Um Inimigo que precisa ser resistido

Um Inimigo que precisa ser resistido - Subsídio para a lição 5. As exortações da carta de Tiago a fim de que a Igreja possa estar vacinada não dando espaço interno ou externo às suas investidas.

Prezados leitores, novamente agradecemos pela grande quantidade de acessos aos primeiros quatro subsídios deste trimestre. Vamos adiante analisando o tema Um Inimigo que precisa ser resistido, assunto da 5ª lição do nosso trimestre.

Nesta lição o tom do comentarista é mais devocional. Isso não é menos ou mais importante, é apenas um detalhe interessante e necessário. O professor precisa entender a estrutura de aprendizado proposta pelo comentarista. Primeiro, ele delineou a realidade do conjunto de forças espirituais que opera neste mundo, depois mostrou quão real e quão próxima atua e agora vai falar da necessidade de cada um de nós resistir à opressão e à tentação deste sistema demoníaco.

Como sempre, reproduzimos o texto da lição (exceto algumas partes), para ajudar seu foco e não força-lo a ter de sair para consultar a lição. Colocamos o conteúdo da lição em azul e nossos comentários e subsídios em preto. Vamos em frente?

Texto Áureo

Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. (Tg 4:7)

O verbo grego utilizado aqui é ἀνθίστημι (lê-se, anthistêmi), que se aplica:

  1. À oposição a uma ideia ou conceito, uma mudança de 180º em relação à direção proposta;
  2. Recusa em abandonar uma posição, sair de determinado lugar;
  3. Declaração de uma posição pessoal;
  4. Defender uma possessão;
  5. Resistir a um oponente – este significado de uso militar.

Cremos que todas as acepções se aplicam de alguma maneira ao posicionamento cristão de oposição ao príncipe das trevas. Mas, Tiago está pensando exatamente como Paulo, em Efésios 6. Embora os apóstolos não fossem homens de guerra e sequer houvesse um exército na perfeita acepção da palavra entre os judeus de sua época, estavam habituados a observar o modus operandi dos soldados romanos.

É pois, cremos, esta última perspectiva que preenche a mente do escritor da carta universal de Tiago. Estamos em guerra, devemos lutar bravamente até que o Diabo fuja de nós. Um recado claro que permeia o Novo Testamento é que não apenas estamos em constante oposição contra as forças malignas, como ao nos aliarmos a Cristo nos declaramos incondicionalmente inimigos destas mesmas forças.

Qualquer outra definição da palavra cristão deve transparecer pertencermos a Cristo em oposição a quem não lhe pertence neste mundo. Em outras palavras, entregar a vida a Cristo nos torna, automaticamente, inimigos das forças do mal. Não há meio termo! É um choque de realidade! A vida cristã não é um parque de diversões, mas uma arena de lutas diárias!

Verdade Prática

O Senhor Jesus provou na tentação do deserto que o Diabo não é invencível.

Os ingredientes para nossa vitória são os mesmos utilizados por Jesus, quais sejam:

  1. Submissão à vontade de Deus;
  2. Preparo espiritual, através da oração e jejum;
  3. Preparo psicológico, focado no que é eterno e superior;
  4. Preparo intelectual, através da leitura da Palavra de Deus;
  5. Consciência de que dado o estado espiritual de nossa luta, não podemos vencer com as armas da carne!

Leitura Diária

Leitura Bíblia em Classe

Tiago 4.1-10

1- Donde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura, não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?
2- Cobiçais e nada tendes; sois invejosos e cobiçosos e não podeis alcançar; combateis e guerreais e nada tendes, porque não pedis.
3- Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.
4- Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.
5- Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: 0 Espírito que em nós habita tem ciúmes?
6- Antes, dá maior graça. Portanto, diz: Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes.
7- Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.
8- Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Limpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai o coração.
9- Senti as vossas misérias, e lamentai, e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo, em tristeza.
10- Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará.

Objetivo geral

Estabelecer a perspectiva bíblica de resistência ao Diabo.

