Vivendo em constante vigilância

Vivendo em constante vigilância é o tema da penúltima lição do trimestre. Não à toa precisamos deste alerta a cada dia, para não nos embaraçarmos com as coisas deste mundo, desagradando a Deus.

Chegamos, por misericórdia, à reta final de nossa lição. A lição de hoje: Vivendo em constante vigilância, vem fazer o arremate do trimestre. Não que o assunto tenha se esgotado. Inúmeras questões ficaram pelo caminho, mas se o professor se esforçou pode repassar muitas informações e bons ensinamentos para seus alunos. Tanto esta quanto a próxima lição serão apenas lições devocionais.

Aproveitando que estamos terminando sugiro ao professor que ore por sua turma, fazendo compreender a importância do aprendizado. E se há poucos alunos, não se desespere. Li um pensamento que dizia: “O sol, ao amanhecer, dá um maravilhoso espetáculo para uma plateia que está dormindo”. Então, mãos à obra! Detecte os faltosos e os visite, convide outros, faça sua parte e Deus não faltará!

Como é praxe em nossos textos, o conteúdo da lição virá em azul e nossos comentários em preto. Transcrevemos, como sempre, o conteúdo da lição para que você possa focar e acompanhar com mais comodidade.

Texto Áureo

“Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente e fortalecei-vos.” (1 Co 16.13)

Verdade Prática

A vigilância na fé cristã significa permanecer acordado quanto à vinda de Cristo, atento no zelo de não se afastar de Jesus e perseverar na cautela contra os falsos profetas.

O professor mais atento já percebeu que a ênfase da lição é na vigilância. Esta palavra de origem latina, vigilantia, hábito de velar, de estar acordado, tem significado espiritual imenso. De fato, de nada adianta saber grego, hebraico, aramaico, decorar o texto das Sagradas Escrituras, ser um exímio pregador, um grande orador, um famoso cantor, se não estivermos vigilantes. Detalhe: devemos estar preparados para dois fatos. Ou Jesus volta para todos ou volta para nós!

Isto quer dizer que nossa morte pode chegar a qualquer momento. Neste caso Jesus volta para nós e já não há mais nada que possamos fazer para mudar nosso destino eterno, não importa quão crentes ou bons fomos. Ou então, Jesus volta para sua Igreja. Em ambos os casos a preparação é indispensável.

Leitura Diária

Leitura Diária - Lição 12

Leitura Diária – Lição 12

Leitura Bíblica em Classe

Mateus 26.36-41

36 – Então, chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar.
37 – E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito.
38 – Então, lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até à morte; ficai aqui e vigiai comigo.
39 – E, indo um pouco adiante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.
40 – E, voltando para os seus discípulos, achou-os adormecidos; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudeste vigiar comigo?
41 – Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.

Objetivo Geral

Ressaltar a importância da vigilância para a vida cristã, pois a Segunda Vinda do Senhor está próxima.

Objetivos Específicos

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I) Explicar o conceito de vigilância no contexto bíblico;
II) Apresentar detalhes da oração de Jesus no Getsêmani;
III) Destacar a vigilância como um aspecto fundamental no exercício da fé cristã.

Introdução

A exortação à vigilância na presente lição abrange dois aspectos da vida cristã. O primeiro diz respeito às palavras de Jesus na agonia em Getsêmani, na noite em que Ele foi preso. O outro aspecto refere-se ao contexto escatológico no sermão profético registrado nos Evangelhos Sinóticos. A presente lição mostra os aspectos da vigilância na fé cristã.

