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O que é ética cristã? – Subsídio para a Lição 01 – 2º Trimestre/2018

O que é ética cristã? Como diferenciar ética de moral? Qual a base teórica da ética cristã? No que nossos valores éticos se apoiam? Leia este subsídio sobre o assunto. Vem comigo!

O que é ética cristã? – Subsídio para a Lição 01 – 2º Trimestre/2018

O que é ética cristã? Como diferenciar ética de moral? Qual a base teórica da ética cristã? No que nossos valores éticos se apoiam? Leia este subsídio sobre o assunto. Vem comigo!

Prezados 300 leitores, iniciamos mais um trimestre por misericórdia de Deus, que terá como tema: ética cristã. Cremos que assim como o trimestre encerrado no último domingo, este nos reserva boas surpresas no que diz respeito ao aprendizado e ao aproveitamento. Os professores e alunos mais antigos já devem ter percebido que a lição repete alguns temas já tratados em outras ocasiões. Isto ocorre porque há um currículo cíclico na CPAD segundo o qual após determinado período se coloca novamente os temas em discussão. Há alguns prós e contras a esse modelo, mas ele tem sido eficiente para a maioria das necessidades do alunado.

Sugiro aos professores trazerem um panorama dos assuntos a serem abordados:

  1. O Que é Ética Cristã
  2. Ética Cristã e Ideologia de Gênero
  3. Ética Cristã e Direitos Humanos
  4. Ética Cristã e Aborto
  5. Ética Cristã, Pena de Morte e Eutanásia
  6. Ética Cristã e Suicídio
  7. Ética Cristã e Doação de Órgãos
  8. Ética Cristã e Sexualidade
  9. Ética Cristã e Planejamento Familiar
  10. Ética Cristã e Vida Financeira
  11. Ética Cristã, Vícios e Jogos
  12. Ética Cristã e Política
  13. Ética Cristã e Redes Sociais

Aproveite a apresentação para encarregar alunos individualmente para trazer pequenas intervenções em sala, nos próximos domingos, para despertar novos talentos e incentivar a leitura e discussão dos temas.

Outra dica para professores é estimular os alunos a trazerem notícias pesquisadas nas mídia seculares sobre os assuntos abordados. Insista para que imprimam e justifiquem as manchetes e notícias escolhidas. Há fartos exemplos sobre todas as próximas lições e fazendo assim teremos uma aula produtiva e participativa. Um professor mais criativo pode criar um mural de imagens e textos com as reportagens e discuti-las à luz da lição, fazendo os links necessários com a Palavra de Deus.

Objetivos da lição 01

1) Conceituar Ética Cristã;

Aqui o professor deve ter o cuidado de separar:

a) Os conceitos de moral e ética. Geralmente, usados como sinônimos, são diferentes em termos conceituais. Ética são os preceitos corretos, enquanto moral o que fazemos a respeito destes preceitos, de que maneira os encaramos.Para ajudar o nobre professor/aluno reproduzimos abaixo um quadro que contrasta nossa compreensão da diferença entre as duas palavras:

Ética x Moral - Prof Mário Sérgio Cortella

Ética x Moral – Prof Mário Sérgio Cortella

b) Distinguir a ética cristã, baseada na Bíblia, da ética secular, sempre tendente ao relativismo e à permissividade.

2) Expor os fundamentos da Ética Cristã;

Embora a lição não tenha sistematizado de maneira mais adequada, o professor pode fazer isso trazendo, por exemplo, a lista das obras da carne de Gálatas 5:19: “imoralidade sexual, impureza e libertinagem, idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções, inveja, embriaguez, orgias e coisas semelhantes” versus os frutos do Espírito: “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” Gálatas 5:22.

3) Conscientizar de que fomos chamados para viver uma vida eticamente cristã.

Devemos compreender que a ética do reino é mais elevada que a do mundo. Colocando de outro modo: se a ética do mundo é tão exigente em muitos aspectos, como não deve ser a ética do reino?

