Estudos Reflexões Reforma Protestante Daladier Lima

Você conhece os cinco solas da Reforma Protestante?

O século XVI corria célere quando em 31 de outubro de 1517 a Reforma eclodiu. Na verdade ecos difusos de movimentos contrários à Igreja Católica e aos seus ensinamentos já haviam aparecido por toda Europa e devemos admitir que a heroica decisão de Martinho Lutero coroou o esforço de muitos outros arautos da verdade.

A igreja romana era uma massa monolítica contra a qual lutar equivaleria à morte. E, de fato, não foram poucas as vezes em que pessoas foram queimadas e expostas exemplarmente em praça pública, pelo simples fato de discordar de alguma doutrina.

Mas, quais são os pilares sobre os quais se assentou a Reforma Protestante? Qual o núcleo das teses de Martinho Lutero? A resposta não veio pronta naquela segunda-feira. Ela foi se consolidando ao longo dos anos, à medida que o movimento crescia e ganhava adeptos. São eles os cinco solas! Os princípios que se opuseram, frontalmente, aos ensinamentos católicos, oriundos de cinco termos latinos. Vamos a eles?

O sistema que sustenta a estrutura da Igreja Católica reconhece não apenas a autoridade da Bíblia como as decisões dos concílios, as encíclicas papais e todo o material que compõe seu magistério. Ou seja, são colocados em pé de igualdade a Bíblia e os comunicados emitidos pelo Papa, por exemplo.

Os reformadores reafirmaram a autoridade da Bíblia e repeliram os documentos papais e eclesiásticos, especialmente os criados apenas para respaldar determinados dogmas. É o caso da infalibilidade papal e as indulgências. Tal reafirmação dos reformadores foi expressa na Confissão de Fé de Westminster:

Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento,… todos dados por inspiração de Deus para serem a regra de fé e de prática… A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a palavra de Deus… O Velho Testamento em Hebraico… e o Novo Testamento em Grego…, sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal… O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura. (I, 2,4,8,10).

A Igreja Católica adicionou aos meios de salvação a mediação dos santos, Maria entre eles, as obras, as indulgências e inúmeros outros artifícios através dos quais o ser humano pode ser salvo. No ano 431 d.C., instituiu o culto a Maria, em 787 d.C., o culto às imagens, e em 933 d.C., a canonização dos santos. Junte-se a isto a confissão de pecados aos sacerdotes católicos, que poderiam perdoá-los no confessionário.

Os reformadores restauraram o princípio de 1 Timóteo 2:5: “…há um só Mediador…”. E a razão é muito simples: Foi Cristo quem morreu para nos salvar, foi Ele sozinho que suportou a ira decorrente do pecado, ressuscitou e é o único cujo sacrifício foi aceito por Deus. Em João 14:6, o próprio Jesus afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai a não ser por mim”. Cristo é, portanto, o único, exclusivo e suficiente Salvador.

Relembramos aqui a célebre ocorrência em que Tetzel, um frade dominicano, vendia pelas ruas alemãs as indulgências que poderiam perdoar pecados. Tal fato desencadeou grande ira no reformador. E não esqueçamos que ainda hoje o Vaticano as emite em diversas ocasiões. Este ano, por exemplo, o Brasil está sob a possibilidade de indulgência plenária.

Indulgência plenária

 

Por milênios o homem se esforçou para ser salvo. Diversos nomes se sucederam ao longo da história bíblica neste intento. Mas as quedas eram inevitáveis. Abraão, Isaque, Moisés, Josué, Jacó, Samuel, Davi, uma infinidade de nomes. Até que nasceu Jesus, filho de Deus encarnado, morto, sepultado e ressurreto ao terceiro dia. Veio falar ao homem perdido de graça, um favor imerecido, perdão completo, inefável e eficaz de pecados.

A graça é sobrenatural. Independe do esforço humano. Nada podemos fazer para merecê-la. A Igreja Católica afirmava e afirma que as obras são meios eficazes de alcançar a salvação. Mero engodo para ofuscar o poder de Cristo sobre o pecado. Ele atraiu a ira que nos destruiria e pagou o inalcançável preço da redenção. Ninguém alcançou tal mérito.

A graça é de tal forma incrível que Deus nos amou quando nós ainda éramos pecadores. E nos perdoou sem exigir nada em troca. Não, não há nada que possamos ter feito para que mereçamos a salvação bendita em Cristo. Ele fez isso por nós através de sua Graça!

Sola Fide

Se a graça é aquilo que Deus fez por nós, a fé é a única forma de aceitarmos a salvação em Cristo. As Escrituras são abundantes ao falar do passo dado por Deus, igualmente ao homem é exigido crer para poder ser salvo da perdição eterna.

Assim como a graça, a fé é sobrenatural. É algo que nasce no coração do homem e ao qual se agarra como último recurso diante de Deus. A Bíblia enfatiza que é preciso crer em Deus. Na monumental oração sacerdotal Jesus afirmou: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a Ti, o Único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3).

Há ao menos três tipos de fé no texto sagrado. A fé natural, cremos, por exemplo, que haverá um novo dia. A fé salvífica da qual falamos nos dois parágrafos acima. E o dom da fé, recebido como ornamento do Espírito Santo.

A igreja Católica dizia que as indulgências poderiam salvar as pessoas, assim como boas obras, caridade ou orar com o Papa. Grande engano. Paulo afirma em Efésios 2:8,9: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”.

Somente Deus merece toda honra, toda glória e todo o louvor. Ele é o Rei, o criador bendito e eterno. Nenhuma organização ou homem merece tal honraria. Por isso a Reforma repudiou o antropocentrismo, pilar central da Igreja Católica. Nela o Papa ocupa quase o lugar de Deus.

 

Que Deus seja o centro de nossa adoração, serviço, culto e quer comamos quer bebamos, que possamos glorificá-lo em nossa vida (I Coríntios 10:31)!

Então:

Sola Scriptura

Solus Christus

Sola Gratia

Sola Fide

Soli Deo Gloria

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1 Comentário

  1. Miqueas Cipriano disse:

    Mas um excelente texto!
    Lendo esse post e fazendo um link com a atual lição da EBD/Adultos “Assim cremos…”, espero que a CPAD esteja preparando uma lição para o próximo trimestre com uma boa enfase na reforma, ou seja, nos 500 anos da reforma. Será!?