Três comportamentos reprováveis da liderança evangélica!

Sem prejuízo de outros, há três comportamentos reprováveis na liderança evangélica. Analise comigo quais são. Compartilhe, curta, comente!

Meus prezados leitores, liderança evangélica é um tema recorrente aqui no blog. Vocês já devem ter lido artigos aqui que os fizeram pensar, atuando contra lugares comuns, tão perigosos ao trabalho, ao relacionamento e ao funcionamento das igrejas. Desta vez vamos abordar três posturas que, mesmo existindo desde sempre, ainda causam repulsa no rebanho.

O primeiro desses problemas é uma prática generalizada na Assembleia de Deus. Em reuniões de trabalho, ao púlpito, em momentos de afobação ou arroubo impensado é comum que se fale algo semelhante a: “Está insatisfeito aqui, vá embora! Não queremos pessoas insatisfeitas!”. Tornou-se, inclusive, comum usar, fora de contexto, a ideia de que se uma pessoa ou um pequeno grupo está insatisfeito o problema é deles e liderança nada tem a ver.

Ora, é fácil chegar a conclusões reducionistas. O líder sempre vai querer se safar bem rápido de um problema. Se ele tem o grupo maior ao seu lado, tende a dar-se ao luxo de se livrar de uma ou dez pessoas discordantes. Não fará muita diferença e ele volta a atenção aos seus afazeres. A questão é que o problema pode estar no seu estilo, na sua gestão, na maneira como conduz os trabalhos e aí o grupo vai ficando cada vez menor, enquanto a discordância cresce.

Um outro ângulo do problema é que nosso tempo alardeia a necessidade de líderes preparados. Estão por aí os coaches, os manuais de liderança eclesiástica, os artigos na internet, todos falando a mesma coisa: é preciso lidar com a diferença, a discordância, com habilidade e respeito. Os princípios são bradados aos quatro ventos ao mesmo tempo em que expulsamos a matéria-prima da Igreja?

Que lógica haveria ao assistirmos um pastor de ovelhas abrir a porta do seu redil e dizer a uma ovelha: “Não gosta do meu estilo de liderança? Vá embora!” ou “Está desconfiado da minha prestação de contas, funde um ministério pra você!”. Certamente ficaríamos chocados.

A coisa ganha ares pitorescos quando aqueles que discordam são comparados a Datã, Coré e Abirão. Ou a laranjas podres que precisam ser extirpadas pra não contaminar as demais. Aí vem a rogação de pragas, sim, os salvos não deveriam fazê-lo, mas fazem. Já ouvi falar até de casos em que há produção de provas fajutas pra incriminar um dissidente. Antigamente, haviam as profetadas, produzidas sob medida para afastar a discordância, podia funcionar ou não. Os tempos modernos pedem praticidade.

Pra finalizar, muitos desses casos revelam-se cortinas de fumaça dos desmandos da liderança. Não tendo o que fazer, aproveitam para canalizar a atenção para um desafeto. Daí todo o grupo olha naquela direção e o foco sai do líder. Na Bíblia há vários casos desses, líderes como Saul e Acabe usaram o artifício de forma recorrente.

O segundo comportamento que causa asco é dizer que a igreja não recebe ovelhas com problemas. Sempre se concebeu o rebanho como sinônimo de hospital, quando chega alguém doente é para deixar do lado de fora? Temos aqui um comportamento pragmático e imediatista. Queremos as boas ovelhas, aquelas que ofertam bem, aquelas que só nos dão alegria e nunca trazem problemas, nem confrontam eventuais decisões equivocadas. Mas será esse o padrão?

Jesus teve um pequeno rebanho fixo aqui na Terra. É verdade que muitos o seguiam, mas o grupo constante eram doze. Que equipe controversa, não!? Que rebanho complicado? Quase ninguém tinha nada pra dar. Alguns eram obscuros e nunca se ouvia falar deles. Outros era inescrupulosos como Pedro e Judas. Mas Jesus não abandonou ninguém. E até ofereceu um jantar farto na noite que seria traído por um deles e deixado para trás pelos demais!

Do ponto de vista humano, dos manuais, dos coaches, etc, ninguém duvida que Jesus é um líder exemplar, mas também haveremos de reconhecer que sua equipe não era das melhores. Quem escolheria Pedro? Judas? Jesus! É isso que um líder que deseja imitá-lo faz, porque esse é o povo de Deus! Com alguma frequência fariam tudo que os israelitas fizeram no deserto, enquanto torcem o nariz para sua rebeldia! Portanto, escolher apenas boas ovelhas não é o trabalho de um bom líder, mas de um oportunista!

Aliás, um bom líder nem escolhe quem serão suas ovelhas, mas faz seus trabalhos enquanto elas chegam ao seu rebanho, de forma natural e paulatina! Elas são tratadas, moldadas e crescem na graça, no conhecimento e também na prática da Palavra! Mas se é um grupo humano não devemos esperar nada menos que crises, tensões e problemas.

A última prática, por hoje, é dizer que ovelhas que procuram outro aprisco são rebeldes e desviadas. Do ponto de vista assembleiano é uma enorme contradição. Ora, a AD brasileira nasceu de uma divisão da Igreja Batista, que por sua vez saiu da Igreja Anglicana, que saiu da Igreja Luterana, que saiu da Igreja Católica e por aí vai. Porque sim, porque não, está fora do escopo desse post. Precisamos encarar a realidade. E o que acontece é que as pessoas se indispõem, enfrentam incompreensões, incompreendem, etc. Devemos respeitar suas decisões, sem estigmatizar.

Há décadas sair de uma denominação pra outra era algo impensável. Muitos tinham até como pecado mortal, famílias se intrigavam para sempre. As coisas vem mudando rapidamente, até porque certos paradigmas se romperam. O do líder infalível, enquanto comete falhas grosseiras, do líder divino, enquanto comete absurdos na gestão e locupleta-se da ingenuidade da membresia. Tantos e tantos fatores tornaram o rebanho crítico que as mudanças são inevitáveis e até desejáveis.

Aqui também vale o ditado: “Não é a altura da cerca que retém o gado, mas a qualidade do pasto”. A igreja cansou. Cansou de falsos moralistas, de esbanjadores, de aproveitadores, de gente vazia da Palavra, de obreiros contraditórios, que recomendam uma coisa e fazem outra, cansou até de pecados ministeriais. E elas vão se mudar com cada vez mais frequência. É um movimento que não dá pra impedir, muito pelo contrário.

O que a liderança deveria fazer numa debandada é repensar as estratégias e realinhar a atuação para evitar novos problemas. Via de regra, o que acontece é a estigmatização de quem sai e sua condenação. Esse tipo de comportamento destoa totalmente de Jesus em Marcos 9:38-40.

Pra piorar temos o COVID, uma zona cinzenta onde as linhas que agregavam os irmãos foram testadas e se romperam. Esse caldeirão de variáveis vai desaguar em mudanças profundas e imprevisíveis após a quarentena, se é que já não estão acontecendo. Surgirão novas igrejas, com novos modus operandi, renovação da liturgia e questionamento doutrinário, quem se engessar vai ficar pra trás. Se isso é bom ou não, não saberemos até lá. Quem viver, verá!

Assista esse conteúdo em vídeo.

Acesse também Previsões sombrias para a liderança evangélica

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