Objetivos específicos

I- Falar a respeito dos destinatários, conteúdo e tema da epístola;
II- Refletir a respeito dos deleites da vida;
III- Conscientizar que devemos resistir o Inimigo.

Introdução

Essa seção da epístola de Tiago é, em outras palavras, um chamado à santidade. A carta é dirigida aos cristãos do primeiro momento da história sagrada. Tiago mostra que resistir ao Diabo já era um bom começo. A presente lição esclarece por que devemos resistir às paixões e mostra ainda que a amizade com o mundo é inimizade contra Deus.

Um bom início de preparação para a aula desta semana é estudar a Carta de Tiago. Assim, é possível compreender bem contexto em que se encontra a seção que nos interessa. Logo, será possível perceber em seus estudos que o contexto da seção versa a respeito do “chamado à santidade”. Esse procedimento é importante porque a ausência dele permite ao movimento moderno de “batalha espiritual” distorcer e forçar tanto o texto bíblico.

Quem era Tiago?

Tiago é um nome que aparece quatro vezes no NT, duas entre os discípulos de Jesus:

  1. Tiago, o filho de Zebedeu, é um dos doze apóstolos de Cristo (Mt 10:2) e irmão do apóstolo João (Mt 10:2). Juntamente com este e com Pedro, foi especialmente íntimo do Senhor Jesus (Mt 17:1; Mr 5:37; 9:2; 14:33), e foi martirizado por Herodes (At 12:2), por volta de 42 a 44 d.C.;
  2. Tiago, o filho de Alfeu (ou Cléopas, ou Clopas) e de Maria (a irmã de Maria, a mãe de Jesus, Jo 19:25), era primo de Jesus e um dos doze (Mt 10:3). Irmão de José (Mc 15:40), intitulado Tiago, o Menor (em estatura);
  3. Tiago, o irmão do Senhor Jesus (Mt 13:55; Mr 6:3; Gl 1:19), em momento algum as Escrituras dizem que era apóstolo. Tal como todos os irmãos de Jesus, não creu durante seu ministério terreno (Mc 3:21; Jo 7:5) e até o desprezou (Jo 7:3-8). Mas, após a ressurreição Cristo lhe apareceu (1 Co 15:7) e, somente então, ele e todos seus irmãos se arrependeram, creram, e ajuntaram-se aos discípulos (At 1:14). Tornou-se líder da assembleia em Jerusalém (At 12:17; 15:13; 21:18; Gl 1:19; 2:9,12) ainda de modo desconhecido para os estudiosos;
  4. Tiago, irmão do apóstolo Judas (Lc 6:16; At 1:13). Este Tiago não era apóstolo, nem é irmão de Jesus (Mt 10:4).

Desde bem cedo se discutiu qual dos Tiagos, exceto o último, seria o autor da epístola, mas parece não haver consenso. Alguns eruditos atribuem a autoria a Tiago, filho de Zebedeu. O Codex Corbeiensis, códice latino do quarto século, no final da Epístola tem uma nota lhe atribuindo enfaticamente a autoria. Outros creem que é Tiago, o irmão do Senhor Jesus, o autor, por conta de sua proeminência na Igreja Primitiva, como já falamos.

A própria epístola, Barclay informa, tanto na igreja oriental, quanto na ocidental, teve sua canonicidade discutida. No Cânon Muratoriano, a mais antiga lista de livros do Novo Testamento, ela não aparece (mas também não aparecem as cartas de Pedro e Hebreus). Até que Jerônimo e Agostinho viessem a defender sua autenticidade. Não há nada no conteúdo que desabone. É a indefinição de sua autoria que ofereceu tal resistência.

A estrutura e os destinatários da carta de Tiago

A estrutura da carta gira em torno de conselhos práticos. Seria o Eclesiastes do Novo Testamento. Acredita-se que tenha sido o primeiro escrito dos primeiros pais da Igreja, porque não a mencionam diretamente, e se dirige aos judeus, como se ignorasse a grande conversão de gentios que se sucedeu às viagens de Pedro e Paulo. Seu tema principal é a vida prática como expressão da fé. Estima-se que tenha sido escrita por volta do ano 45 d.C.

