A Natureza dos Demônios – Agentes da Maldade no Mundo Espiritual

A Natureza dos Demônios – Agentes da Maldade no Mundo Espiritual. Subsídio em texto e vídeo para a lição 03 da Escola Dominical. Leia comente, compartilhe!

Prezados leitores, que acharam do subsídio da semana passada? Desta vez vamos de falar sobre A Natureza dos Demônios – Agentes da Maldade no Mundo Espiritual. É o tema da terceira lição do trimestre. Como enfatizamos sempre, o comentarista não tem condições de esgotar um assunto tão extenso numa mera lição. Nossa missão é engrossar o caldo um pouquinho visando professores e alunos mais interessados. Nos acompanhe!

Para aqueles que não leram o comentário da semana anterior no blog sugiro que o façam porque alguns conceitos, como a visão da Angelologia no Judaísmo, no Catolicismo e no Espiritismo, irão ajudar a compreensão do assunto desta semana. Para facilitar a leitura transcrevemos o conteúdo da lição em azul e fizemos os comentários em preto.

Texto áureo

“E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.”
(Ap 12.9)

Leitura Diária

Leitura Bíblica Diária - 3ª Lição

Leitura Bíblica Diária – 3ª Lição

Leitura Bíblica em Classe

Apocalipse 12.7-10

7 – E houve batalha no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão; e batalhavam o dragão e os seus anjos,
8 – mas não prevaleceram; nem mais o seu lugar se achou nos céus.
9 – E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.
10 – E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora chegada está a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derribado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite.

O livro de Apocalipse se refere ora ao início remoto, um tempo em que não havia a Terra como a conhecemos, ora ao futuro eterno, uma era que estaremos conhecendo daqui a algum tempo. A qualquer momento um botão imaginário será acionado e dará início aos eventos escatológicos, isto ocorrerá com o arrebatamento da Igreja.

Até o presente momento não temos noção de quanto tempo nos resta, mas logo após tal acontecimento um cronograma bem definido (ao menos dentro daquilo que conhecemos) será colocado em prática. Se tudo ocorrer como interpretamos as profecias até o momento, em 1.007 anos depois da volta de Jesus entraremos para sempre na eternidade.

Entendemos que os eventos referidos nestes versículos não são apenas sobre o futuro, mas também sobre o passado. Num tempo muito distante houve uma rebelião no Céu, encabeçada pelo príncipe das trevas, que culminou na sua expulsão junto a uma terça parte dos anjos. Desde então o pecado adentrou a raça angelical e eles se tornaram seres repugnantes e maus, em oposição aos desígnios de Deus.

De partida eu sugiro aos professores e alunos que leiam todo o capítulo 12 do livro de Apocalipse. Ele é bem curtinho, tem apenas 17 versículos. Então, leia e releia com muita atenção aos detalhes. Será fundamental compreender este acontecimento para se situar na linha do tempo do assunto da lição. Sigamos…

Objetivo Geral

Conscientizar de que os demônios são anjos decaídos que se rebelaram contra Deus e o maioral deles é Satanás.

Como já dissemos anteriormente, os demônios são aqueles que seguem Satanás. Ao contrário do Judaísmo (leia/assista o comentário da lição passada) os demônios não são bons e maus ao mesmo tempo. Também não agem fazendo a vontade de Deus, mas, a priori, exatamente contra esta vontade. Eles adquiriram esta condição negativa ao se aglutinarem com o intuito de tomar o trono de Deus.

A Bíblia é muito econômica sobre as circunstâncias da queda, não sabemos, por exemplo, se caíram outros querubins, algum arcanjo ou serafim.

Ressaltamos que, eventualmente, demônios podem, por permissão divina, fazerem a vontade de Deus, mesmo quando imaginam estar fazendo sua própria vontade. Falaremos um pouco mais deste assunto adiante.

Objetivos Específicos

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Apresentar a origem dos demônios conforme as Escrituras;

Infelizmente, este é um assunto recheado de heresias. Pessoas as mais diversas tem criado as teorias mais malucas, no intuito de desvirtuar a Palavra de Deus. É amplo o espectro de seitas que utilizam-se dos demônios, desde aquelas com alto teor filosófico àquelas com ênfase na possessão e descontrole. É necessário resgatar a origem dos demônios a partir da Bíblia, para colocar as coisas em seus devidos lugares, compreendendo que são seres caídos, mantendo essencialmente a força e inteligência da natureza angelical (2 Pe 2:11).

