Uma face vergonhosa da política na Igreja

Uma face vergonhosa da política na Igreja é a pretensão de que os irmãos votem no candidato indicado pela liderança! Vem comigo!

Hoje o Twitter está com algumas tags negativas contra a igreja evangélica brasileira nos trend topics (assuntos mais comentados). A razão principal é a divulgação de um áudio onde determinada irmã reclama, provavelmente num grupo de WhatsApp, de que os irmãos de sua igreja não tenham votado num tal de pastor Robson, de São José do Rio Claro. Ao que tudo indica é o marido e pastor da igreja a partir da qual o áudio foi vazado.

Eu já recebi de várias fontes o mesmo áudio. Nele a irmã reclama que a Igreja tenha feito uma covardia, não elegendo o pastor. A certa altura ela chama os crentes de falsos, safados, sem-vergonhas e adjetivos do tipo. Um disparate total. Verdadeiro escândalo.

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História semelhantes se multiplicam Brasil afora. Pastores que juraram de pés juntos ao presidente do ministério que ele teria muitos votos ou que seriam dados ao candidato oficial da Igreja por ele indicado. E não aconteceu como prometido. Os candidatos sentem-se traídos e extravasam sua contrariedade de várias formas.

Há até líderes que promovem mudanças trocando traidores de congregação. Outros destituem lideranças que não produziram os votos que prometeram. Dias antes da eleição um outro pastor presidente ameaçava seus ouvintes dizendo que queria pessoas afinadas com seu projeto político e iria retaliar os discordantes. Dizia ele: “Já tirei 3,4. Vou marcar uma reunião quinta-feira e o couro vai comer forte… Será uma desonra pra mim, o presidente, terminar a eleição e não elegermos ninguém”[1].

A questão fundamental nesse episódio é que a Igreja não tem obrigação nenhuma de apoiar o candidato indicado pelo pastor ou pelo ministério. Nem se ele mesmo for o candidato. O voto é pessoal, secreto e soberano. Essa postura, aliás, é ilegal. Se comprovada pode render um bom processo movido pelo Ministério Público, por abuso do poder econômico e religioso.

Evidentemente, se alguém promete votar em outrem há um compromisso moral com aquela pessoa. Tão errado quanto obrigar que se vote em determinado indicado ou indicada é o eleitor prometer o voto e não dar. São práticas do velho homem que só trazem tensão à Igreja e à liderança. Mas desse comichão nos ouvidos bem poucos se safam.

Outra face do mesmo problema é quantidade de profetadas dadas aos candidatos. Profetadas, como sabemos, não se cumprem e a esta altura há muita gente indignada. É lamentável num século de tanto conhecimento ainda estarmos às voltas com comportamentos dessa natureza na Igreja. Quando iremos aprender a discernir isso? O que dizer da utilização de versículos retirados de contexto, em mensagens direcionadas para determinados candidatos? Uma lástima que ainda tenhamos tal prática!

O que resta é que apesar da cristofobia cristalizada na população brasileira ainda damos margem para comportamentos vergonhosos que só depõem contra a Igreja de Cristo. Ai daquele por quem vem o escândalo.

[1] Vídeo aqui

Ouça o áudio da irmã aqui:

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