Os destinatários iniciais eram os judeus da Diáspora, que é um termo técnico para os judeus que estavam espalhados pelo mundo conhecido. Essa disseminação da religião judaica gozava de relativa permissão do governo romano e se aglutinava em torno das sinagogas. Tal arranjo viria a facilitar a pregação do Evangelho. Não poucas sinagogas foram utilizadas como os primeiros lugares de reunião e culto dos primeiros salvos.

Vale lembrar que essa Diáspora ocorreu a partir da destruição do reino do Norte em 722 a.C., na qual dez tribos foram levadas pela Assíria e nunca mais voltaram. Já Jerusalém, a capital do reino do Sul, caiu por volta de 586 a.C. e seus habitantes foram levados para Babilônia. Retornando de lá 70 anos depois. Em 63 a.C. Pompeu conquistou Jerusalém e forçou muitos judeus a irem até Roma. Assim eram empurrados cada vez mais longe da Terra Prometida e iam espalhando seus costumes e as sinagogas, onde estudavam a Tanach e produziam literatura.

Por óbvio, o que Tiago tinha em mente ao endereçar sua carta não eram aos judeus em geral, mas àqueles que se decidiam por Cristo. Era um número crescente. Mas acaba dando uma pista da antiguidade desta carta ao ignorar os convertidos gentios, ainda em pequeno número naquele momento.

É conveniente ao aluno ou professor ler ou reler, se já tiver lido outrora, toda a epístola de Tiago. É um livro bem pequeno, são só 5 capítulos e 108 versículos.

Ponto Central

O Diabo não é invencível.

l – A epístola de Tiago

A Epístola de Tiago é o escrito mais antigo do Novo Testamento e tem por objetivo evitar desentendimentos entre os discípulos de Cristo. Segundo a maioria dos expositores bíblicos, a sua composição não vai além do ano 45 d.C.

1. Destinatários.
A carta foi dirigida especificamente aos primeiros cristãos dispersos, de origem judaica, pelo vasto império romano (Tg 1.1); e, de maneira geral, a todos os crentes em Jesus em todos os lugares e em todas as épocas. Trata-se de um livro prático, muito próximo do Sermão do Monte proferido por Jesus em Mateus 5 a 7 e importantíssimo para a conduta do cristão.

2. Conteúdo.
O conteúdo da epístola parece confirmar essa antiguidade, isso pelos aspectos cristológicos praticamente ausentes. 0 nome de Jesus só aparece duas vezes nos seus cinco capítulos (Tg 1.1; 2.1). Há pouco ensino doutrinário, pois a assembleia dos discípulos era ainda tida como sinagoga: “Porque, se entrar na sinagoga de vocês um homem” (Tg 2.2, Nova Almeida Atualizada). O termo “igreja” aparece aqui (Tg 5.14), mas o emprego da palavra “sinagoga” como alternativa mostra que Tiago vem de uma época em que os discípulos eram chamados de “o movimento de Jesus”.

3. Tema.
Ao separar a fé das obras, a epístola enfatiza o cristianismo prático e nos dá munição para resistir ao Inimigo e ao pecado. Tiago retoma o tema tratado no capítulo anterior sobre a “amarga inveja em sentimento faccioso em vosso coração” (Tg 3.14), próprio de uma sabedoria “terrena, animal e diabólica” (Tg 3.15) e presente na vida daqueles primeiros cristãos. Esses problemas vêm atravessando os séculos e hoje não é diferente, pois o problema da natureza humana permanece o mesmo. O ensino aqui está tratando do caráter cristão que precisa ser afinado com o sentimento de Cristo.

II – Os deleites da vida

Tiago emprega aqui uma metáfora que ainda hoje usamos em nossos debates, discussões e conversas sobre dificuldades nas mais diversas áreas da vida.