A vigilância é uma ordenança bíblica multidimensional:

  1. Devemos vigiar por nós mesmos, guardando as saídas das vida (Pv 4:23)
  2. Devemos estar em vigilância para o arrebatamento (Mc 13:35);
  3. Devemos estar vigilantes quanto às artimanhas do Maligno (I Pe 5:8)
  4. Devemos vigiar para não cair em tentação (Mt 26:41, Mc 14:38)
  5. Devemos vigiar para não sermos vítimas das heresias (I Co 16:13)
  6. Os líderes devem vigiar sobre o rebanho (Hb 13:17; Ap 3:3)

I – O significado de vigilância

A vigilância é o ato ou efeito de vigiar, o estado de quem permanece alerta, de quem procede com precaução para não correr risco. E isso nos mais diversos aspectos da vida humana. O verbo “vigiar” aparece na Bíblia no sentido de estarmos atentos em todos os aspectos da vida cristã.

1. Vigiar, estar alerta. A palavra que mais aparece no Novo Testamento grego para “vigiar” é o verbo gregoréo, “vigiar, estar alerta, ser vigilante”, que aparece 22 vezes. A ideia principal dessa vigilância é escatológica (Mt 24.42,43; 25.13), e isso se mostra nas passagens paralelas de Marcos e Lucas. Mas, quando Jesus disse a Pedro, Tiago e João: “ficai aqui e vigiai comigo” (v.38), isso significa que Ele queria que seus discípulos ficassem acordados e continuassem a orar ou, talvez, se protegessem de alguma intromissão enquanto oravam. Mas gregoréo é usado para denotar uma vigilância mais geral (1 Co 16.13; Cl 4.2; 1 Pe 5.8).

γρηγορέω (lê-se, grêgoréô) é o verbo largamente utilizado para traduzir a palavra vigiar. Ele denota uma atitude atenta a todos os riscos que podem minar a fé (I Ts 5:16). Veja abaixo todas as ocorrências do verbo em seus mais variados contextos.

Ocorrências do verbo grêgoréô

Ocorrências do verbo grêgoréô

2. Vigiar, guardar, cuidar. É o verbo grego agrypnéo, “manter-se acordado, vigiar, guardar, cuidar”, e só aparece quatro vezes no Novo Testamento, duas delas no sentido escatológico no sermão profético (Mc 13.33; Lc 21.36). O vocábulo é usado para indicar a vigilância nas orações e súplicas (Ef 6.18) e apresenta ainda a ideia de cuidar ou velar: “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma” (Hb 13.17).

3. Vigiar, ser sóbrio. É o verbo nepho, literalmente “ser sóbrio”, mas que aparece no sentido figurado de vigilância combinado com gregoréo (1 Ts 5.6; 1 Pe 5.8). Seu uso no sentido próprio pode ser visto em outras partes do Novo Testamento (1 Ts 5.8; 2 Tm 4.5; 1 Pe 1.13). Existe ainda o verbo eknepho, que só aparece uma vez no Novo Testamento (1 Co 15.34), traduzido por “vigiar”, na ARC; por “tornar à sobriedade”, na ARA e na Nova Almeida Atualizada; e por “despertar” na TB.

νήφω (lê-se, nêfô) é a palavra grega para ser sóbrio, o antônimo de embriaguez. Ocorre cinco vezes no NT: Em I Ts 5:6, 8; II Tm 4:5; I Pe 1:13, 4:7 e 5:8. Em estados de embriaguez os sentidos são embotados e não há uma percepção adequada dos eventos. Curiosamente, foi a embriaguez que proporcionou a perda de um grande império em, ao menos, um dos casos documentados na Bíblia e complementados pela História.

Belsazar havia convidado 1.000 de seus grandes para uma festa em Babilônia, quando uma escritura apareceu na parede selando seu destino. Daniel interpretou a escritura e disse que o reino de Babilônia seria dividido e dado aos persas e medos. Naquela mesma noite o rei foi morto (Daniel 5). Mas o livro do profeta Daniel não registra como Babilônia foi conquistada. Coube à História estabelecer que os engenheiros de Ciro desviaram o curso do rio e entraram na cidade, sem qualquer resistência militar. Os soldados haviam bebido a noite toda e, embriagados, nada puderam fazer.

