemos de mulheres que profetizavam, como as filhas de Felipe (Atos 21:8,9).

Daí a mulher passou a ter um papel preponderante no ministério dos apóstolos, a ponto de Paulo citar diversas delas em Romanos 16. Porém, ecoando sua cosmovisão o apóstolo as proibia de ensinar (I Coríntios 14:34). Com o passar do tempo, porém, vemos o surgimento de diversas atividades nas quais as mulheres foram encaixadas. Ensino de crianças, cuidado de adolescentes, canto coral e vocal, pregação e envio como missionária. Notemos que nenhuma destas funções está explicitamente autorizada pelo Novo Testamento. As mulheres nunca reclamaram da terceirização…

É notável como os papéis foram se misturando. Por que mulheres prestam hoje o serviços dos diáconos (Atos 6), visitando os enfermos? Praticidade? A conferir…

Feminismo

Embora compreenda que as mulheres devem ter seu papel reconhecido nas igrejas, repudiamos totalmente as modernas premissas feministas. A grande tentação do movimento é subverter o papel do homem. Ora, sabemos que até fisiologicamente somos diferentes, mas somos complementares. A igreja não pode abonar este movimento, especialmente no que diz respeito ao aborto.

Há, porém, uma ressalva. Diversas premissas do movimento emancipam a mulher sem prejudicar o norteamento da Igreja pela Palavra de Deus. É o caso do voto e do direito de propriedade. No Brasil, até 1932, a mulher não votava, o que é um absurdo para nós hoje! É inadmissível, por exemplo, que uma mulher formada e competente num determinado ramo do saber obtenha um salário menor ou que seja impedida de trabalhar por causa do seu sexo.

Atualidade

Na atualidade a mulher é versátil em nossas igrejas e fora dela. Algumas alterações sociais como um maior papel da mulher no trabalho e sua ausência no lar, ensejam uma análise mais aprofundada, que não temos tempo e espaço agora para fazer. Fica, porém, a constatação de uma lenta e gradual mudança no status das mulheres em nossas igrejas e a tendência é que o espaço ocupado por elas fique cada dia maior.

Como nem tudo são flores, infelizmente, a mulher evangélica hoje enfrenta alguns dramas silenciosos: a violência, a agressão sexual, a convivência com as drogas, jugo desigual, pressões no trabalho, problemas de saúde, alguns dos quais afetam diretamente o sexo feminino, como o câncer de mama e útero. No cômputo geral, temos inúmeras vencedoras em todos os quesitos, sobressaindo uma mulher forte e abençoada.

Que acham?

[1] http://www.pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1580866/jewish/Bnos-Matinais.htm

[2] http://dubitando.no.sapo.pt/josefo2.htm#1-1-i

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3 Comentários

  1. BELO ARTIGO, IRMÃO, ESCLARECEDOR.