1. Guerras e pelejas (v.1).
Há quem afirme que essas guerras e pelejas sejam uma referência às disputas internas que havia entre os judeus de Jerusalém nos levantes contra Roma. A população da Judeia estava dividida nessa época sobre a luta pela libertação do poder romano. Mas não é disso que Tiago está falando aqui. Essas palavras metafóricas são pesadas e mostram o nível das disputas entre os crentes por causas dos deleites, ou seja, os maus desejos interiores (v.2). Não se trata aqui de debates teológicos entre os mestres. A expressão “guerras e pelejas” refere-se às discussões acirradas sobre “o meu e o teu”, e isso é muito grave.

Já naqueles tempos primevos a Igreja se via no centro de grandes disputas (Gl 2:11). Haviam as ameaças externas: os judaizantes, os gnosticistas, os estóicos, os epicureus, os céticos, o poder romano. E haviam os desafios internos: a estrutura eclesiástica, a divisão de poder, a pureza doutrinária, a urgência das missões. Mal havia terminado o livro de Atos e já temos a questão que deu origem à instituição dos diáconos, a questão de Ananias e Safira, o embate entre Paulo e Pedro sobre os gentios e as desavenças entre ambos sobre Silas.

E havia, obviamente, os debates sobre o nível de santidade e prática exigido para a nova comunidade espiritual chamada Igreja. Ao contrário do que se imagina lendo relatos como o de Atos 4:32, a Igreja nascente viveu um nível de tensão parecido com o que temos hoje em dia. As grandes questões do nosso tempo só perdem em amplitude pela quantidade de pessoas envolvidas.

Tiago abre sua carta de modo dramático. Já no capítulo 1, versículo 2, escreve: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações”, onde transcreve o substantivo grego πειρασμός (lê-se peirasmós), que significa provação, teste, tentação, calamidade. Demonstrando as grandes dificuldades dos momentos iniciais da Igreja. Mas, foquemos no problema do pecado, que tão de perto rodeava aqueles primeiros salvos.

2. Os deleites.

Ou maus desejos que eram a motivação dessas pelejas: “dos vossos deleites” (v.1). 0 termo “deleites” (vv. 1,3) é hedoné que aparece cinco vezes no Novo Testamento para descrever deleites ou prazeres ilícitos (Lc 8.14; Tt 3.3; Tg 4.1,3; 2 Pe 2.13). Originalmente significava o prazer experimentado pelo sentido do paladar, posteriormente por meio dos outros sentidos e da mente; no período helenista, o conceito se restringiu ao significado de “gozo sensual, deleite sexual”. É a procura indiscriminada do prazer. O hedonismo permeia o pensamento pós-moderno. Hoje, qualquer esforço disciplinado ou o mínimo de sacrifício para se atingir um objetivo são tratados com profundo desgosto.

ἡδονή (lê-se, rrêdonê, com ênfase na última sílaba) é uma palavra que ocorre apenas cinco vezes no texto grego do NT. Tem a conotação de ação movida pelos sentidos. O hedonista busca sempre satisfazer seus desejos sem medir as consequências. A peleja eclesiástica movida pelo hedonismo visa a satisfação do ego, o acúmulo ou conquista de poder e dinheiro.

O justo contrário de tudo isso é o Senhor Jesus, que sendo rico fez-se pobre, sendo poderoso, humilhou-se até a morte (Fp 2:1-3). Quando queremos ser os maiores, mais fortes, mais inteligentes, a soberba nos invade e começam as pelejas.