O conceito de ética cristã

Antecipamos na introdução a diferença entre ética e moral. Agora, vamos focar no assunto deste tópico. A ética cristã enfatiza a postura do cristão frente aos desafios da vida. Nós fomos chamados para viver de modo digno da vocação que Deus operou em nós por sua misericórdia (Efésios 4:1), sem dar escândalo nem aos de dentro da Igreja, nem aos de fora (I Coríntios 10:32). Lembrando que escândalo é qualquer comportamento que traz embaraço para si ou para outrem. No original grego, scandalôn, era o suporte da armadilha, que uma presa desavisada derrubava, trazendo prejuízo a si e aos outros.

Escândalo - o suporte da armadilha

Escândalo – o suporte da armadilha

Observe que a ética cristã é latente. Ela deve ser colocada em prática no instante em que for necessário. Não precisamos de ameaça, de punição para decidir entre o bem e o mal, temos que escolher o melhor pelo que aprendemos. Por isso, a doutrina é tão importante na igreja. É por ela que temos a ortodoxia (correto ensino), que trará a ortopraxia (correta prática) no dia a dia. Daniel, por exemplo, não tinha pai, nem mãe, nem pastor, sequer tinha igreja em Babilônia, mas devido aos seus princípios propôs no seu coração não se contaminar com as iguarias da mesa do rei (Daniel 1:8).

Em meio a qualquer desafio à ética cristã, optar em agradar a Deus deve ser um prazer. Muita gente deixa de pecar constrangido, como se tivesse perdido uma grande oportunidade. E depois ainda pensa: “Quão bobo eu fui!”. Neste caso não há muita diferença do próprio pecado. Lembremos da mulher de Ló (Lucas 17:32) que saiu de Sodoma, mas Sodoma não saiu dela!

Outro ponto importante que o comentarista ressaltou é a imutabilidade da ética cristã. Ela não muda com o tempo porque baseada na Palavra de Deus. A esta altura devemos diferenciar usos e costumes de doutrina. Os usos e costumes mudam com o tempo. É o caso do rádio e da TV, que na Assembleia de Deus foram proibidas em resoluções convencionais. Em muitos lugares ouvir rádio e assistir TV podiam levar a diversos problemas. Isso mudou, o que não mudou é o cuidado que devemos ter ao assistir determinadas programações que trarão efetivo prejuízo à nossa vida cristã. Percebe a diferença?

Fundamentos da ética cristã

Neste tópico o comentarista vai trazer a base teórica da ética cristã. O resumo se inicia com a Lei de Moisés: o decálogo. E aqui devemos distinguir o que era temporal e passageiro e o que não muda. A Lei exigia um cumprimento por inteiro (Gálatas 3:10) e seus preceitos eram dignos de observação pelos judeus praticantes. Ocorre que a Lei, especialmente, sua vertente cerimonial, tinha um prazo de validade. Em Cristo toda a Lei foi, finalmente, cumprida, como não fora por todos antes dele. E daí encerrou-se sua observância. Alguns dos seus princípios foram reafirmados, mas a própria Assembleia de Jerusalém, a primeira do tipo decidiu que os crentes gentios deveriam se abster da:

  1. Idolatria;
  2. Fornicação;
  3. Carne sufocada.

E nada mais.

Evidentemente, os inúmeros ensinamentos de Jesus sobre a ética do reino deve ser colocada em prática. Não caducou. A estes se aliam os escritos paulinos e as epístolas gerais. Acabamos de estudar a carta aos Hebreus que fala, entre outras coisas, que devemos nos abster do leito sem mácula e da prostituição (Hebreus 13:4).

Assim os princípios imutáveis da Lei devem ser cumpridos. Enquanto coisas como a guarda do sábado se cumpriram. Mas não pensem que as coisas se abrandaram, que está mais fácil ser crente, etc. Sempre houve inúmeros desafios para quem quer seguir ao Senhor Jesus. Sempre! Nunca foi fácil! Não é por outra razão que seguir Jesus implica renunciar ao mundo e levar uma cruz (Marcos 8:34).