II. Expor a respeito da batalha no céu;

Este é outro assunto desconhecido ou mistificado para muitos de nós. É imprescindível ler outros textos bíblicos para formar um arcabouço e entender este objetivo. Sugiro desde já Isaías 14:12-16 e Ezequiel 28:15, ainda que contenham linguagem predominantemente simbólica. Entretanto, ao contrário do que veremos num dos tópicos da lição, esta batalha já aconteceu.

III. Destacar o maioral dos demônios;

Os demônios estão fortemente articulados ao redor de um líder. Esta articulação é de tal dimensão que há quem pense ser o Diabo onisciente. Na verdade esta rede se encarrega de repassar informações entre si de modo tão eficiente e rápido que cause esta impressão.

IV. Mostrar o poder de Jesus sobre os demônios.

Durante sua passagem por este mundo Jesus foi fortemente atacado de todas as formas, não apenas pelos demônios, mas pelo próprio Diabo. E os venceu em todos os momentos, demonstrando incrível poder sobre o mundo espiritual. E esta supremacia não se restringiu a este mundo terreno, como veremos mais adiante. Importante frisar que as maiores tentações ocorreram justamente na cruz. Era ali que se Jesus falhasse poderia por tudo a perder!

Introdução

A Demonologia é uma parte da Angelologia, a doutrina dos anjos, porque tanto demônios quanto anjos são criaturas espirituais e invisíveis. A presente lição pretende mostrar a origem, a natureza e os objetivos dos demônios e do seu maioral.

I – Origem dos demônios

1. Os anjos caídos e os demônios. Eles são os restantes dos anjos que seguiram Satanás após a sua rebelião contra Deus (v.9). A tradição judaica antiga descreve essa queda de maneira mais ampla na literatura apocalíptica do período interbíblico como os Oráculos Sibilinos e os livros de Enoque.

Os demônios não foram criados como tal. Eles se tornaram assim. Não sabemos sua quantidade exata. O texto de Apocalipse 12:4 dá a entender que 1/3 dos anjos se tornaram demônios. Porém, não podemos esquecer de Apocalipse 9:16, que registra o número dos demônios que serão libertos apenas na Grande Tribulação. Ao contrário dos que estão atuando livremente no mundo hoje, estes estão aguardando os momentos finais. São duzentos milhões!

Que critérios foram utilizados para deixar uns livres e outros presos? Não sabemos. Apenas se conjectura que os que caíram nesta primeira rebelião ficaram livres até o dia em que serão lançados no Lago de Fogo, porém, aqueles que pecaram daí por diante ficaram presos, para só serem soltos durante a Grande Tribulação. Outros especulam que aqueles que ficaram presos são os mais fortes e de maior grau hierárquico. Feliz ou infelizmente, na Bíblia não há nada a respeito.

E ainda há uma terceira categoria de anjos caídos: “E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia” (Jd 1:6). Estes estão guardados até o Juízo Final, jamais serão soltos. Segundo alguns intérpretes são os anjos que coabitaram com as mulheres (Gn 6:1,2-4). Este ensino se choca com Mateus 22:30, embora ali Jesus diga que são como os anjos no Céu.

2. A expulsão do querubim ungido. A Bíblia diz que Satanás é o maioral dos demônios (Mt 12.24; 25.41). No princípio, Deus criou o querubim ungido, perfeito em sabedoria e formosura, o qual era o selo da simetria (Ez 28.12-15). Ele se rebelou contra Deus e foi expulso do céu (Is 14.12-15). Com sua queda, saíram com ele os anjos que aderiram à rebelião, e uma parte deles continua em prisão (2 Pe 2.4; Jd 6). Apesar de a Bíblia não fornecer detalhes sobre os demônios, essas passagens bíblicas podem apontar a sua origem.

Uma pretensão maligna perpassou o coração do Diabo: Eu serei igual a Deus (Is 14:14)! Nesta intenção seu coração inchou e ele passou, rapidamente, a convencer seus pares. Quando a turba em rebelião se aproximou do Céu foi interceptada por Miguel, um dos primeiros príncipes, com um exército numeroso de anjos, os quais lutaram e venceram. Daí os rebeldes foram expulsos para sempre do Céu e não mais puderam chegar à presença de Deus.

