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Uma pequena contribuição para a 6ª lição do 2º trimestre/2014

Como sabem a lição da EBD deste trimestre, cuja capa encontra-se ao lado, cuida de um tema caro aos estudantes da Bíblia: Fé e obras. Penso que muitos professores não estão percebendo a importância de debater o assunto com seus alunos. Há até mesmo quem despreze a lição como um todo ou a tenha como fácil. E não é. Não é novidade que tal tenha acontecido à epístola de Tiago, livro no qual se baseia a lição. Barclay[1] afirma que Lutero a chamou de uma simples epístola de palha, porque nela não enxergava a Cristo. É uma posição pessoal do reformador.

A do próximo domingo, 6ª lição do trimestre, versará sobre a acepção de pessoas. Nitroglicerina pura. Quem nunca viu ou ouviu falar de alguém assentado num lugar destaque por sua condição financeira ou destaque político. Mas não adianta seguir apenas esse viés. O termo, em seu original grego, que felizmente não foi mencionado pela CPAD, é uma palavra polissilábica[2]:

Lê-se: prossôpolêmpsía, com ênfase na última sílaba. Em grego, o S (sigma) nunca tem som de Z, como em riso, rosa, esposo. Informa-nos o DITNT[3] que esta palavra é composta de prosôpon, face, rosto, semblante e lambanô, levantar [o rosto], reconhecer. Prossôpolêmpsía significa parcialidade, preconceito, agir de acordo com a aparência. Ela e seus correlatos ocorrem seis vezes no NT[4]: Atos 10:34; Romanos 2:11; Efésios 6:9; Colossenses 3:25; Tiago 2:1,9.

A acepção nos tempos apostólicos se dava se quatro formas ao menos:
1) Opondo judeus e gentios – Os primeiros por serem o povo da promessa se achavam no direito de reivindicar alguma proeminência sobre os demais irmãos. Pedro foi tentado a fazer a dicotomia pender contra os gentios até que o Espírito Santo o obrigou a mudar de opinião (Atos 20:34; Gálatas 2:11). Notemos que Deus pôs a ambos debaixo da desobediência para criar o novo homem: o salvo, nem judeu, nem gentio!

2) Opondo ricos e pobres – O agapê, festa dominical na qual os crentes celebravam a Ceia, pouco a pouco tornou-se um festival de vaidades, a ponto dos mais ricos contribuírem com primorosos pratos, enquanto os pobres traziam bem pouco. Detalhe: cada um se fechava em seu próprio círculo à mesa (I Coríntios 11:21) sem compartilhar com os demais. O ouro e a prata são de Deus (Ageu 2:8), somos meros possuidores temporários de tais tesouros. Na Igreja somos todos iguais, pois todos somos simplesmente servos.

3) Opondo escravos e livres – Com a escravidão consentida entre os judeus e com a conversão de muitos escravos havia, certamente, acepção entre estes e os demais irmãos.Uma vez salvo, o escravo ainda permanecia nesta condição profissionalmente devendo obediência ao seu senhor, porém, na Igreja era, para todos os efeitos, livre (I Coríntios 7:22).

4) Opondo líderes e liderados – Com a institucionalização da Igreja a primazia recaiu sobre os príncipes. A palavra ministro, do latim ministru, mordomo, passou a simbolizar status, poder e domínio sobre a Igreja. A gradação que se nota em nossos templos é, em grande parte, fruto do inchaço carnal. Que é necessária a liderança não temos dúvidas, mas Deus não deu igrejas à liderança, justo o contrário.

O Senhor não faz acepção de pessoas, nem no Velho, nem no Novo Testamento. O proverbista Salomão declara: O rico e o pobre se encontraram; a todos os fez o SENHOR (Provérbios 22:2). Todo o poder e autoridade, todas as coisas do mundo lhe pertencem. E nos adverte, através da epístola, a que façamos da mesma forma. O Senhor Jesus que poderia se orgulhar de muitas coisas humilhou-se a Si mesmo… (Filipenses 2:8). Aliás, o pretexto maior do evangelho é a humildade e o despojamento.

Tiago rechaça a possibilidade de que uma pessoa aparentemente rica deva ser tratada de modo diferente de um irmão pobre no recinto da Igreja. Barclay[1] nos informa que os antigos mais jactanciosos usavam anéis em todos os dedos, exceto no maior, e levavam mais de um em cada dedo. Chegavam ao extremo de alugar anéis quando desejavam dar a impressão de grande riqueza. Podemos imaginar o séquito e os salamaleques reservados a tais pessoas, comparando com o que acontece hoje em dia em muitas igrejas. Fartos dizimistas são tratados com deferência e tem seus pecados encobertos. Políticos poderosos ouvem mensagens amenas, que lhes satisfaça seu inflado ego.

Destaque-se de maneira geral:
1) A igreja é igualitária e imparcial – Vivemos uns para servir aos outros (Filipenses 2:3)
2) A igreja é rica no Espírito Santo – (II Coríntios 4:7; 6:10)
3) Os pobres devem ter especial atenção da Igreja – Os pobres salvos são os principais herdeiros (Tiago 2:5)
4) A igreja deve fugir da luta de classes – Igreja não é local para revoluções. Teologia da Libertação é marxismo e não teologia
5) A igreja não pode ser presunçosa – O que mais nos interessa a priori é o homem interior.
6) Na igreja o imperativo é a lei do amor – Nivelando todas as pessoas pelo amor de Cristo.

Por fim, gostaria de falar de ojeriza. Assim é definida no Michaellis:

É aquele sentimento típico de um pobre ao ver alguém rico e pensar consigo: Lá vai um empolado. De onde roubou para ter tanto dinheiro? É um esbanjador. Por vezes, são apenas os olhos de quem vê. Esse desprezo calculado é usado até hoje para fazer política no Brasil. Sendo que muitos pobres, quando alçados a cargos e detendo poder, fazem exatamente como recriminavam. Cuidado, professor, para não cair nesta armadilha incitando seus alunos a um sentimento desprezível.

Já vi ricos humildes e pobres orgulhosos…

[1] Barclay, William, Comentários ao Novo Testamento, Editora CLIE
[2] http://www-users.cs.york.ac.uk/~fisher/cgi-bin/gnt?id=20020105#h, acessado em 08/08/2014
[3] Coenen, Lothar, Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, Vida Nova
[4] Concordância Fiel do Novo Testamento

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