Outra acepção bíblica interessante do significado desta palavra ocorre em Salmos 121:4: “É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel.”. Dormitar é a tradução do verbo נוּם (lê-se, num), tosquenejar, aquele sono rápido no qual a atividade cerebral permanece e os olhos são abertos rapidamente após fechados.

Subsídio Didático-Pedagógico

Prezado(a) professor(a), a aula desta semana trata a respeito da importância da vigilância no viver diário do cristão. É relevante explicar aos seus alunos que devemos estar alerta quanto à Segunda Vinda do Senhor Jesus, pois não sabemos o dia e nem a hora que Ele há de retornar para buscar a Sua Igreja. Para auxiliá-lo (a) na compreensão deste aspecto, leia para a classe o significado do conceito abaixo:

“Escatologia – O termo escatologia (gr. eschatos, ‘últimos’; logos, ‘raciocínio’), significando ‘a teologia das últimas coisas’, tem sido usado desde o século XIX para designar a divisão da teologia sistemática que lida com tudo o que era profeticamente futuro na época em que foi escrito, isto é, profecias que já se cumpriram, como também profecias que ainda não se cumpriram. Importantes assuntos de profecia incluem predições com relação a Jesus Cristo, tanto em sua primeira vinda como na segunda, Israel, os gentios, Satanás, cristianismo, os santos de todas as eras, a futura Grande Tribulação, o estado intermediário, a ressurreição dos mortos, o reino milenial, o juízo final e o estado eterno. Estes temas podem ser classificados como a revelação divina do programa quádruplo de Deus para: (1) Israel, (2) os gentios, (3) a igreja e (4) Satanás e seus anjos caídos” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 662).

Atenção para a pronúncia de λόγος (lê-se, lógos). Em grego o G nunca tem som de J, como em gelo! Já o CH de eschatos deve ser pronunciado o J do espanhol hijo. Apesar da escatologia ser o alvo maior da vigilância, devemos ter cuidado com seus aspectos, digamos, mais cotidianos. Quanto não ficaram prostrados até o fim de suas vidas com um deslize espiritual qualquer?

II – Jesus no Getsêmani

Depois que Jesus instituiu a Ceia do Senhor, Ele seguiu com os seus discípulos para o jardim de Getsêmani. Em oração, o Senhor Jesus rogou ao Pai, três vezes, para que passasse dEle “esse cálice”.

1. Getsêmani. O lugar é assim identificado em Mateus (v.36) e Marcos (14.32). Lucas se refere ao local como “àquele lugar” (22.40) e João registrou: “o outro lado do ribeiro Cedrom, onde havia um jardim” (18.1, Nova Almeida Atualizada). O nome “Getsêmani” vem de um termo aramaico que parece significar “prensa de azeite”. Era uma área localizada no sopé do monte das Oliveiras, onde o Senhor Jesus costumava se reunir com os discípulos e para onde se retirou na noite em que foi preso (Lc 22.39; Jo 18.2).

2. A angústia de Jesus. O Senhor Jesus, durante todo o tempo do seu ministério, encarava a sua morte de maneira serena (Mt 16.21; 17.22,23; 20.17-19; 26.1,2 e passagens paralelas em Marcos e Lucas). Alguns estudiosos do Novo Testamento se perguntam por que só agora “começou a entristecer-se e a angustiar-se muito” (v. 37) a ponto de dizer: “A minha alma está cheia de tristeza até à morte” (v.38)? O seu pavor não era a morte, mas o ser separado do Pai ao assumir os pecados de toda a humanidade na cruz (2 Co 5.21), pois Ele já estava decidido quanto a isso (Mc 10.33,34) e tinha consciência de que a sua morte era a vontade do Pai (Jo 12.27). Esse era o momento mais crucial para a humanidade, pois estava em jogo a salvação dos pecadores.