Alguns podem objetar: Por que o Diabo queria ser maior que Deus? Ele não sabia que é apenas um anjo e, portanto, menor que Deus? Ora, quantos humanos não quiseram ser maiores que Deus? Quantos não se autointitularam como o próprio Cristo? Se homens mortais, falíveis, limitados no tempo e no espaço, possuem, por vezes, tal pretensão qual a impossibilidade de um pensamento semelhante acometer aos anjos, que possuem livre arbítrio, poder e inteligência muito maiores?

3. Os demônios na cultura pagã. Os termos gregos traduzidos por “demônio” no Novo Testamento são daimonion, “demônio, um deus, uma divindade”, para designar os deuses pagãos (Dt 32.17); e daimon, “um espírito mal, demônio”. Os demônios foram posteriormente concebidos como seres espirituais intermediários bons ou maus, ou seja, os anjos e os espíritos malignos. A natureza inconsequente desses espíritos os associa com o mal, com toda a maldade do mundo.

Lê-se shêd - plural shêdim

Lê-se shêd – plural shêdim

Lê-se sair - plural sairim

Lê-se sair – plural sairim

Há apenas duas ocorrências da palavra demônios no Velho Testamento, como shêd: Dt 32:17 e Sl 106:37.  Já como sair, são 59 ocorrências (Lv 17:17, II Cr 11:15). Porém, o conceito estava impregnado no imaginário teológico da época e era empregado de forma generalizada aos ídolos das nações (Dt 32:17; II Cr 11:15).

No Novo Testamento os termos utilizados para demônio e seus cognatos, ocorrem cerca de 64 vezes.

Lê-se daimonion e daimôn

Lê-se daimonion e daimôn

Importante frisar que todas as ocorrências são negativasEsse ressalto é necessário porque na angelologia judaica os anjos são tanto maus como bons, de acordo com a missão que lhes é confiada por Deus. No NT, ao contrário, os demônios sempre estão agindo para o mal da humanidade, seja com ações diretas como a do endemoninhado gadareno (Mc 5:1ss, pneumati akarthartô, espírito imundo), quanto com doutrinas falsas (I Tm 4:1, pneumasin planóis, espíritos enganadores).

II – A batalha no Céu

1. O arcanjo Miguel e o dragão (v.7). Miguel é anjo, o príncipe dos filhos de Israel, na qualidade de arcanjo, e lidera uma guarnição angelical (Dn 10.13, 21; 12.1; Jd 9). O dragão é identificado com o próprio Diabo e Satanás, a antiga serpente (v.9), em uma referência à serpente do Éden (Gn 3.1-4,13-15). Miguel é mais poderoso do que o dragão, pois peleja pelo poder de Deus e, juntamente com os seus liderados, expulsa Satanás e seus anjos do céu (Ap 12.8).

De acordo com vários expositores esta batalha ocorreu há muito tempo, não se sabe precisar quando. Portanto, o excerto da lição que fala deste evento como algo a ocorrer no futuro é estranho e descabido. A menos que admitamos que a batalha só ocorre após o nascimento do Messias (Ap 12:1-5) e que hoje Satanás tem acesso ao Céu e que não o terá depois dessa batalha.

Subsídio doutrinário da Lição 03

Subsídio doutrinário da Lição 03

2. A expulsão de Satanás (v.8). Essa passagem é muito disputada pelos expositores bíblicos e há diversas interpretações. Nessa guerra escatológica, há os que acreditam que se trata da queda original de Satanás, e outros afirmam que não há ligações com essa queda. Outra interpretação é que Satanás teria acesso ao céu antes da ascensão de Jesus. O argumento usado se baseia em algumas passagens do Antigo Testamento (1 Rs 22.23; Jó 1.6-9; 2.1-6; Zc 3.1,2). De uma forma ou de outra, a derrota do Inimigo já está decretada, conforme revelou o próprio Senhor: “Eu via Satanás, como raio, cair do céu” (Lc 10.18). A expressão “eu via” diz respeito a uma ação contínua, e isso mostra que Jesus contemplava, em visão, a queda de Satanás, enquanto os setenta pregavam o evangelho.