3. Cobiçosos e invejosos (v.2).
A versão bíblica ARC (Almeida Revista e Corrigida) omite aqui o verbo “matar” que consta do texto grego: “Vocês cobiçam e nada têm; matam e sentem inveja” (Nova Almeida Atualizada). Esse homicídio não é literal; diz respeito ao ódio, que é como homicídio aos olhos de Deus (Mt 5.21,22; 1 Jo 3.15). A cobiça é o desejo excessivo de possuir o que pertence ao outro, e a inveja é um sentimento de tristeza e pesar pela alegria, felicidade e sucesso de outra pessoa. O cristão deve se contentar com o que tem (Lc 3.14; Fp 4.12; Hb 13.5). Cabe aqui ressaltar que esse ensino não é uma apologia à pobreza e à miséria, pois não é pecado desejar e buscar, de maneira lícita, tudo o que é útil à vida, desde que os nossos desejos sejam afinados com os de Deus.

Como dizíamos a pouco, a cobiça por poder e dinheiro é fonte constante de tensões na Igreja. Por vezes, o problema não é o cargo, mas o espaço. Já testemunhei gente brigar por um mero microfone, um solista que queria se sobressair, um pequeno cargo de secretária num coral. Já vi gente brigando por ninharia. Evidentemente, já vi cobiça por ofertas e cargos mais elevados.

O comentarista fez uma distinção digna de nota: a cobiça não é desejar algo semelhante ao que outro tem, mas exatamente aquilo que o outro tem. Já a inveja é a insatisfação com o sucesso alheio! Não é pecado querer crescer na vida e é até desejável ter foco e lutar pelas conquistas na vida. O problema é quando se faz isso por cima da reputação de outrem.

4. Adúlteros e adúlteras (v.4).
Tiago continua a linguagem metafórica usada desde o Antigo Testamento para descrever a apostasia de Israel e sua infidelidade a Javé, seu Deus. A infidelidade a Deus é em si mesma um adultério espiritual. Tiago especifica que se trata de um assunto que envolve homens e mulheres. Assim como a intimidade, o amor, a beleza, o gozo e a reciprocidade que o casamento proporciona fazem dele o símbolo da união e do relacionamento entre Cristo e a sua Igreja (2 Co 11.2; Ef 5.31-33; Ap 19.7). A antítese segue nessa mesma linha de pensamento, pois de igual modo a infidelidade de Israel, da Igreja ou de um cristão é chamada na Bíblia de adultério espiritual, ou prostituição e fornicação espiritual (Jr 3.8; Ez 16.32; Ap 2.20).

A comparação é essencial e relevante. Se o adultério espiritual é reprovável aos olhos humanos, quanto mais aos olhos divinos? Quantas vezes somos criticados por uma postura dúbia e incoerente. Diversas vezes o texto do NT compara a Igreja a uma noiva, não há metáfora melhor. Infelizmente, a base do relacionamento que é o compromisso, a fidelidade e o respeito mútuo se perde quando alguns de nós procede de modo a dar a entender que não querem seguir o Noivo!

E assim chegamos a um dos grandes problemas da Igreja em todos os tempos: a contradição. Pregar uma coisa e viver outra. Com frequência Tiago frisa esse paradoxo. Infelizmente, temos um elevado nível de conhecimento teológico, porém, pouca prática. O escritor coloca pessoas que não praticam o que pregam no mesmo nível dos enganadores (Tg 1:22,23). O que, de fato, é verdade. Se esse tipo de comportamento é repudiado no mundo, imagina na Igreja?

III – Resistindo ao Inimigo

A ideia de Tiago, ao concluir essa seção da epístola, é a mesma exortação que fez o apóstolo Pedro, inspirado por Levítico 11.44; 19.2; 20.7: “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pe 1.15,16).

Embora o Inimigo nem sempre seja o idealizador das pelejas na Igreja, ele sempre é o que se aproveita para tirar o máximo proveito contra ela. Ou seja, um simples inchaço carnal por oportunidades pode se tornar uma pedra de tropeço no serviço cristão, de tal maneira que mais e mais pessoas fiquem desatentas e não adorem a Deus num culto. Se o crente perde a oportunidade de adorar ao Senhor, perde vitalidade espiritual e entra em declínio. Se esta raiz de amargura (Hb 12:15), que a princípio é imperceptível, crescer e fincar seus tentáculos pode causar enormes problemas.

