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Por que debater Marina?

Alguns leitores do artigo anterior ficaram enfurecidos porque expus algumas contradições da candidatura de Marina Silva. Já disse o Reinaldo Azevedo que o segredo de aborrecer é dizer tudo, portanto, lá vai. Por que debater este assunto?

1) Porque está em jogo o futuro do Brasil. A discussão não é sobre comer cuscuz ou pão com ovos no café manhã, é sobre quatro anos de decisões boas ou más, que farão a diferença no dia a dia das pessoas e repercutirão por longos anos. Nenhum cidadão pode se alienar deste debate;

2) Porque o discurso comum da esquerda, principalmente, e que se espraia por todo espectro ideológico brasileiro é culpar os outros pelo não crescimento de nosso País. Apesar do domínio tecnológico americano poderíamos fazer muita coisa e não fizemos. Oitenta por cento é culpa nossa. Gerimos mal nosso suado dinheiro, a corrupção está entranhada nas instituições, o PT privatizou o Estado. Isso é culpa dos nossos governos!

3) A candidata aparece com um discurso de novidade, mas olhando com lupa, sem emocionalismo, é mais do mesmo. Marina, sem sombra de dúvidas, é uma extensão ideológica do PT. Será o quinto governo petista, numa versão mais radical das ideias. Leiam o programa de governo dela e vocês terão tudo que temos hoje. Somente o apoio ao decreto 8.243 já é um resumo do que pensa a candidata. Infelizmente, muita gente nem sabe do que se trata. E quer debater… aí não dá;

4) Tendo a votar em Aécio ou nulo. Gostaria de discorrer sobre isso. As alegações que leio é que o candidato é privatizante e neoliberal, além de num eventual mandato não priorizar o Nordeste. Apesar dos investimentos do atual governo em Pernambuco, por exemplo, dos R$ 500 bilhões previstos no PAC, apenas R$ 20 bilhões destinam-se ao nosso Estado, não chega nem a 10%. Se pensarmos que Pernambuco é o segundo maior Estado do Nordeste em termos de economia…

Destaco num parágrafo a questão da privatização. De fato FHC privatizou muitas empresas, especialmente as de telefonia. Vamos pensar: quanto era uma linha telefônica antes disso? Por aqui se transacionava em torno de R$ 10.000,00, mas já chegou a valer um carro! Sendo que não haviam linhas disponíveis! Estas transações eram feitas entre particulares. Hoje, na maioria das vezes, você telefona e em 24 horas a linha está instalada. Com custo praticamente zero. As contas eram mais caras, eu cheguei a pagar faturas de R$ 800,00!

Outro detalhe que o povão não conhece é que a fatia mais gorda dos recursos para a privatização de tais empresas vieram dos fundos de pensão de trabalhadores de estatais, como é o caso da Vale do Rio Doce. Com a valorização das empresas o fundo de pensão engordou o patrimônio! Ou seja, os próprios funcionários, através dos fundos de pensão corporativos, são os detentores de boa parte do capital bilionário das empresas privatizadas.

Outra coisa: sem a privatização não teríamos diversas das facilidades que temos hoje. Pois o Estado brasileiro é burocrático, perdulário e lento em suas decisões. É o caso da Petrobrás que manteve-se estatizada. Resultado: nós temos a gasolina mais cara entre os países produtores do combustível e a empresa foi do 12º lugar entre as empresas mundiais ao 120º! Má gestão, corrupção, superfaturamento entre outras mazelas denunciadas pela grande imprensa.

Diversas empresas privatizadas são alvo de reclamações dos usuários. Mas temos que levar em conta dois aspectos: a) Por que o Governo Lula não estatizou eventuais empresas problemáticas? b) Por que não se empoderou, em doze anos, as agências reguladoras para pressionar pela qualidade do serviço de tais empresas? Muito pelo contrário, o que aconteceu é que enquanto se demonizava as privatizações de FHC, ao mesmo tempo se buscou acordos como o que levou o filho do próprio Lula a ser sócio da Oi e se aparelhou tais agências com afilhados políticos incompetentes e corruptos.

Não estou debatendo Marina, estou debatendo o futuro político, financeiro, institucional, democrático de nossa Nação. Ocorre que ela é candidata e seu programa e pensamento afrontam alguns preceitos nos quais acredito nos quesitos apresentados. Não me venham com essa conversa mole de que é crente, evangélica, etc. Não voto num candidato apenas porque evangélico. Ele precisa me convencer através de suas ideias. Se não tiver projeto de Governo perdeu meu apoio de vez. Não é lá muita coisa, mas eu prefiro dar vez e voz às minhas preferências.

Você, leitor, pode até votar em Marina. É seu direito. Só não me diga, depois, que foi enganado. Como, aliás, não estou sobre Aécio. Ainda estou estudando a questão. Me aprofundo agora em pesquisas sobre seu governo em Minas Gerais. Vamos ver… Já votei com o coração em Lula e numa vontade imensa de mudar o País. Deu no que deu.

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