Esta é outra questão estranha. Ora se Satanás tem acesso ao Céu, como pensam alguns, e é um anjo caído, o hino “No Céu não entra pecado…” é uma tremenda mentira. Se esta corrente de pensamento estiver correta, no Céu entra pecado. Penso que é um eco da angelologia judaica (veja nos comentários que trouxemos à lição anterior), segundo este ensino, em resumo, Satanás seria apenas um promotor apto a nos acusar diante de Deus e não um anjo caído.

Imagino que o Céu é um lugar santo e separado do mal, habitação de Deus. Estas reuniões de que falam Jó 1:6, por exemplo, ocorreram na Terra, entre os filhos de Deus, adoradores humanos. É inconcebível que tenham ocorrido no Céu. Evidentemente, Deus tem acesso a qualquer criatura, como é capaz de entrar num bordel, embora a prostituição lhe enoje.

3. A vitória final sobre Satanás. A derrota final de Satanás, na verdade, teve início com a morte, ressurreição e ascensão de Jesus. A partir daí, as acusações do Diabo contra nós caíram por terra, porque quem nos justifica diante de Deus é o próprio Cristo (Rm 5.1; 8.33). No Apocalipse, vemos que Miguel e seus anjos vencem o dragão e seus demônios (Ap 12.7-9). O mérito da vitória, porém, não cabe ao arcanjo, pois este sempre atuou em nome do Senhor (Jd 9). Mais adiante, o Diabo é amarrado por mil anos, para, finalmente, ser lançado no lago de fogo (Ap 20.3,10). Diante das arremetidas do adversário, sejamos valentes e confiantes na pronta intervenção divina, pois temos, nesta luta, uma gloriosa promessa (Rm 16.20).

Precisamos compreender que o sacrifício de Cristo trouxe redenção à toda criação e à própria História. Sua morte redime a meta história de Deus. Seu sangue foi o preço desta redenção. Uma vez redimidos, os pecados foram apagados (Cl 2:14) e já não há mais nenhuma condenação para o salvo (Rm 8:1). Foi neutralizada a influência do Diabo e seus anjos sobre nossa vida e vivemos agora guardados com Cristo em Deus (Cl 3:3).

Porém, a vitória final é escatológica. Só se dará no tempo do fim, quando Deus conduzirá a História para o destino eterno. O Diabo e seus anjos serão lançados no lumen tou pirós (lago de fogo), de onde jamais sairão, nem terão qualquer influência no Universo.

III – O maioral dos demônios

1. A Serpente. O termo “dragão” é drakon em grego e é usado na Septuaginta para traduzir algumas palavras hebraicas, como tanim e leviatan, cujo sentido é diversificado como “monstros, animais do deserto, serpentes”. No Novo Testamento, só aparece em Apocalipse, e aqui é chamado de “o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo” (v.9). A serpente que enganou Eva é o próprio Satanás (Gn 3.1-4; 14,15). Ele é perito em enganar como fez com Eva e ainda hoje esta é uma de suas especialidades (2 Co 2.11; 11.3).

Fizemos uma rápida coletânea de alguns termos hebraicos e gregos utilizados para se referir ao Diabo e suas ocorrências em alguns textos. A lista não se esgota aí:

Nomes e termos hebraicos e gregos aplicados ao Diabo na Bíblia

Nomes e termos hebraicos e gregos aplicados ao Diabo na Bíblia

2. Satanás. Não é possível descrever todos os nomes do inimigo de Deus e do seu povo. O nome mais conhecido vem do hebraico satan, “Satanás, adversário”. É no prólogo do livro de Jó que Satanás aparece pela primeira vez como ser espiritual que acusa os justos diante de Deus. As Escrituras o revelam primeiramente com nome pessoal quando induz o rei Davi a fazer o recenseamento: “Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou Davi a numerar a Israel” (1 Cr 21.1).

3. O Diabo. O termo grego diábolos, “caluniador”, é usado com frequência na Septuaginta para traduzir a palavra hebraica satan, “adversário”. O termo vem do verbo diabállo, “acusar, difamar, enganar, provocar um desacordo”. A especialidade dele é enganar e acusar (v.10). Jesus disse que a essência da natureza dele é a mentira: “Vós tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). Sua habitação ainda não é o inferno; ele ainda será lançado nesse lugar, “o fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.41).