1. Tiago apresenta a receita para resistir ao Inimigo.
Ele mostra que o Espírito Santo está em nós (v.5), o que é confirmado em outras partes do Novo Testamento (1 Co 3.16; 6.19; Ef 2.22). Na verdade, o cristianismo é a única religião do planeta que tem o Espírito Santo (Jo 14.16,17). Assim, o Espírito Santo em nós não quer um coração dividido: “É com ciúme que por nós anseia o espírito, que ele fez habitar em nós?” (v.5, Nova Almeida Atualizada). Essa vantagem nos permite viver uma vida santa e resistir ao Inimigo. Nisso temos a ajuda de Deus, que “resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes” (v.6).

O primeiro ingrediente da receita é uma vida de santidade. Santidade não se compra, se conquista com uma vida de oração, jejum e meditação bíblica, cultivando bons hábitos (boa leitura, por exemplo) e boas práticas. Temos a santidade posicional, obtida através do novo nascimento, a progressiva, que deve ser buscada diariamente, e a definitiva que seja obtida quando nosso corpo for glorificado e chegarmos no Céu.

Infelizmente, a santidade progressiva não é um dos primeiros objetivos na vida de muitos crentes e para muitos não é nem prioridade. E isto tem sido uma porta aberta para a atuação maligna.

2. A submissão a Deus.
Essa submissão e humildade a Deus é descrita de várias maneiras, como “resistir ao diabo” (v.7) e se aproximar de Deus; limpar as mãos, “vós de duplo ânimo” (v.8). O duplo ânimo diz respeito aos crentes indecisos e divididos em suas decisões entre Deus e o mundo (Tg 1.8). Jesus disse que ninguém pode servir a dois senhores (Mt 6.24). As mãos são instrumentos das ações e o símbolo de toda a conduta. Para que elas sejam limpas, é necessário primeiro um coração purificado (Sl 24.4; 1 Pe 1.22).

O segundo ingrediente é a humildade. As pelejas surgem quando não consideramos os outros superiores a nós mesmos (Fp 2:3). Essa colocação de Paulo em Filipenses não diz respeito primordialmente à liderança, mas ao trato pessoal. O que mais sempre existiu na Igreja são pessoas querendo dominar o rebanho, querendo impor sua vontade sobre os salvos (I Pe 5:2-3) como se fossem propriedade sua.

O próprio conhecimento teológico se tornou um vetor de jactância. E não são poucos os que ostentam títulos que se sobreponham à sua espiritualidade e vida cristã. Virou praxe ostentá-los em artigos e convites. Ao contrário, Tiago apresenta-se em sua carta como δοῦλος (lê-se: dulos), servo e tão somente servo. Esta sabedoria é vã e acomodada aos ditames do mundo carnal que nos rodeia, em contraposição à que vem do alto (Tg 3:17).

O comentarista não frisou que duplo ânimo também se aplica a uma língua que num dado instante adora a Deus e noutro recrimina seu nome ou não a refreia (Tg 1:26; 3:5,9,10). De uma mesma fonte procedem águas doce e amarga, pergunta o autor? Duplo ânimo também se aplica a uma mente que é permeada pela Palavra e, em seguida, pela coisas do mundo.

A metáfora perfeita é um barco à deriva. Num momento é jogado pelas ondas para um lado, noutro é jogado para outro. Não sabe a que porto quer chegar. Submissos a Deus, seguimos sua vontade. Ainda que isso signifique contrariar a todos.

3. Os lamentos e os resultados.
Tiago continua com as suas exortações: sentir as nossas misérias, lamentar, chorar, substituir o riso pelos lamentos, sentir angústia e nos humilhar diante de Deus (v.9). Essas exortações resultam em bênçãos, entre elas, a de que o Diabo fugirá de nós, e o Senhor nos “exaltará” (v.10). Trata-se de uma vitória completa em Cristo.