Uma das características de um salvo verdadeiro é não temer a morte. Ele entende que não há nada a temer. Morrer significa estar seguro em Cristo. Nada mais. Não devemos temer abandonar planos, projetos, sonhos, pessoas. Evidentemente, não devemos procurar a morte, apressando-a, por exemplo, não é essa questão. Lembremos das palavras de Paulo: “Em nada tenho a minha vida por preciosa…” (At 20:24).

3. O cálice. A expressão usada por Jesus: “Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice” (v.39) deve ser entendida à luz do Antigo Testamento. O cálice ou copo aparece com frequência na Bíblia e mui especialmente na sua aplicação metafórica. É usada para indicar uma situação miserável (Sl 11.6) e também de felicidade (Sl 16.5; 23.5). Da mesma forma, indica a manifestação da ira de Deus (Sl 75.8; Is 51.17). Essa linguagem aparece no Novo Testamento (Ap 14.10; 1 Co 10.16). O Senhor Jesus se referia ao cálice da ira de Deus como castigo da separação do Pai no momento da cruz (Mt 27.46; Mc 15.34). Estava chegando a hora de ser submerso na maldição, por nós, pecadores (Gl 3.13).

Este cálice significava deixar cair sobre si a iniquidade de toda humanidade, que já havia passado pela Terra, dos que estavam vivos e dos que nasceriam. Não, não é um apoio da reencarnação. Significava que o preço da redenção estava pendente até aquele exato momento.

Por outro lado, absorver esse peso significaria desprezo e solidão. Por toda a eternidade Cristo estava em perfeita sintonia com o Pai e com o Espírito Santo, mas dada a realidade de que Deus não compactua com o pecado e Jesus o encarnaria por nós, ele pressentiu que essa ausência momentânea logo seria realidade. E isso afetou Jesus intensamente. Ele não temia a dor dos açoites, da cruz, do desprezo humano, ele temia o abandono de Deus!

Outro aspecto importante é que a ira, tal como seta apontada para nós, recairia sobre Cristo. Ele, porém, bebeu este cálice, pagou a dívida (Cl 2:14) e venceu. A prova é que ressuscitou ao terceiro dia!

Subsídio Bíblico Teológico

“[…] É importante observar o uso de uma condicional de primeiro tipo na expressão ‘se é possível’ (Mt 26.39). Isto normalmente sugere que se supõe que a condição é cumprida — isto é, que era possível evitar o ‘cálice’ que Jesus tinha em mente. Esta interpretação recebe o apoio de Hebreus 5.7, que observa que quando Jesus ‘oferecendo com grandes lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia’. A morte biológica não causava terror a Jesus. Ela não causa terror em nós. Como Jesus carregou nossos pecados e sentiu a ira de Deus em nosso lugar, nós também fomos libertados. Nem a morte biológica nem a espiritual têm qualquer influência sobre aqueles que, por meio de Cristo, receberam a vida eterna” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, pp. 83,84).

III – Exortação à Vigilância

Depois de uma breve explicação sobre Jesus no Getsêmani, retornamos ao tema da lição. Entendemos que o ponto central dessa seção do Evangelho de Mateus (26.36-41) é a exortação à vigilância, apesar de outros temas serem importantes aqui.

1. No contexto escatológico. A exortação à vigilância é um dos pontos centrais do sermão profético porque não se sabe o dia e a hora da vinda de Jesus (Mt 24.36; Mc 13.32). O ensino do Senhor nas diversas parábolas desse discurso escatológico dá muita ênfase à necessidade de os crentes estarem atentos. Apesar de ser vedada aos humanos a data da segunda vinda de Jesus, a Bíblia indica os sinais que precederão a vinda de Cristo em Mateus 24 e Lucas 21. Os acontecimentos de hoje nos mostram o cumprimento das profecias bíblicas, sinalizando que essa vinda está próxima. Se os cristãos da primeira hora deviam estar vigilantes quanto ao grande evento, o que não diremos nós, que somos a Igreja da última hora? Por isso devemos estar ainda mais firmes e atentos, continuamente.