Breve resumo da ação do Diabo e seus demônios ao longo da história bíblica (identificados por sua atuação direta ativa ou reflexa, exceto eventos escatológicos):

  1. Tentou a Eva (Gn 2:7)
  2. Submeteu a criação ao pecado de Adão (Rm 8:19-22)
  3. Tentou arrebatar o corpo de Moisés para servir à idolatria (Jd 1:9)
  4. Um espírito mau que atormentava Saul sob permissão de Deus (I Sm 16:14)
  5. Tentou Davi para recensear Israel (I Cr 21:1)
  6. Usou os profetas mentirosos para profetizar o bem de Acabe (II Cr 18:19-22)
  7. Tentou destruir a vida de Jó (Jó 1 e 2)
  8. Tentou atacar a honra do sumo sacerdote Josué (Zc 3:1ss)
  9. O Diabo tentou o próprio Jesus (Mt 4:1ss; Lc 4:2ss)
  10. O episódio do endemoninhado gadareno (Mc 5:1ss, Lc 8:27-30)
  11. Demônios se apoderam de uma manada de porcos (Mt 8:31; Mc 5:12; Lc 8:33)
  12. Menino lunático e possesso é liberto (Mt 17:18; Lc 9:42)
  13. Várias expulsões pelas mãos de Jesus (Mc 1:34,39; Lc 4:41)
  14. Jesus expulsa um demônio de um homem na sinagoga (Lc 4:33,35)
  15. Várias expulsões pelas mãos dos discípulos (Mc 6:13)
  16. Jesus expulsa um demônio à distância da filha de uma mulher siro-fenícia (Mc 6:13, 7:26,29,30)
  17. Um homem desconhecido expulsa demônios em nome de Jesus (Mc 9:38; Lc 9:49)
  18. Setenta comissionados expulsam demônios (Lc 10:17)
  19. Demônio expulso de um mudo (Lc 11:14)
  20. Jesus libertou uma mulher presa por Satanás há 18 anos (Lc 13:16)
  21. Satanás agiu em Pedro para tentar fazer Jesus desistir da cruz (Mt 16:23; Mc 8:33)
  22. O Diabo agiu em Judas (Jo 13:2; Lc 22:3; Jo 13:27)
  23. Satanás pediu para dispersar os apóstolos (Lc 22:31,32)
  24. Satanás encheu o coração de Ananias para mentir aos demais discípulos (At 5:3)
  25. Elimas age sob inspiração diabólica (At 13:10)
  26. Paulo expulsou espírito maligno de uma moça e convulsiona Éfeso (At 16)
  27. Endemoninhado fere os filhos de Cefas (At 19:15,16)
  28. Um mensageiro de Satanás esbofeteia Paulo por permissão divina (II Co 12:7)
  29. Satanás impediu Paulo de ir à Tessalônica (I Ts 2:18)

Eventualmente, há outras ocasiões das quais não conseguimos nos lembrar…

IV – O poder de Jesus sobre os demônios

1. O contexto bíblico. Há relativamente pouco registro sobre os demônios no Antigo Testamento. A Septuaginta traduz quatro termos hebraicos por daimonion, “demônio”, e um por daimon (Is 65.11). A tradição judaica considera os demônios como anjos caídos que se uniram a Satanás na sua rebelião contra Deus. Os demônios são identificados no Novo Testamento como os espíritos imundos (Lc 4.33; 8.29; Ap 18.2) e os espíritos malignos (Lc 8.2). Eles são malévolos, podem entrar nas pessoas (Lc 11.24-26) e causam todo o tipo de doença (Lc 9.39-42), embora nem todas enfermidades sejam de origem demoníaca (Lc 13.32).

Importante notar a esta altura do comentário que em nenhuma ocasião Jesus fez os salamaleques que vemos nos programas televisivos para expulsar demônios. Seu poder se manifestava de maneira imediata (Mc 5:1-7). Ele não precisava de longas entrevistas que pudessem expô-lo de maneira inconsequente. Há um verdadeiro teatro em torno dos chamados cultos de libertação.

Outro tópico abordado de relance é a relação entre doenças e possessão maligna. Temos alguns casos em que outras doenças se potencializavam pela possessão. Mas nem toda doença é possessão. Um dos mais intrigantes está em Lucas 13, a partir do versículo 11. Ali temos uma mulher que há 18 anos andava encurvada e que foi curada pela expulsão do demônio que a afligia. Mas nem todo hérnia de disco, artrose, escoliose são doenças malignas.