A igreja moderna comemora muito e chora pouco. Os eventos se multiplicam e fazem a festa dos crentes de ocasião. Já os cultos de oração estão esvaziados. Um grande pastor já falecido dizia: “Quer saber se um templo precisa ser reformado para que se faça um maior? Vá ao culto de oração!” Decidir algo assim numa festa é temerário, visto que não existe templo grande o suficiente para um evento festivo.

Como disse anteriormente o comentarista é o hedonismo se manifestando que impede o sentimento de crise. Percebemos um outro sintoma: a perda de sensibilidade espiritual. Por vezes, o crente não se intimida com o pecado. Não sente nojo das coisas que o mundo faz. Já não são poucos os crentes que ao invés de resistir ao Diabo, estão resistindo ao Espírito Santo!

Por outro lado, a Teologia da Prosperidade, um dos subprodutos da Batalha Espiritual, implica com os crentes que choram, que se humilham. Você tem que chegar diante de Deus impondo! Até mesmo em oração somos ensinados por alguns dos expoentes dessas ideias a exigir, reivindicar, tomar posse. Não parece com nada que Tiago falou. Aliás, é um livro pouquíssimo utilizado em cultos de ensino e doutrina. O resultado são supercrentes mimados, auto suficientes e ameninados espiritualmente, facilmente tentados e engodados pelo Inimigo de nossas almas, que querem ouvir apenas o que lhes convém.

Conclusão

Tiago relaciona uma série de exortações que, se praticadas em conjunto, resultarão na completa resistência ao Inimigo de nossa alma. 0 que Deus espera de nós é que sejamos santos como Ele é santo. Resistir ao Inimigo, no contexto de Tiago, resume-se em que cada um de nós sujeitemos-nos à vontade de Deus e cheguemos-nos a Ele; e devemos ainda purificar as mãos e limpar o coração. É essa dependência de Deus que nos leva à vitória em Cristo.

É uma carta magistral, mas a lição tem um tema e a toca superficialmente. Já tivemos outras lições diretamente sobre a carta de Tiago. O foco do comentarista é nos fazer observar que essas demandas que parecem pequenas se tornam fendas no funcionamento da Igreja, pelas quais o Inimigo ou age diretamente ou semeia uma semente de amargura para uso posterior.

A carta de Tiago é pura vacina. Vacina contra a discriminação (Tg 2:2-4), a maledicência (Tg 4:11), a presunção (Tg 4:16), a alienação (Tg 2:16), a falta de prática (Tg 2:26), a falta de sabedoria (Tg 1:5) entre outros itens. Que possamos ouvir e colocar em prática as advertências da lição.

Excelente aula!

Assista o subsídio em vídeo!

 

Acesse o comentário das lições anteriores:

Lição 04 – Possessão Demoníaca e a autoridade do nome de Jesus 

Lição 03 – A natureza dos demônios – Agentes espirituais da maldade

Lição 02 – A natureza dos anjos – A beleza do mundo espiritual

Lição 01 – Batalha espiritual – A realidade não pode ser subestimada

Leia mais sobre a legião romana clicando aqui

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3 Comentários

  1. Eder Lima disse:

    Paz do Senhor Pastor,

    Excelente material de apoio para a EBD. Aprecio bastante seus textos.
    Sou membro da Assembleia de Deus – Templo Central em Tauá/CE e queria saber por qual meio posso entrar em contato com o senhor para saber acerca da possibilidade de tê-lo conosco ministrando a Palavra em um evento a ser realizado esse ano,

    Obrigado.

  2. Eder Lima disse:

    Paz do Senhor,

    Sou membro da Assembleia de Deus – Templo Central em Tauá/CE e queria saber por qual meio posso entrar em contato com o senhor para saber acerca da possibilidade de tê-lo conosco ministrando a Palavra em um evento a ser realizado esse ano.

  3. Daladier Lima disse:

    Prezado, enviei por e-mail. Grato por seus acessos!