Devocionais Reflexões Daladier Lima

Você quer mudar o Brasil? Eu duvido!

Estamos quase na metade do ano. Por quantos problemas do Brasil você viu campanhas de oração? Você mesmo, orou por quem? Queremos mudar o Brasil? Tenho sérias dúvidas de que estejamos fazendo algo prático neste sentido.

Você quer mudar o Brasil? Eu duvido!

Prezados 400 leitores, tenho estado inquieto com o Brasil nestes últimos dias, se do Espírito não sei, se da carne não sei. Já explico. Tenho ouvido falar de uma Igreja da última hora, que fará a diferença como nunca, que será um divisor de águas para nosso tempo, que trará um novo avivamento, que isso ou aquilo. Tenho dúvidas se é a esta igreja de nosso tempo a que se referem certas profecias e mensagens (que parecem mais de autoajuda), ou se ainda a veremos ou se será realidade para os nossos netos!

Por toda parte, nas redes sociais, em diversos cultos, congressos, vídeos, mensagens de WhatsApp, etc, leio mensagens de triunfo, de uma igreja protagonista, que vai, faz e arrebenta. Parte é realidade, parte ficção. Vai que cola! Na verdade temos sido fracos e omissos em muitas coisas. No plano político, com as eleições se avizinhando e a campanha em pleno vapor, nossos problemas acabaram, como dizia o humorista. A solução tabajara da igreja é eleger representantes que se oporão a todas investidas malignas nas casas legislativas e no Executivo. Mas esta é só uma face da questão.

A Assembleia de Deus é, inquestionavelmente, a maior denominação brasileira. Tem vários ramos e ministérios, mas a grosso modo, não há dúvidas de seu tamanho. O problema é administrar esse gigantismo, assunto de outros posts. Pois bem, o que nos ameaça? Projetos de Lei apoiados pelo lobby gay? Pelo lobby abortista? Finanças? Violência? Desemprego? O que é que nos preocupa?

Eu aprendi, desde bem pequeno, que a oração é solução para a vida e a morte (II Crônicas 7:14). É o meio pelo qual nos achegamos a Deus e lhe entregamos nossas necessidades, anseios e medos. Ele nos ouve e, segundo sua vontade, nos responde, mudando nossa História. Bom, se Deus não mudou de endereço e ainda é o mesmo, alguma coisa está sendo feita errada do lado de cá. Ou não estamos orando ou estamos querendo resolver do nosso jeito. Ou as duas coisas juntas! Ou eu aprendi errado! Será que oração resolve umas coisas e outras não?

Claro que a oração não prescinde da ação. É na conjunção, porém, entre oração e uma ação direcionada por Deus que as coisas acontecem. Mas com dois ou três exemplos podemos ver que há problemas na igreja evangélica brasileira tanto numa coisa como na outra.

Tomemos a questão do aborto. É uma grave violação do direito à vida do nascituro, estabelecida em muitos credos e confissões de fé evangélicas Brasil afora. Fora de dúvida, exceto para os evangélicos progressistas, que são uma ínfima minoria barulhenta e influente, que tal tema fere os princípios bíblicos e cristãos. O problema é que inúmeros partidos apoiam a iniciativa, a ponto de, contrariando a própria lógica política, alguns candidatos brandirem o assunto aos quatro ventos. Mesmo quando a maioria da população brasileira, em diversas pesquisas de opinião, se manifestou contrária. Pura propaganda tiro no pé.

Ok? Estamos a 179 dias do início do ano de 2018, vamos esquecer os outros anos em que sua congregação existe. O que sua igreja tem feito a respeito do aborto? De quantos cultos de doutrina ou ensinamento você participou e ouviu uma explanação de seu pastor a respeito? Sim, ouvimos na EBD no último trimestre, mas nem todos vão, no máximo 30% ou 40% dos participantes de uma congregação.

Mas vamos aprofundar a questão. Falando da AD, quantas campanhas de oração foram levadas a efeito este ano para que Deus repreenda o ímpeto maligno abortista? Posso piorar as coisas? Qual o endereço do plantão psicológico de sua igreja para apoiar uma vítima de estupro? Que nome se dá em sua igreja ao departamento social que dará atenção ao bebê? No mínimo, assegurando que as informações corretas sejam dadas à gestante a fim de que ela possa procurar os orgãos governamentais que lhe deem suporte emocional e financeiro?

Vou complicar… A faixa mais exposta ao problema são os adolescentes e jovens, ok? Quantos congressos realizados em sua igreja este ano, direcionados a este público, abordaram diretamente o aborto e a gravidez indesejada e/ou precoce? Mas falo de uma abordagem franca, honesta e clara, até mesmo com o aparato de especialistas da área de saúde?

O mesmo raciocínio se aplica ao lobby gay. Os adolescentes e jovens em fase de definição sexual são os alvos preferenciais do movimento, ok? De qual congresso de jovens e/ou adolescentes você participou e o tema foi abordado? De forma séria, honesta, clara, objetiva, se possível com o aparato de especialistas evangélicos da área de psicologia? Tenho ouvido algumas pregações de congressos em que o tema é abordado de forma jocosa e displicente, de tal maneira que não enfrenta o problema nem de longe.

Qual de nossas igrejas, por exemplo, possui um departamento de apoio a mães cujos filhos(as) se revelam com tendências homossexuais? O máximo que se faz é encaminhar a alguém mais jeitoso e só. Normalmente, a família carrega o estigma sozinha e segue administrando como pode. Me diga aí quando foi a campanha de oração para que Deus repreenda o lobby gay, que é sobretudo espiritual?