2. Na vida cristã. É o estado de alerta para não cairmos em pecado, para nos abstermos de tudo aquilo que desagrada a Deus (1 Co 16.13; 1 Ts 5.6; 1 Pe 5.8). Mas essa vigilância não deixa de ser um exercício contínuo da fé até que Jesus venha. Ele pode voltar a qualquer momento; os sinais de sua vinda estão aí, como o avanço da imoralidade e da corrupção (Ap 9.21), a evangelização mundial por meio de recursos das redes sociais (Mt 24.14) e a posição de Israel no Oriente Médio (Lc 21.29-31).

3. “Vigiai e orai” (v.41a). O sentido da vigilância aqui difere daquele mencionado no v.38, em que “vigiar” indica ficar despertado, acordado. Mas aqui significa estar vigilante para manter a fidelidade ao Senhor Jesus e nunca se apartar dEle. Isso fica claro pelas palavras seguintes: “para que não entreis em tentação”. É uma advertência solene a todos os crentes em todos lugares e em todas as épocas para viverem atentos em todos os momentos da vida (Ef 6.18). O Comentário Bíblico Beacon diz: “A eterna vigilância é o preço da liberdade”.

Como já falamos acima não apenas devemos nos preocupar quanto à vigilância com o arrebatamento, como devemos estar atentos no dia a dia. Note que a lista de precauções para nós não inclui somente pecado, propriamente dito, como adultério, por exemplo, como gostamos de convencionar. Mas heresias, contendas, difamações, mentira, ódio, blasfêmia, frieza espiritual, indolência, preguiça, simonia e centenas de outros males que que se acercam de nós. De modo que o cuidado é total.

4. O espírito e a carne (v.41b). Temos aqui o contraste entre o espírito e a carne, muito comum no Novo Testamento (Rm 8.5-9; Gl 5.17). Seria esse o sentido aqui? A “carne” é um termo frequentemente usado nas Escrituras, com variação semântica tão ampla que não é possível descrever todos os seus significados neste espaço. Aqui essa palavra pode indicar a fragilidade da nossa natureza física (Sl 78.39), visto que os discípulos estavam cansados, exaustos e entristecidos; mas também pode ser uma referência à fraqueza da natureza humana decaída (Ef 2.3), por causa da associação com a palavra “tentação”. A expressão pode indicar as coisas simultâneas ou qualquer uma dessas interpretações.

O espírito e a carne estão em constante tensão. Um quer nos dominar em detrimento do outro. O espírito busca as coisas de Deus, eternas, espirituais. A carne busca as coisas terrenas, momentâneas, mundanas. Cabe-nos perceber quando a carne quer prevalecer sobre o espírito e buscar mortificá-la (Cl 3:5).

Subsídio Teológico

“Iniquidade e esfriamento do amor.

Em Mateus 24.12, Jesus mencionou mais dois alarmantes sinais, um decorrente do outro: ‘E por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará’. E o que assusta, neste duplo sinal, é mais uma vez a palavra ‘muitos’, cujo significado é ‘quase todos’. Não foi por acaso que Jesus ensinou: ‘Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela’ (Mt 7.13). A cada dia, a aceitação da verdade da Palavra de Deus torna-se mais difícil. Doutrinas que outrora, ao serem ensinadas, geravam temor, têm levado muitos crentes a fazerem questionamentos. Vemos que os mensageiros mais conservadores — mas conservadores do ponto de vista bíblico (2 Tm 1.13,14) — são vistos por muitos como extremistas, descontextualizados ou politicamente incorretos. Isso, com certeza, é reflexo do dúplice sinal em questão. O amor ao mundo faz-nos perder o amor a Deus (Tg 4.4; 1 Jo 2.15-17). E muitos líderes, à semelhança de Demas (2 Tm 4.10), perderão a visão espiritual, nesses últimos dias.