Outrora os surtos epilépticos, a esquizofrenia, a depressão e outras doenças mentais eram tidos como possessão. Isso refletia a ignorância quanto a tais doenças. Não duvidamos que ainda o sejam na mente de muitos crentes. Precisamos discernir entre uma doença comum e a possessão, isso só se faz espiritualmente.

Não podemos, por outro lado, negar o poder que algumas doenças mentais tenham de abrir espaço para tentações e possessões. Situações de abandono, violência e abuso, acesso à pornografia, desestruturação familiar são excelentes oportunidades para tais ocorrências. Outro fator que pode potencializar a ação maligna são as drogas, especialmente, as que alteram a percepção da realidade.

Um exemplo muito complexo é o recalque, que consiste no transbordamento psicológico de algo que nos foi negado ou negamos ao longo da vida e sublimamos. Em muitos casos, na velhice, vamos encontrar pessoas transbordando um sentimento contraditório em relação à sua vida espiritual, comportamento esse derivado das negações de outrora. Não é raro, por exemplo, encontrar crentes idosos senis verbalizando pornografia e até gestos obscenos, condenáveis em sua castidade de outrora. Em alguns desses casos as ações malignas podem se potencializar neste contexto[1].

2. O triunfo de Cristo. A vitória preliminar de Jesus sobre Satanás começa na tentação do deserto (Mt 4.11). O Diabo já está derrotado preliminarmente (Jo 12.31). Jesus disse que o príncipe desde mundo já está julgado (Jo 16.11). Mesmo assim, ele continua se opondo à obra de Deus. Satanás causou diversos infortúnios ao apóstolo Paulo, com o espinho na carne (2 Co 12.7) e o impedimento nas jornadas missionárias (1 Ts 2.18). Nós não devemos ignorar as suas astúcias (2 Co 2.11). Em breve, Deus “esmagará Satanás debaixo de nossos pés” (Rm 16.20).

É importante destacar neste ponto que Cristo venceu em vida o Diabo e seus demônios, sendo tentado de várias maneiras (Hb 4:15). Porém, sua vitória não se restringiu a isso. Após morto na cruz foi em espírito às partes mais baixas da Terra e triunfou das potestades malignas (Ef 4:8-10; Cl 1:23, 2:15). Tendo esvaziado o local conhecido como seio de Abraão, para onde iam os mortos salvos, os levou ao Paraíso (Lc 23:43).

Na manhã do terceiro, ressurgiu! Sua ressurreição proclamou a vitória sobre o Diabo e o pecado, a chaga mortal introduzida pelo maligno, sob concessão de Adão, na Criação, lá no Éden.

Conclusão

Os demônios são reais, são espíritos maus e imundos, o oposto dos anjos. Jesus é a única garantia de que eles nada podem contra nós; antes, Jesus disse: “Eis que vos dou poder para pisar serpentes, e escorpiões, e toda a força do Inimigo, e nada vos fará dano algum” (Lc 10.19).

Algumas questões sobre a próxima lição:

  • Quem tentou ao Diabo?

Esta não é uma questão fácil, uma vez que pensamos sempre que há um indutor do mal. Na realidade Satanás gerou pecado em si mesmo. E isto aconteceu no momento em que se deixou enganar por sua aparência, poder e beleza.

  • Qual o papel do Diabo na tentação?

O Diabo é o indutor do pecado, mas não pode obrigar ninguém a pecar, a menos que tenha possuído esta vida. Sua especialidade e de seus demônios é descobrir qual o ponto fraco das pessoas (crentes, inclusive) e fazê-las cair. É isso (também!) que fará o Milênio um reino de paz. Ele estará preso e não poderá tentar ninguém, nem articular sua rede demoníaca (lembre que os demônios não serão presos).

  • Por que o pecado de Adão foi tão grande a ponto de comprometer toda a raça humana?

Uma vez em queda, Adão submeteu a Criação ao pecado. Note: ele é a coroa da criação (Hb 2:7). Com seu pecado submeteu essa responsabilidade ao tentador. Daí em diante todos nascem em pecado e a própria criação geme (Rm 8:19).

  • Demônios creem em Deus e em Cristo e outros temas bíblicos?

Creem e tremem, como afirma Tiago 2:19. Eles sabem que tudo que a Bíblia fala é verdade e são exímios conhecedores da Palavra. Foi, aliás, com a própria Palavra que o inimigo tentou vencer Jesus no deserto.

  • Demônios podem se converter?