Jesus não menosprezou a Lei, nem os Profetas. Pelos contrário os citou abundantemente. O que acontece é a mudança de paradigma. A medida dada pelo Mestre é a seguinte: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela (Mateus 5:27,28)”. Percebe a diferença?

Para finalizar o tópico há outra questão chave: “A Bíblia fala de tudo, nos mínimos detalhes para nossa vida?” Evidentemente, não! A Bíblia é um livro de princípios que reflete a realidade de seu tempo (ainda que não muito diferente da nossa) e se dirige a qualquer homem ou mulher de qualquer época. A mesma Bíblia que nada fala sobre maconha, cocaína, cachaça, é a que fala sobre a maldição que cairá sobre aquele que destruir o corpo criado por Deus (I Coríntios 3:17). Não fala sobre sexo virtual, mas fala sobre por coisas más diante dos olhos (Salmos 101:3). Nada fala sobre fake news, mas abomina a mentira, que é o mesmo princípio (Provérbios 6:16-19). E por aí vai.

A Escola Charles Spurgeon disponibilizou em PDF o Didachê, o primeiro tratado ético cristão da igreja. Sugerimos vivamente que você leia e compartilhe com alunos e amigos.

 

Didachê - Instrução dos Doze Apóstolos

 

Chamados a viver eticamente

No último tópico o escritor destaca os pontos chave da ética cristã. Primeiro, abster-se do mal. Não apenas o mal concretizado, como modo de vida do ser humano caído, mas o mal latente, manifestado como aparência (I Tessalonicenses 5:22). Jesus ensinou que os olhos são a candeia do corpo (Mateus 6:22). É pela visão que cobiçamos e, uma vez engodados, caímos nas tentações da vida (Tiago 1:14,15). Mas nossos sentidos são portas abertas para outros pecados.

Em segundo lugar vem a idolatria. Manifesta-se muitas vezes de forma sutil e imperceptível, como a idolatria a líderes e outras pessoas, a idolatria denominacional, da santidade, muito semelhante à dos usos e costumes, ao dinheiro, ao poder, aos bens materiais. Enfim, tudo aquilo que toma o lugar de Deus na vida humana é idolatria. Ainda que feita com a melhor das intenções.

No terceiro sub-tópico o comentarista vai abordar a questão da prostituição, eu incluiria toda sorte de pecados sexuais, manifestados primeiramente por uma pulsão natural, que, em seguida, é desvirtuada pelos seres humanos. Paulo ensina que nosso corpo é templo de Deus e morada de seu Espírito (I Coríntios 3:16), corroborando João 14:23, como faremos deste corpo um instrumento da prostituição?

Concluindo…

Uma questão importante para fecharmos a lição é perguntar: Um salvo pode ter seus valores distorcidos a ponto de tomar o mal por bem? Sim, isto é possível. A Bíblia fala de pessoas cuja consciência foi cauterizada (I Timóteo 4:2). Esta pessoa mergulhou lentamente na insensibilidade, tornando-se sociável ao pecado. Para muitos crentes o pecado é irrelevante. Até a própria noção do que é errado foi distorcida. Incrivelmente, este comportamento tem partido até de lideranças. Tomemos cuidado, quando nada mais é pecado, podemos estar com nossa mente cauterizada a serviço do mal.  Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce (Isaías 5:20)!

Subsídio em vídeo!

Leia mais sobre o que é escândalo aqui.

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4 Comentários

  1. Alexandre Yoshimi tokiwa disse:

    Muito bom o subsídio…. Deus continue lhe abençoando.

  2. Miqueas Cipriano disse:

    Riquíssima contribuição para nossas aulas da EBD. Obrigado Amado Pastor!

  3. Claudio Silva disse:

    Entende que a forma mais clara e diluível de sintetizar o que é ética e suas implicações e pela demostração de situações corriqueiras da vida!

  4. Williane Costa disse:

    Ótima explicação pastor. A ética cristã serve para que nós, cristãos, andemos em retidão.