Os cultos, que deveriam ter como objetivos o louvor a Deus e a exposição da Palavra (1 Co 14.27), se transformarão — como já vem ocorrendo — em programas de auditório, shows, com muito entretenimento e pouco ou nenhum quebrantamento de espírito na presença do Senhor. Esse sinal indica que, nos últimos dias, o mundo se tornará tão religioso, e a igreja — quer dizer, uma boa parte dela — tão mundana, que não saberá onde começa um e termina o outro. Sabendo que tudo isso aconteceria, Jesus alertou: ‘Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar…’ (Lc 21.36, ARA). E, como escapar? O caminho é dar ouvidos à Palavra de Deus e se arrepender, a fim de que o nosso amor não se esfrie (Ap 2.4,5)” (ZIBORDI, Ciro S, Et al.Teologia Sistemática Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, pp. 493-94).

Infelizmente, esse esfriamento corrói a estrutura eclesiástica em toda parte. Tanto os membros tem esfriado na fé, quanto ao comparecimento aos cultos e engajamento na Obra, quanto a liderança tem se mantido apática aos problemas, quando não compactua diretamente com o pecado.

Aqui está a razão do alerta sombrio de Jesus: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? (Mt 7:22)”. Precisamos chorar nosso pecado e pedir perdão a Deus, para que sejamos restaurados.

Assim com vemos nesse episódio do Getsemâni os discípulos pareciam tão perto e vigilantes que ninguém poderia duvidar de sua fé. A realidade, porém, veio mostrar que as aparências enganavam. Uma trama sinistra perpetrada por um deles levaria Jesus à morte. Tais fatos são alertas para nós. Não basta parecermos íntimos do rei, temos que sê-lo de fato e de verdade!

Conclusão

O enfoque no relato do Getsêmani é a vigilância e por essa razão não entramos em outros pontos do texto. Finalizamos dizendo que, na tentação do deserto, o Senhor Jesus recusou o domínio do mundo sem o Pai, mas aqui Ele aceita sofrer e morrer por nós com Deus. A experiência de Jesus e dos seus discípulos no jardim nos ensina que cada cristão tem o seu Getsêmani e cada um de nós deve-se submeter à vontade do Pai.

Comentário em vídeo

Acesse os comentários das lições anteriores:

Licão 11 – Discernimento de Espíritos – Um dom imprescindível

Lição 10 – Poder do alto contra as hostes espirituais da maldade

Lição 09 – Conhecendo a armadura de Deus

Lição 08 – Nossa luta não é contra carne e sangue

Lição 07 – Tentação – A batalha por nossas escolhas e atitudes

LLição 06 – Quem domina a sua mente?

Lição 05 – Um Inimigo que precisa ser resistido

Lição 04 – Possessão Demoníaca e a autoridade do nome de Jesus 

Lição 03 – A natureza dos demônios – Agentes espirituais da maldade

Lição 02 – A natureza dos anjos – A beleza do mundo espiritual

Lição 01 – Batalha espiritual – A realidade não pode ser subestimada

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2 Comentários

  1. Paulo José da Silva disse:

    Paz do Senhor. Sobre vigilância. Pastor, como cristãos podemos investir em opções binária? E as criptomoedas podemos adquirir, sem risco de condenação? Como fica nossa relação com os investimentos digitais tão propagados no nosso tempo? Paulo

  2. Daladier Lima disse:

    Essas ondas digitais são de alto risco. Existem aplicações financeiras outras que prometem ganhos enormes, mas são igualmente arriscadas, tais como pirâmides, ações e marketing de rede. Condenação propriamente não existe, desde que o investimento seja lícito e regulado pelas normas do Banco Central. Como cristãos devemos ter cuidado, pra não perder dinheiro. A recomendação é nunca atrás de vantagens exageradas. Abração!