Deus já selou o destino eterno dos anjos caídos e preparou um lugar de tormento para eles (Mt 25:41), portanto, não há salvação para eles.

  • Demônios retiveram sua natureza de outrora?

Sim. São poderosos, espirituais, locomovem-se rapidamente por todo o Universo.

  • Demônios podem ler pensamentos?

Não. Não podem penetrar na mente humana, a menos que lhes revelemos nossas intenções. Porém, deduzem rapidamente nossos desejos e, como estão articulados por toda parte, a muitos parecem ser oniscientes.

  • Demônios podem ser usados por Deus?

Eventualmente, a permissão divina faz com que os próprios demônios sejam instrumentos de sua vontade. É o que aconteceu em II Cr 18:19-22, quando um espírito de mentira usou os profetas de Acabe, para profetizar bem, quando o Senhor lhe queria mal!

  • O Diabo está no inferno?

O inferno é sua morada, mas se movimenta por toda parte (Jó 1:7). Em Efésios 2:2 é chamado de príncipe das potestades do ar.

  • O Diabo e seus demônios um dia serão destruídos?

Embora Apocalipse 20:9 dê a entender que o fogo consumiu a todos, o Diabo e os demônios não possuem um corpo material que possa ser queimado. Nunca serão consumidos (Mc 9:44).

  • O Diabo busca povoar o inferno?

É uma expressão comum em algumas pregações que estamos saqueando o inferno. Na verdade quem entra no inferno (pecadores) não sai a não ser no fim dos tempos, quando o próprio inferno será lançado no lago de fogo (Ap 20:14,15). Por sua vez, cada pecador que se perde para sempre povoa o inferno.

  • Qual a origem do nome Lúcifer? Ele existe na Bíblia?

Lúcifer é a tradução latina de estrela da manhã (Is 14:12). A partir da Vulgata e sua penetração entre os católicos o nome se popularizou.

Vulgata Latina - Isaías 14_12

Vulgata Latina – Isaías 14_12

  • Como funciona a possessão demoníaca?

A possessão ocorre quando o ser humano dá lugar à atuação maligna em sua vida. Quando convida, através de palavras e atitudes, a morar em seu coração. Daí ele domina esta vida completamente, potencializando enfermidades e comportamentos.

  • Qual a diferença entre opressão e possessão?

Opressão é uma sensação temporária de ataque maligno. Já possessão indica um estado perene (I Pe 5:8). Devemos diferenciá-las de tentação, que é uma ação generalizada em toda humanidade.

  • Qual o papel do Diabo e seus demônios nas seitas e heresias de nosso tempo?

II Coríntios 11:14 afirma que o Diabo se transfigura até num anjo de luz. Ou seja, suas ações são as mais diferenciadas possíveis. Ele se transforma até no próprio Leão de Judá (I Pe 5:8), buscando enganar suas vítimas. É o influenciador por excelência dos falsos ensinos que, distorcendo a Palavra de Deus ou ridicularizando-a, acaba enganando muitos incautos. Infelizmente, algumas dessas heresias nascem ou encontram refúgio nas próprias igrejas. Quem não lembra do apóstolo americano que reservava lugar no púlpito para os anjos?

  • Devemos gritar para estourar os ouvidos do Diabo?

Estes comportamentos são ridículos e não encontram respaldo bíblico. Ademais o Diabo não tem corpo carnal, portanto, não tem um ouvido que possa ser atingido por nossos gritos, no máximo ficamos roucos e ele ri de nós. Aproveito aqui para relembrar que Satanás será esmagado por Jesus debaixo dos nossos pés no final da História (Rm 16:20). Quem tentar fazer isso hoje pode passar grande vexame.

  • Como podemos vencer o Diabo e os demônios?

O Diabo e seus demônios só serão repreendidos com jejum e oração (Mt 17:21). Quando oramos nos sujeitamos a Deus e compreendemos seu poder. O Diabo quer que sejamos autoconfiantes para que possa nos derrubar. Lembre-se: Satanás, tem de ser vencido em seu quarto, em sua casa, em sua vida, para só então ser vencido nas ruas!

Leia também: O que aconteceu a Jesus no intervalo entre sua morte e ressurreição?

[1] Me socorri do amigo Ricardo Albuquerque, bacharelando em Psicologia para discutir esse assunto. Ainda que, por falha minha, precise me aprofundar dada a sua complexidade.

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