E política? Hoje se diz que precisamos de representantes políticos para defender nossas causas. Já discutimos o assunto aqui, mas gostaríamos de fazer outra pergunta. Se se dá tanto valor à tais escolhas, atribuindo-lhes até mesmo méritos divinos (ai de quem se opuser à visão divina!), quando sua igreja entrou em oração para escolher quem a representaria? Normalmente se impõe as escolhas para que a Igreja ore. Por que não orar para ver quem Deus indica? Ou Deus estaria longe disso? Ou, pior, alguém teme sua indicação? Não seria aquele que já está na bolsa de apostas?

Eu lembro de uma historieta antiga de um irmão que queria casar, mas tinha uma preferida. Então ele orava: “Senhor, me dê uma esposa. Contanto que seja Maria!” É assim que se processam certas escolhas ditas de Deus para sua Igreja, isso quando oramos. Complicado entender!

Pra não me alongar mais, temos a responsabilidade individual. Isso, isso, isso, como diria o Chaves. Por quantos gays você orou diretamente nestes 179 dias? Creio que você conhece algum ou o tem em sua família. Quantos jejuns você fez direcionados a ele ou ela? Quanto vezes orou por aquela jovem que engravidou de um estupro? E, pelo STF, você tem orado? Foi lá que decidiram pelo casamento homossexual! Podemos expressar nossa contrariedade, é até libertador, mas não podemos abrir mão da intercessão sincera e sem cessar como diz Paulo aos Tessalonicenses 5:17!

Não precisa me responder quantas vezes você orou ou jejuou por estes e outros assuntos. Estas palavras foram escritas para que reflitamos: será que queremos mesmo que o Brasil mude?

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10 Comentários

  1. Williane Costa disse:

    É incrível como as pessoas falam que querem que o Brasil mude. Sem oração meu amigo, nada nunca vai mudar ou vai melhorar, ou a vitória vai chegar. Precisamos orar com ousadia, orar ao Senhor pelo nosso país, etc.

  2. Ótima exposição, Pr. Daladier! Temos que orar em todo tempo, além de atuarmos contra essa miríade de problemas que afeta diretamente a Igreja.
    Sempre digo: quem tem condições (intelectuais, espiritual) e vontade de mudar, de fato, a situação política brasileira (pois é dela que sai tudo que nos atinge), vá, faça a diferença, ocupe espaços! Precisamos de mais pessoas tementes a Deus dentro do meio político. Só assim para podermos sair dessa situação.

    P.S.: Quero lhe parabenizar pela bela iniciativa de tratar assuntos como estes, dedicando tempo e esforço para conscientizar os irmãos da Igreja. Precisamos de mais pessoas assim para termos uma congregação com sólidos conhecimentos e ampla visão de mundo. Comecemos a mudança, a transmissão de conhecimentos com aqueles ao nosso redor.

  3. Edinaldo Bernardino disse:

    O caso é mais série do que se pensa. Estamos vivendo numa época que a hipocrisia nos cerca e se não tivermos cuidado, seremos facilmente invergonhados por nossas atitudes ou por falta delas. Por outro lado, é ainda pior a situação da igreja de um modo geral, que, além de existirem todos esses problemas espirituais para lidar, ainda se engancha com a falta de preparo social para atender a essas demanadas. A não organização só tem feito com fiquemos para trás na corrida contra os ataques que o mundo tem feito a igreja. Deus nos ajude!

  4. Elizeu Araújo de Barros disse:

    Essa conversa de “geração que faz a diferença” me parece mais uma massagem de ego. Salvo raras exceções, não se dá orientação devida ao combate contra o mundo. Sem oração, então, é que a coisa desanda mesmo. O jovem que milita essa guerra tem que buscar conhecimento fora, pois, se formos com o que recebemos na igreja, levamos uma verdadeira surra.

  5. Ricardo Alves Leone disse:

    Pr. Daladier Lima, artigo excelente! Sempre questiono sobre vários pontos acima, sou pastor auxiliar e sempre pontuo diante da liderança da igreja AD que congrego, mas é vão, procuro falar em reuniões e tal, mas nada. Só Deus mesmo para despertar a liderança para a verdadeira oração. Principalmente, nas AD’s do Brasil.

  6. Eliezer Souza disse:

    Mais uma verdade ensinada aqui…
    Parabéns, pastor!

  7. Paulo Henrique da Silva disse:

    Parabéns!aos um conteúdo franco, abalizado e edificante, o problema com políticas assistencialistas nas igrejas está sério, o social da igreja é só cesta básica e alguns projetos socioeducativos. Precisa-se de mais enfoque nessas questões mais atuais, como: crise de identidade sexual, gravidez na adolescência, aborto e etc.

  8. Ellen Miguel da Silva disse:

    So iremos mudar esse país quando a população aprender quem vai colocar no ministério, além de contribuir fazendo sua parte como cidadão de bem.

  9. DAVI JOSE DA SILVA disse:

    desenvolver um senso crítico virou um grande desafio na igreja atual.

  10. Miqueas Cipriano disse:

    Infelizmente, somos uma massa indiferente com as questões viscerais de nossa nação. Cheguei a afirmar por muito tempo que crescemos muito na graça e ficamos raquíticos no conhecimento, agora, meu pensamento vagueia por outra constatação, “INCHAMOS”, não crescemos. O povo padece, ou melhor, padecemos por falta de conhecimento.