Deus só é Deus quando livra?

Cena 1: Irmão João está na fila do banco quando um assalto se desenrola. Ele se joga no chão, as balas voam no ar, enquanto as pessoas procuram abrigo. Católicos começam a rezar. O pavor toma conta. Os ladrões levam o dinheiro dos caixas e os estilhaços ficam para trás. Escurece, irmão João, está ansioso, precisa ir ao culto testemunhar o livramento. No culto a Igreja se alegra, glorifica. Irmãs gritam a todo tempo: “Isso é que é Deus!” Outro arremata: “Servo de Deus Ele livra!”

Cena 2: Irmão José está no trânsito. Uma carreta desgovernada vem ao seu encontro. Os segundos são cruciais, passam devagar como um filme em time relapse. Filhos, mulher, igreja, a vida passa lentamente enquanto o perigo se aproxima. O choque é violento. O irmão José é arremessado. Toda sua consciência se esvai num esgar de dor. A visão vai apagando, a mente emite seus derradeiros sinais e ele parte para sempre. Seu corpo necropsiado é recolhido e preparado para o sepultamento. Os irmãos o acolhem e a seus familiares no templo. Todos choram. Ninguém grita, ou pensa, porque gritar não é de bom alvitre: “Isso é que é Deus!”

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